terça-feira, abril 19, 2005

Já há novo papa

Joseph Ratzinger (Bento XVI) é o novo papa. Para um não católico resta-me a banalidade de desejar boa sorte e felicidades. Como médico espero que a igreja deixe de se opor ao preservativo. Como cidadão espero que não seja tão conservador em relação a muitos assuntos como era retratado pela imprensa.

Comentários:

Não penso que seja pela oposição ou não da Igreja que os hábitos vão mudar, é uma questão de mentalidades e não de ignorância, em África não existem mesmo e não há volta a dar. A sida está a desertificar o continente em relação à população humana, fazendo pensar na ques´~ao que algumas teorias da consperação falam, em relação a ser um vírus, tão anti social, que faz as pessoas perguntar se a natureza pode modificar um vírus de forma tão perversa.
Na minha espécie as toupeiras, nem os predadores os temos como tão perversos,excepto os humanos.  

Pois parece que não vamos ter grande sorte, nao acho que Ratzinger seja um progressista e tente aproximar a religiao e a Igreja dos fies e dos tempos modernos. Vão continuar a censurar a contacepção , mesmo em africa , para a sida e Hepatite B e C darem largas e matarem uns milhões. Não naõ me parece que seja desta que tudo reinaré em paz , aos olhos de Deus seremos uns pecadores , acho que é uma cruz pesada para quem tenta simplemente viver com as suas convicções... a tolerancia é palavra de ordem , mas nao sei onde ...  

Diálogo entre dois amigos, um deles casado, na África Subsariana:
-Pah, sabes fui pá cama com uma mulher toda boa...
-E usaste protecção???
-Já me chegava cometer adultério! Ainda usar camisinha?! Você quer que eu vá para o Inferno?

Sinceramente acham que quem cumpre os mandamentos da Igreja Católica vai cumprir no preservativo e não no casamento fora do matrimónio?  

É por se continuar a pensar que a SIDA é só para adúlteros, homossexuais e "drogados" que ela está a alastrar... Continua assim anónimo... é isso que o "bicho" (vulgo VIH) quer!  

Qual é a taxa de protecção do preservativo em relação às quase trinta infecções de transmissão sexual que estão identificadas?
Se a taxa de protecção não for 100%, o que acontece à taxa de falhas multiplicada pelo número de actos sexuais, multiplicada pelo número de parceiros, multiplicada pelo tempo decorrido?
Porque é que numa questão eminentemente técnica, nos escondemos atrás da batina (se é que ainda usam) dos padres?
Será que os que recusam o modelo de casamento que a Igreja propõe (virgindade até ao casamento, fidelidade mútua depois), vão "religiosamente" cumprir o não uso do preservativo?
Não estaremos a ser um pouco simplistas ;-))  

Respondendo a alguns dos comentários: eu acho que a Igreja dificulta e muito o trabalho de outras organizações que trabalham no sentido da implementação e divulgação do preservativo, nos países ocidentais e em Àfrica. A virgindade até ao casamento, hoje em dia e nos países africanos por diversos motivos culturais e sociais não é respeitada, mesmo pela maioria dos que se dizem católicos. O problema é que essa mesma cultura que incita ao sexo e que é muito prevalente em todo o mundo, incita também ao seu uso sem preservativo tornando mais dificil a sua implementação, até porque têm a desculpa de ser pecado.
O preservativo também se aplica para prevenir DSTs entre marido e mulher (onde a Igreja católica já permite o sexo (mas só para procriação)).
Em relação ao que disse o cls não é preciso que o preservativo seja 100% eficaz para acabar com as DSTs. Como na vacinação há a imunidade de grupo, tb para as DSTs basta que a larga maioria da população use correctamente que as DSTs tenderão a diminuir e acabar.  

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"Imunidade" nas Infecções de Transmissão Sexual???????!!!!!!
"Imunidade de grupo"????????!!!!!!
Agora é que fiquei realmente preocupado!!!!!!
Recomendo que pesquizem a base de dados Cochrane sobre o assunto! Morrer ou infectar-se por ignorancia é duplamente doloroso...  

Caro cls
Julgo pela sua resposta que não sabe o que é Imunidade de grupo e por isso não percebeu o que eu queria dizer. Imunidade de grupo na vacinação corresponde a que não é preciso que todas as pessoas estejam vacinadas para se conseguir eliminar uma doença na população. Se a maioria da população estiver vacinadas, o agente infeccioso terá muito mais dificuldade em ter contacto com um hospedeiro susceptível e com taxas de vacinação a partir de 80-85% tenderá a desaparecer. No caso presente a analogia serve para que mesmo que nem todos usem o preservativo correctamente e a eficácia deste não seja 100%, se quase todos o usarem a incidência das DST diminuirá a longo prazo nos que usarem o preservativo (pela diminuição directa do risco de transmissão) e (e isto é que corresponde à imunidade de grupo) em toda a população já que terão menor probabilidade de ter relações sexuais com alguém infectado.

