segunda-feira, janeiro 31, 2005

Aponte aqui o que está mal com a minha coluna

Entra a D. Custódia na consulta e após algumas frases iniciais lá vem a pergunta sacra:
- Então, em que é que lhe podemos ajudar?
Seguida pela resposta não menos sacra:
- Ó Sr. Doutoore. Vinha cá mostra as minhas análises. Na altura doía-me bastante a coluna.
Estávamos nós (eu e o colega de MGF) a olhar para o RX da coluna quando a doente "saca" de outro papel e pede:
- Podiam-me apontar aqui o que está mal com, a minha coluna?
Olhei para o papel e era uma fotocópia de uma imagem do esqueleto humano que tinha o número das vértebras. A Srª confessou:
- Eu já li o relatório do RX mas não percebi patavina. Mas depois fui procurar e encontrei este esquema. Pelo menos já percebi algumas letras com números que aí aparecem.
Após a observação do RX e posterior confirmação com o relatório chegámos à conclusão que não havia nenhuma alteração óssea que justificasse as dores da Srª (que entretanto tinham passado com um analgésico). No entanto o relatório referia para além de uma osteopenia marcada (diminuição da densidade dos ossos que a partir de determinado nível se chama osteoporose e que propicia ao desenvolvimento de fracturas ósseas) algumas alterações minor, sem relevância clínica em várias vértebras, que tanto tinham intrigado a doente.
Depois de convenientemente esclarecida lá foi para casa medicada com Alendronato (medicamento para prevenir o agravamento da osteopenia) já que também trazia uma densitometria que confirmava os resultados do RX.


Comentários:

Temos uma estudiosa! ;) Porque não se candidata ela a medicina? Gostaria de a praxar! :P  

Gostei... uma pessoa que quando não sabe pergunta! E ainda por cima, quer saber mais.  
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O Povo do Iraque agradece

O Povo do Iraque agradece encarecidamente as gentis palavras de felicitação do Primeiro-Ministro-de-Gestão-Demissionário-de-Portugal, escutadas atentamente por todo o Iraque, através da RTP Internacional e da SIC Internacional.

Comentários:

Sou um sumita e fiquei hoje com os olhos marejados de lágrimas ao ouvir o Dr. Santana Lopes na televisão.

Muito obrigado e que Alá te proteja Santana,

Hassan Al-Zarkaui  

Mas que a votação significativa dos iraquianos, mesmo com a ameaça terrorista foi uma bofetada de luva branca para todos os que queriam que tudo continuasse na mesma, lá isso foi... Tivessem todos essa coragem!  
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Foi lindo!!! (versão 3.1)

Sp. Braga vence no Dragão e assume liderança da SuperLiga

Surpreendente ou talvez não! o Sporting de Braga aplicou esta noite a terceira derrota «caseira» ao FC Porto na presente edição da SuperLiga, assumindo, ainda que à condição, a liderança da prova.
Manda a verdade do jogo dizer que só aqueles que não assistiram à partida desta noite podem ficar surpreendidos, pois o Sporting de Braga apresentou-se sempre melhor do que o FC Porto, muito intranquilo, sem ideias e, sem dúvida, muito longe daquilo que nos habitou ao longo dos últimos anos.
Mas deve realçar-se (e muito!) o trabalho desempenhado pelos bracarenses, que ainda não perderam frente aos chamados «grandes» na presente edição da SuperLiga e, esta noite, deram excelente demonstração de... colectivo.
(...) a exibição protagonizada no seu todo leva a que a vitória seja inteiramente justa, até porque contrastou completamente com o autêntico «deserto» do FC Porto, que o melhor que conseguiu foi marcar de «penalty» por intermédio de Diego.
Já com a partida completamente resolvida, e com os bracarenses sempre mais perto de alcançarem o quarto golo do que os portistas de reduzir, de realçar ainda o cartão vermelho directo a Maniche, que, regressado à competição após cerca de mês e meio de ausência, talvez exemplifique bem o estado dos «dragões», que não se livraram de monumental assobiadela e... de lenços brancos, certamente dirigidos ao técnico Victor Fernandez.

in, A Bola online, 30.Jan.2004

Comentários:

Parabéns ao Braga. Será que este ano o vencedor do campeonato não vai ser um dos 3 grandes?  

