terça-feira, maio 31, 2005

Paralelismos

Ex-governante acusado de corrupção por permitir o abate de umas centenas de sobreiros, para que pudesse ser construído um empreendimento turístico que viria a trazer milhares de postos de trabalho à região.

Já foi muito "debatido" este envolvimento entre o Ministro Nobre Guedes e o Grupo Espírito Santo. Já agora recomendo uma leitura ao comunicado do Grupo Espírito Santo, onde entre outras coisas, se fica a saber que na área em que "queriam" abater umas centenas de sobreiros, já "plantaram" mais de 5.000.

Fiquei pasmado, quando ontem ouvi a notícia, dada com a maior das naturalidades, em que o Eng.(título pelo qual gosta de ser chamado, apesar de segundo consta nunca ter estado inscrito na Ordem dos Engenheiros) Sócrates comunica que a Área de Protecção Ambiental do Alqueva tem de ser revista, para que o ex-banqueiro e ex-dirigente de futebol Roquete, possa construir um empreendimento turístico nas margens do Grande Lago, porque afinal o ambiente não é tudo e é preciso criar postos de trabalho...

Enfim, mais um balde de areia para os olhos dos portugueses...

Comentários:

Tirando a do engenheiro (agora já é e não precisa de estar inscrito na ordem para o ser) concordo contigo. Quando ouvi a notícia pensei o mesmo.
Um pequena correcção: eles não queriam abater umas centenas de sobreiros. Eles já abateram mil e tal e queriam abater o resto. Também tenho dúvidas que quem plantar uma árvore possa destruir outra protegida noutro sitio.  
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domingo, maio 29, 2005

A semana das revelações...

Não... não fui iluminado por uma voz divina...

Mas durante esta semana tive algumas "alegrias".

1. Afinal os energúmenos, não foram todos para a Av dos Aliados de cachecóis azuis... O simãozinho e os seus colegas de equipa, afinal andaram a gritar do cimo do autocarro (para ver se provocavam mais alguma confusão): "Pinto da Costa, vai pró c......alho"
2. O Setúbal (o meu clube do coração desde pequenino :)) ganhou a TAÇA...
3. Há benfiquistas que não sabem ganhar...
4. Um energúmeno qualquer escreveu no Expresso algo deste género: "Os portugueses festejaram a derrota do FC Porto, do Sr. Pinto da Costa e da arrogância dos adeptos portistas" - será que essa besta, me vai deixar entrar na "capital do império" sem passaporte? Se o clube desse senhor no próximo ano tem entrada directa na liga dos campeões, bem que o pode agradecer aos "arrogantes" que andaram a conquistar pontos durante os últimos 3 anos...

5. Mudando de assunto, começou a cair a máscara ao Sócrates. Do discurso da tanga, passou-se para o discurso dos sacrifícios. O governo vai aumentar os impostos. E logo o IVA, que tanto criticou quando foi aumentado pelo governo Barroso... Trapalhadas... Coerência!
6. Continuam os boys e os seus jobs!!! Das reformas milionárias que criticaram ao anterior governo, passam-se para as indemnizações milionárias (por despedimento sem justa causa a administradores da Águas de Portugal), com a diferença que estas são perfeitamente evitáveis.
7. Já estou farto de ver a carantonha do Francisco Assis nos cartazes à saída da A3. Quando é que alguém lhe põe um nariz de palhaço?
8. Em menos de seis meses o PR conseguiu ir de férias visita de estado à China, regressar e voltar ao Japão, com uma comitiva paga por todos nós, sem que os media achassem isso anormal, só porque não sabia fazer mergulho e o hotel não se chamava BomBom!

Comentários:

O que me surpreende no futebol é que uma equipa a jogar tao mal como o Benfica tenha sido campeã. Que fraco campeonato em Portugal!

