quinta-feira, maio 12, 2005

Acto médico

Este post vem a propósito de ter recebido em casa o material necessário para votar para um referendo organizado pela Secção Norte da OM em que a definição de acto médico basicamente abrange tudo desde avaliação, diagnóstico, referenciação e tratamento de tudo relacionado com a saúde (excluem só a parte dentária).
Para além das minhas reservas relativamente a este tipo de consulta, sinceramente não tenho uma opinião muito bem formada sobre este assunto e desde já digo que tenho muita dificuldade de elaborar a minha definição de acto médico (recomendo a quem puder a reunião no dia 23 na SRNOM). Parece-me importante que alguns actos estejam definidos apenas para médicos mas parece-me que a Ordem, nomeadamente esta secção, está a ser mais uma vez bastante coorporativista alargando muito a definição do acto médico. Será que é justo que nalgumas situações outros profissionais da saúde (fisioterapeutas, podologistas, técnicos de cardiologia, técnicos de análises, psicólogos, ...) continuem a fazer o trabalho e o médico depois a assinar? Será importante que seja o médico a fazer as gasimetrias? E já agora, porque é que os veterinários não podem receitar?

Comentários:

Confesso que também não tenho informação suficiente para emitir uma opinião devidamente informada sobre o facto de alguns gestos serem ou não acto médico. Mas quanto ao facto da SRNOM ser mais uma vez corporativista, e ressalvando o facto de os erros dos outros não deverem servir de (mau) exemplo, partilho que há uns anos a Associação de Estudantes da FMUP tentou organizar um curso de técnicas de enfermagem (coisas simples do tipo fazer camas com doente deitado, punção venosa, ou seja coisas muito simples e práticas)o qual não avançou porque deu uma celeuma que nem imaginam....
Relembro que, por exemplo na alemanhã o pessoal de enfermagem não faz sequer punções venosas (a meu ver um exagero).
Quanto ao facto da prescrição pelos veterinários, caro amigo, a resposta parece-me lógica, é que nos doentes humanos, quando a coisa corre mal não se vai mandar abater (os Srs. veterinários que não levem a mal a brincadeira)  

Isso é tudo treta corporativista e comercial, mera protecção de interesses de classe.
Desde há muito, e cada vez mais no futuro, é necessário "libertar" pseudo-actos médicos para outras classes profissionais de saúde.
Mas isso custa muito... em aceitar q outros façam tão bem como nós... e custa dinheiro, claro!  

Já agora, também acho que com 5 anos de estudo qualquer um podia ser engenheiro civil e projectar casas. A questão é esta, porque carga de água é que andam sempre a pegar com as coisas que os médicos fazem???? Se todos (pelo menos na área da saúde) fizerem o mesmo que os médicos deixa de haver lógica na existência de outras profissões porque passa a haver só a profissão médica. É o eterno mal de neste país todos acharem que têm que ser doutores e de não assumirem com orgulho as profissões que escolheram (ou não) ter. Se de facto cada um se dedicasse à profissão em que está teríamos as coisas a funcionar bem melhor. Por um lado porque os médicos não teriam medo de ver um enfermeiro com um estetoscópio na mão e por outro porque se o enfermeiro tivesse um na mão saberia o que fazer com ele (e nada de retirar segundos sentidos desta frase)  

Eih?Os Veterinários sempre poderam receitar.  
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