Parabéns ao líder... deu uma lição de eficácia e humildade ao Campeão do Mundo. Por vezes eles esquecem-se que para se ser Campeão, não basta puxar dos galões, é preciso trabalhar mais do que os outros.

Já agora, se o campeão não for o glorioso FCP, ao menos que seja o SC Braga...  

Obrigado amigos.
Até estou comovido.
Snif.  

Ainda não me manifestei sobre este assunto... Aqui vai:
BRAAAAAAAAGGGGAAAAA!  
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domingo, janeiro 30, 2005

Pregador Dominical III

Aqui vão mais uns escolhidos a dedo:

Este para relançar a questão palestiniana. Como outros que tenho "publicado" não concordo com tudo.

Sobre o ateísmo. Para incendiar algumas paixões. Neste tb segui um link para isto.

Estações de Metro de Moscovo. Que lindo! Descobri aqui.

A ajuda espanhola para as vitimas. Um post que me abriu um pouco mais os olhos para o nível dos truques a que se recorre hoje em dia.

Um texto sobre o bloco central.

Eu tb já estou farto dos astrólogos/mediuns/espiritas/etc... É incrivel no que o povo acredita.

Até à próxima


Fui este Domingo ao parque da cidade e vim de lá cheio de vida.

Conhecem o Stephen Hawking?

É conhecido que este brilhante físico, uma das mentes mais extraordinárias do século XX, sofre de uma doença que ataca o sistema nervoso: a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). A ELA é uma doença degenerativa crónica, em que os neurónios motores (aqueles responsáveis pelo movimento) são afectados e vão progressivamente deixando de funcionar. Normalmente atinge pessoas de meia-idade (sendo extraordinária a apresentação na juventude como no caso do Stephen Hawking) e inicia-se por debilidade e fadiga das extremidades e vai progredindo até atingir a musculatura do pescoço, cabeça e respiratória. Os doentes começam por sentir dificuldades na locomoção, na escrita, na manutenção da posição erecta (ortostatismo), evoluindo depois para dificuldade em engolir (disfagia) e terminando com a incapacidade de respirar por atrofia do diafragma e dos músculos da respiração. Facto muito característico e aterrador é o facto de manterem a consciência e o intelecto perfeitamente activos e funcionais. É por este motivo que o célebre físico, se mantém como um dos cientistas mais brilhantes na sua área, apesar da sua incapacidade para andar, falar ou mesmo respirar sem ajuda de "máquinas".

Também eu já tive oportundidade de conviver de perto com uma pessoa que tinha esta doença e assistia gradualmente, de forma perfeitamente lúcida ao definhar do seu corpo. Chamava-se Rosa, tinha 54 anos e estava internada numa enfermaria de Cirurgia, para efectuar uma gastrostomia (ligação directa do exterior ao estômago) em virtude da sua disfagia. Tinha uns olhos atentos e vivos e um sorriso resignado à sua situação. Não conseguia falar. Comunicava com o mundo (e com o seu marido extremoso), pela escrita - com a mão esquerda que tinha aprendido a utilizar, quando deixou de conseguir mexer a direita. A sua companhia era um bloco de notas e uma caneta, onde escrevia todos os seus recados (pedidos ao marido para trazer uma camisa de noite, pedidos de água aos enfermeiros ou respostas às minhas perguntas). Deslocava-se de um lado para o outro de cadeira de rodas, pacientemente empurrada pelo marido e aguardava que lhe fornecessem uma cadeira de rodas eléctrica e um computador que lhe emulasse a voz - ansiava por um pouco mais de liberdade.
Passava os seus dias a escrever e a ler, actividades que se apresentavam como um desafio, pelo simples facto de ser difícil segurar num livro aberto.

Esteve internada apenas 3 dias. O suficiente para sair do hospital mais animada, visto que já se poderia alimentar. E deu a todos uma lição de sobrevivência; de superação das adversidades. Para esta mulher, para quem o mais pequeno gesto era uma tarefa sobre-humana, condenada a ver o seu corpo abandoná-la progressivamente enquanto se apercebia de tudo, o mais importante era encarar a vida e o futuro de frente, sempre com um "brilhozinho nos olhos".

Na luta contra estas doenças do corpo, que sadicamente preservam o espírito, resta-nos aprender com o exemplo dos que não desistem de lutar: do Stephen Hawking, da D. Rosa e de tantas outros anónimos...