Politiquices:
- a coerência é a mesma do PSD (que antes tb aumentou) e que critica agora o aumento do IVA com um défice de 6,8% (e este já não é só culpa do Guterres; se calhar tem a ver com a ausência de verdadeiras reformas nos últimos 3 anos)
- não sei se o administrador estava a fazer um bom trabalho ou não mas a reforma do outro tb era evitável (ele é que depois de saber que ia ser afastado ,escolheu reformar-se prescindindo até da indemenização).
- discordo que as visitas do chefe de estado a países estrangeiros sejam um desperdício. Além disso a comitiva de empresários pagam as suas despesas. Acima de tudo, o problema do hotel BomBom não era o nome nem o dinheiro (em termos nacionais é irrelevante) mas o espirito de ir de férias às custas dos nossos impostos (enquanto o PR gostemos ou não, concordemos ou não, vai em trabalho com vários eventos oficiais).  

Respondendo às politiquices:
1. A coerência não é a mesma... Sabes perfeitamente que é muito diferente dizer 17 é pouco, 19 é correcto e 21 é demais do que dizer 17 é correcto, 19 é demais mas 21 ainda é pouco!!!
Quanto ao défice, nunca saberemos de quem é a culpa... Talvez também seja do cenoura que há menos de um ano estava a pressionar o governo da altura com o célebre "Há vida para além do défice", mas agora já mudou de discurso e diz que para fazer face ao défice é preciso que todos os portugueses façam sacrifícios... Se calhar as eleições que ele resolveu convocar custaram muitos "porcento" ao erário público e ajudaram a aumentar o défice.
Quanto à falta de reformas nos últimos 3 anos, é verdade, mas também é verdade que foram feitas mais reformas de fundo nos últimos 3 anos do que nos 10 anos anteriores.

2. O "outro" poderia ter ido para a reforma logo que quisesse... Pode ter sido "empurrado" pela decisão de o afastar, mas bastava ele querer, que tinha direito a ela (e isso era uma lei que já vinha de há muitos anos e que, curiosamente, foi alterada pelo Bagão Félix para que isso não voltasse a acontecer). Agora, é um escândalo, demitir toda uma administração com menos de 1 ano de mandato cumprido, só porque não são da "cor política". Já para não falar das nomeações do Fernando Gomes e do Nuno Cardoso para administradores da Galp e da Águas de Portugal, onde poderão continuar a exercer os seus brilhantes actos de gestão que levaram a CMP à bancarrota (e olha que sei do que estou a falar...)

3. As comitivas de empresários NÃO pagam as suas despesas... vão a CONVITE do chefe de estado. O Morais Sarmento também foi em trabalho, com encontros oficiais na sexta-feira e no domingo. Aproveitou isso sim o sábado (dia em que não tinha visitas oficiais para fazer), para praticar mergulho e outras actividades, que pagou do seu bolso. Na minha opinião, se ficasse fechado dentro do quarto do hotel, à espera de Domingo, para fazer as visitas oficiais só demonstrava que era estúpido.
Já agora, que visita oficial é que o Sampaio foi fazer, quando fez uma excursão à Grande Muralha? Já para não perguntar as "escapadinhas" do Mário Soares para ir comprar livros a Paris, onde tinha que ficar alojado no Ritz ou a "visita de Estado" às Seychelles para andar de tartaruga...  

Sim concordo consigo, o Benfica nao devia de ter festejado no norte, assim como o FCP nao devia de ter festejado em Lisboa na epoca passada e festejou... nao creio que la tenham estado alguem a queimar cachecois como aconteceu na av. aliados...
Ah.. sim, a mim tb me surpreende que uma equipa que tenha jogado tal mal tenha sido campea... ja nao me surpreende que quem ficou em 2º lugar... nao mereça lá estar.. claro...
E mau perder?.. Creio que o seu post mostra todo o mau perder que existe num adepto...

um bem haja...
e que a inveja nao continue a fazer parte da sua vida....  

