quinta-feira, janeiro 27, 2005

Revista de Imprensa III

O ministro da Saúde diz que, no futuro, os médicos devem explicar a não prescrição de medicamentos genéricos.
Luís Filipe Pereira diz que no interesse dos utentes as novas receitas deverão ter um espaço para os clínicos explicarem porque receitam um medicamento de marca.
Sobre a possibilidade de alterar as formas de comparticipação dos medicamentos, o ministro recusa a substituição da comparticipação pelo reembolso - uma hipótese avançada num estudo feito por uma consultora britânica.
"Não temos máquina no Estado para assegurar a milhões de portugueses que primeiro paguem na farmácia e depois vão receber a qualquer lado" - considerou.
in RFM Online, 25.Jan.2005

O bastonário da Ordem dos Médicos está contra a intenção do ministro da Saúde que quer que os médicos expliquem, na receita, porque não receitam genéricos.
Pedro Nunes diz que se trata de mais uma medida burocrática que vai desviar os médicos do essencial, isto é: tratar os doentes.
O bastonário diz que a única coisa que a Ordem fará, caso a medida vá para a frente, é fornecer um carimbo aos médicos que diga "Porque considero que este é o melhor medicamento".
Sobre as alterações à comparticipação dos medicamentos, o ministro defendeu que todos os doentes crónicos devem ser comparticipados de igual forma.
in RFM Online, 25.Jan.2005

Comentários:

Genéricos...
Felizmente não tomo muitos medicamentos, mas recuso-me a tomar genéricos.
Os genéricos (não vou divulgar as minhas fontes) para além de não serem exactamente iguais ao medicamento que lhes serviu de base usam muitas vezes componentes de menor qualidade (que não poderei apelidar de maus mas menos puros) o que de alguma fora os adultera.

E das pessoas que conheço e com quem já falei sobre o assunto são cada vez mais aquelas que não se sentiram bem com um ou outro genérico. Pena que ainda não haja ninguém preocupado com a recolha e análise destes dados e somente com a parte financeira dos mesmos é sempre a mesma coisa. Quem tem dinheiro pode tudo... quem não tem... fica-se pela paciência....

I.  

Afinal o ministro ainda tem uma réstia de bom-senso.

Quanto aos genéricos, mais uma vez a posição está a ser tomada ao contrário. Deveriam incentivar os médicos a prescrever genéricos pela positiva (garantindo por exemplo a informação adequada e um controle de qualidade apertado aos genéricos). Assim, é como se estivesse a pôr a criança "de castigo"... e todos sabemos que a melhor forma de aprender é com estímulos positivos!
Também já estava na hora de a Ordem deixar de ser contra os genéricos, e explicar o que é preciso assegurar para que os médicos colaborem na redução da despesa pública!!!  

Ó medman desculpa mas que mais informação tu queres que os médicos tenham? Quanto ao controlo da qualidade é igual aos do outros países. Vamos reconhecer: neste caso a culpa é FUNDAMENTALMENTE DOS MÉDICOS.
É claro que isso não quer dizer que concorde com esta medida de ter que os justificar na receita. Era só mais papelada para preencher. Mas concordo que no final do ano os médicos sejam chamados pelo seu director de serviço/CS e que tenham que justificar o facto de não terem dado genéricos e que possa haver consequências dessa avaliação.  

O Francisco... eu não disse que a culpa não é dos médicos. Só disse que o burro anda melhor com a cenoura à frente, não é com a chibata atrás...
Quanto à informação, sabes tão bem quanto eu que há médicos que não acreditam que os genéricos são iguais aos medicamentos de marca (e será que são mesmo?) - é a isto que me refiro quando digo que tem de haver mais informação. Porque é que toda a gente diz que a furosemida genérico é menos eficaz que a de marca... É só um mito urbano? Ou é mesmo verdade?  

Mas que mais informação tu queres que eles recebam? (não chegaste a responder) Eles já receberam informação de que para um medicamento ser genérico tem que passar nos testes de bioequivalência. Queres que o ministro envie para cada médico todos os relatórios dos estudos de bioequivalência? Isso iria convencer os relutantes? Infelizmente é verdade. Por vezes os burros não respondem às várias cenouras e só mesmo com a chibata.
Estive 6 meses na Medicina Interna e 3 meses na Cirugia e apenas uma vez ouvi uma referência de que a resposta de um doente à furosemida (e não tenhas dúvida que nos hospitais é genérico) não era a habitual (o que poderá ter várias causas). Se:
- nos doentes mais graves, se dá o genérico, aparentemente com a eficácia habitual
- não existe qualquer evidência científica do facto
- aqueles que criticam os genéricos nunca se mexeram para realizarem um pequeno ensaio clínico para provar as suas críticas (com a quantidade de pessoas a tomar furosemida durava apenas alguns meses)
ENTÃO É UM MITO URBANO. É como os OVNIs. Toda a gente já ouviu falar deles, ninguém consegue provar a sua inexistência, há relatos esporádicos e anedóticos de pessoas que os julgaram avistar e nunca ninguém tirou uma fotografia de jeito. A diferença é que nunca ninguém se lembrou de obrigar o estado e os idosos (principais consumidores de medicamentos) a gastar milhões por ano a prevenir a sua eventual existência.  
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