Comentários:

Olá^^
Estava pesquisando sobre Stephen Hawking e achei esse texto. Achei muito interessante e bonito. A perseverança de algumas pessoas que têm esse tipo de doença é admirálvel.
Muito bom o texto!  

Pois é,um grande físico,com uma certa deficiência física... me orgulho dele e o respeito profundamente!  

Meu pai tem Esclerose múltipla, a direrença dele para o Stephen é que ainda fala e respira. O último ano foi terrível, este ano tem sido horrível para ele e toda nossa família. Ano passado ele deixou de se alimentar pela boca, uma morte para ele já que era um dos únicos prazeres que tinha. Agora luta para engolir a saliva, é terrível! Ele se engasga e tem que ser aspirado. As infecções pulmonares e urinárias são frequentes e os médicos somente o codenam a morte. Os médicos tem pena e querem que ele morra. Ele não quer morrer, quer melhorar, estabilizar e levar sua vidinha imóvel, assistir ao por do sol, ouvir música, um jogo de futebol, estar com a mulher e com os filhos.
Os médicos acham que a vida é para as pessoas que andam e comem pela boca e não entendem que as pessoas se adptam pra viver do jeito que podem. O importante é que meu pai como Stephen Hawking que viver. Sofrendo mas vivendo, lutando...senhores médicos pensem em melhorar a vida deles. Altas doses de Vitamina B pode ser bom, pesquisem, pesquisem, observem, pensem e não apenas declare que eles vão morrer.  
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Já parece a política portuguesa...


República da Irlanda - Maio 2004 Posted by Hello

Aqui apenas um exemplo da sinalização das estradas irlandesas, em pleno Burren irlandês, perto das Ailwee Caves. Nesta região, o afloramento de grandes blocos de calcário à superfície, cria uma paisagem única, com um terreno de rocha "gretada", aqui e ali invadida por pequenos arbustos e flores...
De facto, mais confuso do que isto, só mesmo a política portuguesa...

sábado, janeiro 29, 2005

Convulsões febris

Foram já várias, as mães que vi entrar desesperadas pelo SU. Que achavam que os filhos iam morrer. Reviravam os olhos, espumavam pela boca, ficavam ausentes com o olhar distante e convulsivavam.
E vinha o pânico. O medo do desconhecido, do que estava a acontecer. Normalmente estavam já numa situação de ansiedade porque os seus filhos estavam doentes. Tinham febre, alguns por amigdalite ou otites, outros simplesmente com uma virose. E corriam para o SU, em pranto, com as crianças nos braços. Entretanto a criança ia recuperando lentamente e ao chegar ao SU estavam invariavelmente bem-dispostas. Pareciam como que alheadas a tudo o que tinha acontecido.
Mas os olhos marejados em lágrimas das mães, ou os gritos de desespero não escondiam que algo de "grave" tinha acontecido - uma convulsão febril.

Habitualmente as convulsões febris surgem numa percentagem pequena mas importante de crianças (~5%) entre os 6 meses de idade e os 3 anos. Surgem após a febre, não necessariamente com febres elevadas e habitualmente nos primeiros dias de "doença". Normalmente ocorrem apenas 1 vez e não trazem complicações para o desenvolvimento da criança. Mas, além de ter de ser avaliada por um médico (preferencialmente um pediatra), a patir de então a febre na criança tem de ser atentamente vigiada e controlada.

Mas porquê tudo isto... Simplesmente para sossegar algumas mães ou alguns pais que possam estar a ler isto... Se têm um filho entre os 6 meses e os 3 anos, estejam alerta para que isto possa acontecer. Caso o vosso filho ou filha esteja com febre e tenha uma "convulsão febril", tentem dirigir-se ao SU mais próximo, o mais calmamente possível.
E acima de tudo... tentem não "panicar" como diria uma amiga minha...

Comentários:

Isto sim, é serviço público! ;)  

Excelente post. Bastante didático. Devo dizer no entanto que é mais falar falar do que fazer. Eu tb vi casos de convulsões febris. Infelizmente uma delas foi complexa, tendo apenas cedido após 3 Diazempam(s) rectais ao fim de cerca 30 minutos só no SU. Mas lembro-me que nesse caso uma das enfermeiras que prestou cuidados me disse que o seu filho tinha tido uma convulsão há cerca de 1 ano e que ela ficou num verdadeiro pânico. Apesar de já ter prestado assitência a várias crianças na mesma situação, confidenciou-me que não conseguia fazer nada certo e que os colegas tiveram que a afastar para puderem trabalhar. Não sei o que é ver um filho meu a "estrebuchar" (com contracções) e a revirar os olhos. Espero nunca saber.  
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A melhor da noite...

