quinta-feira, agosto 25, 2005

A nossa democracia

"Negócios imobiliários financiam dirigentes, campanhas e partidos"

À medida que se aproximam as próximas eleições autárquicas aparecem mais uma vez os vícios e fragilidades da nossa democracia:
- câmaras endividadas para apresentarem obra em ano de eleições (aumentando o défice público): recorrendo ao crédito de bancos; tendo empresas públicas que recorrem ao crédito de bancos; atrasando-se no pagamento das suas dívidas
- câmaras que aprovam projectos urbanísticos que não são do interesse dos munícipes (especialmente no final dos mandatos autárquicos já após as eleições e nomeadamente quando vai para lá outra cor política): dá dinheiro às câmaras permitindo ajudar a fazer obras; dá dinheiro aos autarcas e partidos (corrupção).

Sem nunca ter visto provas concretas atrevo-me a dizer que é uma prática generalizada. É assim que o sistema funciona. Atrevo-me a propor algumas propostas:

- campanhas eleitorais com orçamentos obrigatoriamente reduzidos

- mais debates nos órgãos de comunicação públicos (TV, rádio, revistas camarárias)

- proibição da aprovação de qualquer projecto urbanístico após as eleições com um orçamento acima de 500 mil euros

- um resumo do relatório de contas das câmaras ser divulgado e publicado 1 mês antes das elições



Comentários:

É lamentável que isso aconteça. Só vem provar que Portugal está ainda muito atrasado em relação à (cauda) da Europa.

A pior das situações é os interesses não serem só imobiliários, é o governo também "mexer os cordelinhos".

Em relação às propostas que fazes concordo com tudo na sua generalidade. No entanto, acho que ainda se pode ir mais além e ser mais exigente.
-Após ser conhecido o resultado das eleições não deveria ser aprovado nenhum projecto. Seja ou não urbanístico e independentemente do seu custo.
-As tomadas de posse deveriam ser o mais rápidamente possível, (idealmente logo no dia seguinte) no máximo um mês após a saída dos resultados.
-Não só as câmaras deveriam apresentar e divulgar os seus relatórios até 1 mês antes das eleições como os partidos deveriam fazê-lo. Embora estes deveriam apresentá-lo 1 mês antes e 1 mês após as eleições.
-Os meios de comunicação social seriam um bom meio de debate, mas se ele fosse visto como tal em vez ser utilizado como um tempo para ataques individuais (eu fiz isto e o sr não fez aquilo!).  

Acho que tudo isto se resume a uma palavra: responsabilização. Enquanto a classe política fôr irresponsabilizável pelos seus erros e não puder ser punida por má utilização de fundos públicos não vamos a lado nenhum...

O que este país precisa é de um "choque cultural". De desenvolver uma cultura dos 3 R's: rigor, respeito e responsabilidade...  
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