Como poderá verificar nunca falei em imunidade nas DSTs (que embora algumas tenham, no caso do HIV e VHC não existe).

Caso seja eu que me tenha enganado na interpretação da sua mensagem por favor corrija-me que estou sempre disposto a aprender. Pesquisei a base de dados da Cochrane e não encontrei nada relacionado com a imunidade de grupo. Apenas encontrei esta revisão (http://www.cochrane.org/cochrane/revabstr/AB003255.htm) que indica que o uso do preservativo (correcto ou incorrecto; com preservativos de látex ou não)reduz a transmissão do HIV em cerca de 80%. Em qualquer dos casos não me parece que seja a base de dados mais indicada já que o seu grosso de informação são ensaios clínicos que só avaliam o efeito do uso do preservativo no curto/médio prazo na população que integrou o estudo e não avaliam a longo prazo na população geral.  

Não se trata de "uma" doença infecciosa, em que a percentagem de protecção poderia, a partir de certa altura, ser suficiente para manter o número de novos casos estabilizado. Estamos confrontados com quase três dezenas de agentes infecciosos de transmissão sexual, alguns incuráveis e / ou mortais. Além disso o número de falhas da protecção, ou seja de pessoas infectadas, ir-se-á acumulando com o tempo, aumentando a população contagiante.
Parece-me que precisamos de ser um pouco mais sofisticados na abordagem da questão. Não é simplesmente uma questão sanitária: tem a ver com comportamentos e, portanto, não será resolúvel apenas com medidas temporárias.
Fiz uma leitura rápida (necessariamante incompleta)do British Medical Journal, Lancet, Am Journal Epidemiology, Sexually T Diseases, e pareceu-me que as linhas de força do momento vão neste sentido (mas não sou perito no assunto).
A Cochrane é uma boa base de evidência - não é tudo, mas seria fútil ignorá-la. Para populações em risco baixo, a promoção do preservativo como única receita arrisca-se a promover o efeito contrário - as pessoas arriscam mais porque julgam estar protegidas e, portanto, aumentam as infecções em vez de as reduzir. Veja-se o que está a acontecer nos grupos com práticas homossexuais em que, depois de um recuo no número de novas infecções, o número está outra vez a aumentar, aparentemente por causa da publicitação do sucesso nos tratamentos. E não é só o HIV, é tb a sífilis que retorna em força, a Clamídia que atinge proporções epidémicas, o HPV que continua a subir, bem como todas as mais conhecidas como a sífilis e a gonorreia. Não estando uma vacina para o HIVo(ou a Clamídia ou o Herpes) no horizonte, há que apostar em estratégias mais criativas porque o problema tende a engordar.  

Caro cls

- não é só uma doença, (eu falei sempre de DSTs) mas o processo se aplica-se a todas; além disso as que causam grande morbilidade e mortalidade são 3 (VHC, VHB e HIV) e são de longe as mais preocupantes já que para as outras há tratamento eficaz ou não causam grande morbilidade; quanto a “tb a sífilis que retorna em força, a Clamídia que atinge proporções epidémicas, o HPV que continua a subir, bem como todas as mais conhecidas como a sífilis e a gonorreia” embora não esteja dentro do assunto desconheço a epidemia de Clamídea e outras DSTs. Será que me podes dar algumas fontes ?
- felizmente o processo não funciona sempre com a acumulação das falhas de protecção (se assim fosse e como nada tem uma percentagem de implementação de 100% todas as doenças estariam desde o inicio da humanidade a aumentar). Tal como eu tentei explicar acima de determinada capacidade de prevenção, as doenças tenderão a diminuir (como é que julga que os homossexuais nos EUA conseguiram diminuir a transmissão da doença e o nº de novos infectados)
- concordo que a vertente dos comportamentos é importante e devia ser promovida uma vida sexual saudável; não concordo que promover o uso do preservativo seja uma medida temporária ou de menor valor
- eu não disse que a Cochrane não era uma boa base; só disse que não era a mais indicada para este assunto que estávamos a discutir (imunidade da grupo) e parece-me razoável ignorar as bases que não nos ajudam com o problema actual (não chegaste a dizer o que encontraste lá para reduzir a minha ignorância)
- que culpa tem o preservativo (que por ter sido eficaz reduziu o número de novas infecções) de algumas pessoas por julgarem que já existe tratamento eficaz tenham deixado de ter cuidado e tenham subido um pouco o nº de novas infecções (mas nada comparado com o que havia antes) ???!!??  

