sexta-feira, abril 22, 2005

Será que há responsabilização em Portugal?

Segundo o Público estão a ser confirmados as doenças incapacitantes dos professores (ou seus dependentes) que pediram destacamento por esse motivos. Basta dizer que aumentaram 6x (500%) de um ano para o outro. E que os que forem considerados "saudáveis" que sejam responsabilizados.
E parece que os médicos tb estão a ser investigados! Só acredito quando vir (é tudo muito dificil de provar e tb é preciso ter cuidado que alguns podem ter sido enganados pelos utentes).

Comentários:

Quais são os critérios para "diagnosticar saúde" a alguém que se afirma doente? Os médicos são treinados para fazer diagnótico de doenças e, quando não as encontram, o máximo que poderão dizer é que aquelas queixas não se enquadram nas classificações atuais de doença. A fibromialgia só recentemente emergiu como éntidade patológica (e com alguns fumos de que os médicos ignoraram estes doentes sofredores durante décadas). A obesidade é considerada actualmente (OMS e Direcção Geral de aúde portuguesa) como uma doença crónica...
Creo que continuamos a fugir à questão principal que é o exercício da cidadania, por todos e cada um de nós. Tudo é remetido para o médico e para o "papel" assinado pelo médico, pelo que ninguém é responsável por nada, nem sequer pelo cumprimento das leis.
Sabiam que depois da Comissão Nacional de Protecção de Dados ter lançado o alerta sobre a violação de confidencialidade que supunha o envio das "fichas de ligação" da saúde escolar para as escolas, há escolas que continuam a recusar a matrícula a quem não a levar?(No tal ensino que é "obrigatório" e que não discrimina ninguém...)  

cls: como diria o jocapoga... 20 valores!!!

É óbvio que os médicos que passam atestados fraudulentos também são culpados e devem ser punidos por isso. Acho que é muito difícil de provar a "intenção" de fraude. Mas a grande culpa é essencialmente do estado que põe tudo isto nas mãos do médico, qual autoridade, que por outro lado ainda é obrigado a manter um relacionamento próximo e "humano" com o doente, porque senão é porque é uma porcaria.
Até em nome da relação médico-doente, de uma vez por todas é preciso deixar que o acesso às regalias, compensações e benefícios sociais passem pela mão do médico (muito menos do médico de família)!  

As fichas deligação não vão para as escolas.
Vai é uma declaração a dizer que fez o exame dos 5-6anos.
Quanto ao comentário de medman, não sei qual a diferença de uma declaração de um médico de clínica geral de qualquer outro especialista.
Tomara os médicos que não lhes pedissem tantas declarações.  

Quem é que então deveria dar o direito à "baixa" por motivos de saúde? Neste momento não vejo outros que não os médicos. Quanto a ser o MDF acho deveria ser ele para dar baixas de curta duração e se fossem superiores a 2 semanas tinham que ser passadas por juntas médicas (que podiam passar pelo período que considerassem sem a limitação de 1 mês).

CLS: não confundas fazer diagnósticos com passar um atestado de que a pessoa tem uma doença incapacitante que lhe dá o direito de ficar mais próxima de casa na colocação de docentes. Isto não pode ser por uma dor de barriga, HTA ou pela obesidade (não querendo com isto dizer que obesidade não correspondam a doenças). Quanto à questão da falta de cidadania (neste e noutros temas) concordo, mas não podemos esperar por esse mundo utópico. Temos que criar mecanismos que regulem as "baixas".

O caso das escolas é um dos casos em que as coisas funcionam mal porque ninguém se queixa. Acho que se houvesse alguém com conhecimento dos seus direitos que fosse prejudicado tudo se resolveria.  

Como se define capacidade para o trabalho? Não é um termo médico, ou seja está fora do âmbito das definições de diagnóstico médico. Um locutor rouco tem capacidade de trabalho? E se o chefe de redacção o mandar escrever as notícias, em vez de as ler, passa a ter capacidade de trabalho?
Uma mulher de 50 anos, doméstica, com artrose dos joelhos e que mora numa casa com escadas, tem capacidade de trabalho? E se tiver um elevador?
Volto à fibromialgia: é ou não uma doença incapacitante? E o síndrome de fadiga crónica? E o síndrome pós-concussão depois de um acidente de automóvel?
Enquanto continuarmos a esconder-nos atrás dos ombros (larguíiiiiissimos) dos médicos o país continuará tolhido.  
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