Caro pepa, recomendo-lhe que em primeiro lugar aprenda a ler e a escrever... depois de conseguir entender um texto completo, podemos conversar...  
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segunda-feira, maio 23, 2005

Medicamentos

Dois textos do JN. Num tentam fazer o diagnóstico dos motivos do aumento crescente do gasto em medicação e noutro apontam quais as medidas que se deveriam adoptar para racionalizar os gastos (promovendo o medicamento mais barato). São ambos sobre um estudo da Europe Economics para o estado. Eu depois comento.

Comentários:

Fico a aguardar  
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domingo, maio 22, 2005

O Porto...


...será sempre Porto!

Parabéns ao Benfica, que acabou por ser o "menos mau"... e espero que os energúmenos que andam a fazer desacatos e provacações na Av dos Aliados, rasguem os cachecóis (que aquilo não é ser portista), levem no lombo da polícia e passem umas semanas na pildra...

Comentários:

Desde que os desacatos e a pancada policial não os levem para o Hospital...  

Eu estive para por post mas deixei que fosse alguém portista a por-lo. O campeão só foi decidido na última jornada, parabéns aos 3 grande e Sp. Braga que fez um grande campeonato.
Quanto aos animais que foram agredir para a Av. dos Aliados não podia estar mais de acordo.  

Grandes, grandes, o que se chama grandes...  

bibó puerto,carago!

o porto não merecia ganhar o campeonato, mas o penaltie do benfica esta-me entalado! no entanto não andei para ai a arrancar cabeças e a destruir cachecois (com cheiro a mofo- tinha q vir a piadinha)  

Os grandes são e sempre foram 4, não se esqueçam do S.C.B.  

Que vergonha de portistas andarem aí a impedir a festa dos benfiquistas.
Queria que o FCP ganhasse mas este ano correu muito mal e se ganhasse, era sinal que os outros eram mesmo muito maus.  
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quinta-feira, maio 19, 2005

Igualdade entre homem e mulher

Descobri uma cronologia sobre a evolução dos direitos das mulheres em Portugal.
Tem coisas do tipo:
"1911 Constituição da República.

As mulheres adquirem o direito de trabalhar na Função Pública.

A médica Carolina Beatriz Ângelo, viúva e mãe, vota nas eleições para a Assembleia Constituinte, invocando a sua qualidade de chefe de família.

A lei é posteriormente alterada, reconhecendo apenas o direito de voto a homens."

"
1933 Nova Constituição Política do Estado Novo que estabelece a igualdade dos cidadãos perante a lei, "salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família" (Art.º 5.º)."

"
1967 Entrada em vigor do novo Código Civil. Segundo este, a família é chefiada pelo marido, a quem compete decidir em relação à vida conjugal comum e aos filhos."

Comentários:

hoje em dia a mulher ja conseguiu muito!
defendo a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, igualdade de direitos e deveres e não a igualdade dos sexos!

defendo que a mulher deva puder ter o mesmo acesso a cargos profissionais e familiares (se é que se pode dizer assim) e não que a mulher os obtenha por sistemas de percentagens...you know what i mean?  

nem mais , e falta ai o pior de todos , que a mulher deve obediencia ao homem ( marido) e sabe que as penas , eram diferentes entre homens e mulheres , um homem traido podia matar e não era punido e a mulher era morta , ah! ! pois...  

apesar de muita coisa ter evoluido , nos codigos e nos manuais se assim de pode definir ainda existe uma mentalidade machista que predomina. por mais que se queira a mulher ainda esta ligada a maternidade e a casa , não se moda centenas de ano em duas decadas , é pena mas é assim . e por cá estamos nós bem , por em certos paises até se treme são carne para canhão  
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terça-feira, maio 17, 2005

Um problema grave dos nossos colegas

Parece que saiu uma nova lei (já há alguns meses) que diz que os estrangeiros (incluindo e aplicando-se especialmente aos estudantes dos PALOPs) que estão cá em Portugal com visto de estudante, quando acabarem a licenciatura têm que regressar ao seu país de origem, já que não é renovado o visto e não podem trabalhar.

