terça-feira, fevereiro 15, 2005

Pois é ...

Estávamos a "fazer" as consultas da tarde quando entra o Nuno (jovem de 17 anos que trabalha na construção civil) acompanhado pela mãe. Queixava-se de uma dor lombar já com alguns meses de evolução. Já tinha vindo a uma consulta anterior e tinham sido pedidas umas análises gerais e um RX da coluna. O RX não tinha nenhumas alterações relevantes, mas quando olhámos para as análises havia algo que não era habitual: VDRL positivo (confirmado por TPHA). Este é o teste para diagnosticar a Sífilis, mas como é pouco específico (dá positivo em algumas pessoas que não estão infectadas) os resultados foram confirmados pelo outro teste.
O que fazer? Pôr a mãe fora do consultório para poder explicar a situação com privacidade? Falar abertamente? Eu decidi ficar calado e deixar o meu assistente falar.
- As análises mostram que estás infectado com um "bichito".
- Haaha...
- Deves ter conhecido umas meninas.
- Pois é.
- Por vezes foste descuidado, não foi?
- Pois é. (mais envergonhado que preocupado)
A esta altura a mãe interrompe a perguntar se é grave e referindo repetidamente que ela sempre lhe disse para ter cuidado. As dúvidas foram esclarecidas e agora vai fazer tratamento com injecções de Penicilina. Aparentemente ele não tinha qualquer sintomatologia, incluindo adenomegalias ou úlceras no pénis.
Para além de recomendarmos o uso do preservativo e que avisasse as " meninas" com que teve contacto pedimos-lhe repetição de análises após o tratamento e um rastreio para o HIV, Hepatite B e C. A Sífilis em princípio cura-se, as outras é que poderá ser muito pior. Pois é...

Comentários:

Pois é, pois é...  

o que me preocupa é a a aparente falata d epreocupação do rapaz ao saber que atrás da sifilis podiam estar outras doenças!
talvez nestes casos o doente devia ser atendido isoladamente, sem uma mãe a ouvir! a vergonha se calhar não desapareceria, mas o à vontade talvez aparecesse mais facilmente..não sei!  
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