Parece-me que é mais realista não opinar e basearmo-nos mais em dados e avaliações.
A infecção por Clamídia é a segunda IST (infecção sexualmente transmitida), em número de novos casos por ano, pelos dados da OMS. Nos EUA é a terceira infecção de T. Sexual mais frequente, com 1 milhão de novos acaso por ano.(A segunda é o HPV que provoca o cancro do colo do útero). Provoca esterilidade em 40% dos casos, logo nas primeiras infecções e é tb responsável por gravidez extra-uterina e abortamentos. Não tem sintomas em 3/4 das mulheres e 50% dos homens. A taxa de protecção do preservativo ultrapassa pouco os 50% (ver o relatório do CDC, "Condom Report"). No Euro surveillance as subidas de IST comuns, como a sífilis, a gonorreia e a clamídia estão continuamente documentadas, não é difícil perceber que estamos sobre um vulcão.
As revistas que lhe citei antes têm bastantes dados sobre o assunto.
A cochrane fala sim de "imunidade de grupo" mas apenas para os estudos sobre rotavírus. Em compensação tem dados fiáveis sobre a protecção que os preservativos oferecem, que é bastante, mas não o suficiente para que seja possível actuar apenas a esse nível.
"Educar os jovens acerca do HIV, ensinar-lhes competências em negociação, na resolução de conflitos, em pensamento crítico, na tomada de decisões e de comunicação aumenta não só a sua auto-confiança, como a capacidade para fazerem escolhas informadas, tais como adiar a actividade sexual até que tenham a maturidade necessária para se protegerem do HIV, das outras ITS e da gravidez indesejada." (Young people and HIV/AIDS : Opportunity in crisis Report - 1/6/2002 - UNAIDS, UNICEF, WHO)  

Caro cls

-nunca pus em causa que as DSTs fossem frequentes. Desde há séculos que são frequentes e não estou a ver nenhuma medida que as vá fazer desaparecer.O que disse é (extra VIH, VHC e VHB)" há tratamento eficaz ou não causam grande morbilidade".
- continuo a considerar que a sua prevalência não está a aumentar (agora com uma opinião mais informada): Procurei no Euro surveillance e encontrei dados relativos à Escócia França, Itália e Inglaterra (esta apenas comparava dois anos seguidos o que limita muito as conclusões). Em todos estes as DSTs têm diminuido ou estabilizado, não vi nada que indicasse um aumento (o que depois confirmei no CDC que me indicou a mesma coisa).
- Dizes que a Clamidea "Provoca esterilidade em 40% dos casos". Li no CDC que em 40% dos casos não tratados há evolução para doença inflamatória pélvica algumas das quais poderão vir a ficar estéreis. É bastante diferente.
- O cancro do colo do útero é prevenido fundamentalmente com o rastreio por citologia cervical (nos países onde existe um sistema de rastreio a sua incidência é bastante baixa) e não com a abstinencia (nem com o preservativo embora este tb ajude comprovadamente a prevenir o HPV e o próprio cx colo uterino). A esmagadora maioria das pessoas infectadas nunca terá problemas devido a isso.
- Uma das medidas recomendadas pelo CDC para prevenir todas as DSTs é o preservativo que é comprovadamente eficaz em prevenir todas as DSTs (juntamente com a abstinência e monogamia).Mostra-me um estudo que diga que actuar apenas ao nível da abstinência tem melhores resultados que actuar ao nível do preservativo (já para não falar de abstinência + preservativo). Embora reconheça que a eficácia da abstinência é superior julgo que a sua eficiência não será devido a uma menor aceitação e implementação na população.
- como tenho dito em todos os comentários, eu concordo com a necessidade de mudança de comportamentos e por isso não precisas de estar sempre a dizer que é importante. O que eu não concordo é com o menosprezamento do papel do preservativo que me parece ser dos métodos (senão o método) mais eficiente e cuja implementação é dificultada pela Igreja Católica (tema inicial que originou esta discussão)  