Se eu pessoalmente concordo que os cidadão dos PALOPs que conseguiram entrar em faculdades portuguesas por vagas especificas para os PALOPs devam depois exercer a sua profissão no seu país de origem, parece-me claro que a lei deveria ser adaptada. Isto porque no caso da Medicina (e de outros cursos que tb precisam de fazer estágios pagos após a licenciatura) o curso dá uma formação muito básica e só com o antigo Internato Geral é que passam a ser autónomos (e ganham alguma experiência prática) e só com um especialização é que depois poderão ser especialmente úteis no seu país de origem. É uma situação dramática de alguns colegas nossos que depois de fazerem o curso cá em Portugal se vêm obrigados a voltar para o seu país de origem sem a formação prática e “especializada” que contavam tirar e que lhes será impossível obter no seu país.
Espero que a situação se resolva.

Comentários:

Conheço mts casos em que vão ficando, ficando, ficando.... E lembrar que mts vêm com bolsas do país de origem.
Sinceramente acho que se é para voltar, deve ser logo a seguir ao curso. Achas q se um médico tirar uma especialidade que dura 5 ou 6 anos - o q juntando ao curso dá pelo menos 12 anos, alguma vez vai voltar? um em 100, apostaria eu!  

PS regressavam ao país de origem após o curso... e se fosse para fazer especialidade, voltavam cá 5 ou 6 anos depois.  

Concordo plenamente com esta nova medida... Os PALOPs entram na faculdade com médias muito mais baixas que os portugueses. Esta enorme regalia enquadra-se no auxílio que Portugal dá à formação de médicos para trabalhar nos países de origem (sem condições para formar profissionais de saúde). Se os estudantes dos PALOPs exercerem Medicina em Portugal o espírito da lei é totalmente adulterado e deixam de fazer sentido as regalias que possuiram no acesso ao Ensino Superior. Se querem ter o mesmo direito dos cidadãos portugueses devem sujeitar-se às mesmas regras desde o acesso à Universidade. Um português não pode ser prejudicado, em relação aos PALOPs apenas porque nasceu em Portugal, situação que ocorria até a lei ser publicada...  

Embora o chamado "brain drain" dos profissionais de saúde africanos seja um dos desafios principais na luta contra a sida neste continente, acho conveniente os PALOPs terminem primeiro a especialização em Portugal antes de regressarem ao país de origem.  

O Internato Geral não servia para nada, a nõa ser uma bolsa de estudos. Ainda bem que acabou!  
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quinta-feira, maio 12, 2005

Destroços de um sonho traído

Este pequeno excerto de um conto de Fernando Namora, inscrito nos "Retalhos da Vida de Um Médico", é dedicado a todos os meus amigos IG's em vias de extinção:
[...]
Depois, cada um de nós, já médicos, seguiu o seu caminho. Os fios que nos tinham apertado num mesmo novelo de fraternidade iam-se deslaçando, descosendo. Entrávamos no redemoinho da vida. As armas, agora, eram tremendamente individuais. Quando se encontrava, a maioria das vezes por acaso, um antigo companheiro, no seu rosto deformado por novos interesses, por novos ambientes, debalde tentávamos recuperar as feições que nos diziam respeito. A vida, por outro lado, não perdera tempo a fazer a sua escoha: erguera uns ao galarim de vencedores, afinara-lhes a gula e o faro por certos privilégios de casta, enquanto deixara cair os outros na vala comum da mediocridade, onde a luta se reduzia ao pobre instinto de sobrevivência. O tempo não parava e na sua marcha, era um cilindro a triturar-nos a espontaneidade confiada e generosa dos anos da Faculdade. Em vão nos esforçávamos por sustê-lo, por recuar. Quantos de nós saberiam ainda fazer um apelo ao convívio saudável desses anos, quantos se amarguravam ainda de que a outra face da vida fosse tão degenerada? A competição em alarme, a ânsia de chegar depressa, o contágio dos que nos impunham sujas regras do jogo vestiam-nos de desconfiança. Éramos, quase todos, destroços de um sonho traído.
De um modo geral, na corrida para o triunfo, partiam à frente os que iam ocupar situções já apadrinhadas, os ricos, os de famílias influentes; na sua esteira ou, quando calhava, ultrapassando-os alguns que, entre os mais dotados, sabiam desbravar, com fulgor e pertinácia, a selva das oportunidades. Havia surpresas: nem sempre os que os mestres tinham distinguido confirmavam, na vida prática, a vocação. Por detrás de cada profissional estava o homem. E, neles, era o homem que falhara.[...]

Tirem um pouco os olhos do Harrison's e reflictam... a vida dos nossos doentes está nas nossas mãos. E não deixem que seja o homem a falhar...

Comentários:

Até parece que o F Namora é interno, ou, quem disse ques esta geração isto e aqule aquilo?  

Já li há anos este livro.
Este pedaço de texto de facto, só pode sensibilzar, quem já passou por todas as etapas, ou tomou conhecimento, ao longo da vida, de coisas mais ou menos importantes que aconteceram a médicos nossos amigos ou conhecidos.
Não percebi o comentário do jocapoga, também com um nome daqueles, parece evocar, a pressa de viver, ou comentar, digo-o sem ofensa...
Há um pensamento do Prof Lobo Antunes, que diz, que o melhor aliado do médico, deve ser, " o medo de falhar..."; ou seja "Semper Paratus".  

Este pequeno texto do FN continua actual. Eu, que já tenho alguns anos disto, sei do que ele fala.
Frequentemente, não posso deixar de sorrir um pouco quando leio este e outros blogs de jovens internos. Sorrio de quê?... não sei, se calhar de mim mesmo.  

Nem sei bem porque vim comentar, pois não sou médica, nem li o livro, e talvez nem entenda aquilo que aqui se fala, pois eu sou apenas uma sonhadora, que sempre desejou seguir esta mesma carreira... São aqueles sonhos que vêm connosco desde crianças, e que nos fazem lutar para os realizar... Contudo, ao ler este excerto, vi-me um pouco naquelas palavras... Também eu me vejo agora a ficar para trás, a ver todos os outros passarem por mim, a seguirem o caminho do (meu) sonho... Tudo porque não fui "abençoada" com aquilo que apenas interessa: os números, as médias... Talvez exista apenas apenas a vocação de que o texto fala, mas não tenho a oportunidade para me certificar se essa vocação existe ou não...
Como médico, qual a cura para este sonho que, de repende, se tornou num pesadelo?

(apenas um desabafo... obrigada... acredito que os médicos também têm de ouvir muitos...)  
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Acto médico

Este post vem a propósito de ter recebido em casa o material necessário para votar para um referendo organizado pela Secção Norte da OM em que a definição de acto médico basicamente abrange tudo desde avaliação, diagnóstico, referenciação e tratamento de tudo relacionado com a saúde (excluem só a parte dentária).
Para além das minhas reservas relativamente a este tipo de consulta, sinceramente não tenho uma opinião muito bem formada sobre este assunto e desde já digo que tenho muita dificuldade de elaborar a minha definição de acto médico (recomendo a quem puder a reunião no dia 23 na SRNOM). Parece-me importante que alguns actos estejam definidos apenas para médicos mas parece-me que a Ordem, nomeadamente esta secção, está a ser mais uma vez bastante coorporativista alargando muito a definição do acto médico. Será que é justo que nalgumas situações outros profissionais da saúde (fisioterapeutas, podologistas, técnicos de cardiologia, técnicos de análises, psicólogos, ...) continuem a fazer o trabalho e o médico depois a assinar? Será importante que seja o médico a fazer as gasimetrias? E já agora, porque é que os veterinários não podem receitar?