Penso que precisa de ler mais coisas e mais números. Tem uma visão muito simples do que está a acontecer, o que pode dever-se a que apenas disponha de alguns dados de divulgação.Colher dados suficientes na internet não é difícil mas obriga a muito tempo, (coisa que nos falta a todos obviamente). Em Inglaterra o grupo etário dos 15 aos 25 anos é o que tem piores indicadores de saúde, indicadores que estão a baixar desde os anos 60, valia a pena questionar porquê (há um relatório interessante da BMA, recente, que julgo que vem no British Medical Journal, mas de momento não tenho aqui a referencia).
Não propus a abstinência (seja lá o que for que isso signifique)como solução: digo que os organismos e organizações científicas internacionais, com peso na questão, propoem abordagens integradas e multifacetadas, com prioridades que estão publicadas e divulgadas. Seria bom reflectir sobre o porquê destas instituições estarem a propor o "ABC " como estratégia.
- Os estudos serológios indicam que 64% dos casos de infertilidade tubar e 42% das gravidezes ectópicas são atribuíveis a infecção por clamídia, como causa directa. A doença inflamatória pélvica (que tb pode ser provocada por clamídia), tb pode ser causa de infertilidade na percentagem que indicou.
- Os números de novos diagnósticos de HIV aumentaram na Europa entre 1995 e 2000, cerca de 20%. A gonorreia aumentou na França, Holanda, Suécia, Suíça e Reino Unido. A Holanda, a França, a Irlanda e o Reino Unido têm surtos de sífilis em homens que têm práticas sexuais com homens, alguns já previamente infectados com HIV. Entre 1995 e 2003 as infecções por Clamídia subiram 196% no Reino Unido.
- Por último (uf!), o que eu "acho" é completamente irrelevante: o que importa é o que está a acontecer ;-)
Mas é sempre bom conversar.  

Cls, em primeiro lugar e depois deste “debate” estás à vontade para me tratar por tu (é o que eu tenho feito, espero que não te importes)
- acho que encontrámos números diferentes em bases diferentes (é perfeitamente natural). Julgo que seria ridículo estarmos aqui a discutir este assunto exaustivamente a ver quem arranjava mais artigos/referência para defender a sua causa. Julgo que mais uma vez te estás a precipitar ao dizeres que sou eu que tenho uma visão muito simples. Não resisto no entanto a fazer 4 comentários em relação ao que disseste:
- “A Holanda, a França, a Irlanda e o Reino Unido têm surtos de sífilis em homens que têm práticas sexuais com homens, alguns já previamente infectados com HIV” – Tens noção que não há doença infecciosa nenhuma no mundo que não tenha surtos, especialmente em grupos de risco? (exceptuando a varíola que está erradicada)
- “Entre 1995 e 2003 as infecções por Clamídea subiram 196% no Reino Unido.” – Digo-te sinceramente que não acredito nesses resultados. Quase de certeza que esse resultado se deve a um aumento da declaração dos casos e/ou aumento do uso dos métodos de diagnóstico (especialmente havendo outros artigos sobre exactamente o mesmo assunto que dizem que até há pequenas diminuições). Encontrei um artigo no BMJ que indicava valores semelhantes aos teus, mas um dos comentários é arrasador: http://bmj.bmjjournals.com/cgi/eletters/324/7349/1324#24249
- Que indicadores de saúde estás a falar quando dizes que são piores no grupo etário dos 15 aos 25 anos? Como compreendes esta pergunta faz toda a diferença para tirar qualquer interpretação do que disseste e porque a maior parte que eu conheço (mais um assunto em que estou pouco informado) não faz sentido que sejam piores nesse grupo etário.
- É por o HIV continuar a subir na Europa (já para não falar na África) que eu espero que as pessoas passem a adoptar comportamentos sexuais mais responsáveis, incluindo quer usem o preservativo.

Para finalizar devo-te dizer que ao longo desta discussão, embora me tenha feito perder algum tempo do meu livro favorito, aprendi algumas coisas no esforço de responder aos teus argumentos.
Um abraço  

Gostei deste debate e concordo plenamente com o Francisco.
A ICAR está a cometer um grande erro ao atacar o preservativo e um dia há-de pedir desculpas à huminidade pelo seu comportamento assassino.

Nas entrelinhas do discuro do cls
parece-me ouvir a voz do cardeal Trujillo que tentou espalhar a dúvida sobre os preservativos inseguros.

Para mais informações leiam aqui: http://www.vihpositivo.com/sexoycelulas250405.htm

Se tiverem mais dúvidas podem ainda ler a reacção oficial da Organização Mundial da Saúde (http://www.aidsportugal.com/article.php?sid=3144).  

Obrigado pelo teu apoio de peso gatomen. Inflizmente acho que o cls parou de comentar.  
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