Comentários:

Confesso que também não tenho informação suficiente para emitir uma opinião devidamente informada sobre o facto de alguns gestos serem ou não acto médico. Mas quanto ao facto da SRNOM ser mais uma vez corporativista, e ressalvando o facto de os erros dos outros não deverem servir de (mau) exemplo, partilho que há uns anos a Associação de Estudantes da FMUP tentou organizar um curso de técnicas de enfermagem (coisas simples do tipo fazer camas com doente deitado, punção venosa, ou seja coisas muito simples e práticas)o qual não avançou porque deu uma celeuma que nem imaginam....
Relembro que, por exemplo na alemanhã o pessoal de enfermagem não faz sequer punções venosas (a meu ver um exagero).
Quanto ao facto da prescrição pelos veterinários, caro amigo, a resposta parece-me lógica, é que nos doentes humanos, quando a coisa corre mal não se vai mandar abater (os Srs. veterinários que não levem a mal a brincadeira)  

Isso é tudo treta corporativista e comercial, mera protecção de interesses de classe.
Desde há muito, e cada vez mais no futuro, é necessário "libertar" pseudo-actos médicos para outras classes profissionais de saúde.
Mas isso custa muito... em aceitar q outros façam tão bem como nós... e custa dinheiro, claro!  

Já agora, também acho que com 5 anos de estudo qualquer um podia ser engenheiro civil e projectar casas. A questão é esta, porque carga de água é que andam sempre a pegar com as coisas que os médicos fazem???? Se todos (pelo menos na área da saúde) fizerem o mesmo que os médicos deixa de haver lógica na existência de outras profissões porque passa a haver só a profissão médica. É o eterno mal de neste país todos acharem que têm que ser doutores e de não assumirem com orgulho as profissões que escolheram (ou não) ter. Se de facto cada um se dedicasse à profissão em que está teríamos as coisas a funcionar bem melhor. Por um lado porque os médicos não teriam medo de ver um enfermeiro com um estetoscópio na mão e por outro porque se o enfermeiro tivesse um na mão saberia o que fazer com ele (e nada de retirar segundos sentidos desta frase)  

Eih?Os Veterinários sempre poderam receitar.  
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terça-feira, maio 10, 2005

Estava com saudades vossas...

...e continuo sem muito tempo/assunto para escrever!

À falta de melhor, segue aqui uma sugestão de leitura de um texto que gostaria de ter sido eu a escrever (caso tivesse tempo, engenho e arte!!!). É do jcd no "Jaquinzinhos" e retrata bem o que se passa neste "novo país socialista"!

...conversas ouvidas nos corredores da AR...
- Não vai nem mais um tostão para o Centro Materno Infantil do Norte!
- Bem, o Sr. Ministro não queria dizer isso. Temos é que repensar o processo!
- O que eu disse é que temos que voltar a analisar o processo, para verificar que vale a pena continuar com o projecto!

- Vamos construir de imediato 10 novos hospitais.
- Não... Vamos só construir 5, porque os outros não se justificam.
- O que o Sr. Ministro queria dizer é que temos que repensar o processo!
- Pronto, afinal vamos construir 4 novos hospitais. A começar até 2009. E ainda temos que fazer estudos técnicos que justifiquem a sua construção!
- Alto lá que os estudos já existem e foram deixados por quem aí esteve antes!
- Ah... pois... Desculpe lá... Mas... não há estudos que estabeleçam as prioridades!

Tanta trapalhada. Tantos esclarecimentos... e apenas num ministério! Já para não falar das trapalhadas dos esclarecimentos das obras públicas, das finanças, da educação, do ensino superior, das "visitas-de-estado-para-fazer-campanha-pelo-guterres"... enfim... elegeram-nos, agora aturem-nos!!!

Juntando isto ao malfadado exame de acesso à especialidade que tenho para fazer, à forma como nos preparamos para ele, à "palhaçada" que é este processo e aos "atropelos" que vejo, só me apetece dizer como o Mourinho... "Presidente, no final da época deixe-me ir embora... deixe-me ir embora!"