Entre um atendimento de urgência e outro... aproveito para contar a melhor da noite no SU (até agora...)

- Então mãe, diga lá quantas vezes a criança teve diarreia.
- Bem doutor, ela cagou uma vez... depois borrar-se toda, foi 3 ou 4 vezes.

Resta dizer que não teve paciência para esperar pelo resultado dos exames e foi-se embora...

Comentários:

E passaste tu a noite acordado para ouvires coisas dessas... Realmente só a médicos e a professores é que saem destes duques!!!
Pelo menos ajuda a passar o tempo e deve dar para tu te rires um bocado no meio de tanta desgraça que deves encontrar.

Anita  

3 da manhã algures no ano de 1978- diz o enfermeiro: Sr Dr está ali um senhor com prurido na cabeça. Após a devida observação, diz o médico: Sr Enf. rape o cabelo e pinte com tintura de iodo.
Efeitos / benefícios - não foi utilizado um genérico, mas também não foi preciso ir ao laboratório, nem à ressonância; - a doença desapareceu de vez.  

Esta do só a médicos e professores é que foi a melhor do dia... Oxalá menina Ana, nunca precise de um internamentozinho mesmo que breve, que depois nessa altura, vai verificar quantos médicos e quantos professores lhe vão levar a arrastadeira, quando a menina precisar de cagar na cama ;-)  
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A propósito de Genéricos e prescrições

Neste período em que se fala tanto de justificação de prescrições, tipo de prescrições, qualidade dos fármacos, peso que há várias questões em relação às quais nos devemos preocupar e em relação às quais devemos tentar informar-nos minimamente antes de fazermos determinado tipo de juízos.

Começando pela justificação da prescrição de não genéricos, penso que, a seguir ao direito de substituição pelos farmacêuticos foi das propostas mais hilariantes que ouvi nos últimos tempos. É perfeitamente compreensível que se tente poupar em determinadas áreas, nomeadamente com a quantidade de dinheiro absurda que o estado gasta em comparticipações, mas sem partir do princípio, como por vezes certas pessoas parecem fazer, que os médicos se estão perfeitamente a borrifar para o assunto. Ter que justificar a alguém de fora a razão pela qual se prescreve o medicamento X e não o Y é quase como ter que mandar uma carta ao SR. Ministro a explicar porque é que se optou pela técnica cirúrgica A e não pela B...... haja dó. Quase que dá vontade de dizer que se quer saber porquê que tivesse tirado o curso de medicina. Noutro dia alguém comentava que, no seu exercício de medicina privada, e depois de decidir que determinado doente precisava de mais um dia de internamento, alguém da companhia de seguros que ia pagar a intervenção ligou a perguntar porquê... acontece que esse alguém era um enfermeiro contratado para fazer esse tipo de perguntas ao telefone. Ao menos colocassem alguém com capacidade técnica e cientifica para poder depois avaliar se essa decisão se justificaria ou não.... Duvido que o ministério coloque médicos a avaliar a prescrição dos colegas, uma vez que na minha opinião nenhum médico deverá avaliar a prescrição de um colega sem conhecer detalhadamente o doente a quem a mesma se destinou. Mais ainda, se por um acaso esse outro colega pretendesse saber essa informação para os fins em causa estaríamos certamente perante uma situação de intenção de quebra de sigilo médico.....
A questão de prescrição dos genéricos e da sua falta de efeito é dúbia. Daí o médico, e mediante a sua experiência clínica, poder optar pelo genérico ou não e, mais ainda, poder optar pela marca A e não pela B de genéricos, isto porque pelo estudo que faz dos resultados nos seus doentes pode ter a percepção que estes reagem melhor a um do que a outro.... Agora não pode é dar um em detrimento de outro só porque tem um stock maior de um deles porque até conseguiu fazer um acordo simpático como distribuidor. Se calhar é por isso que os médicos não podem ter farmácias.... eh pah, se calhar é. Se calhar é porque o loby das farmácias é forte nesse sentido, eh pah, se calhar é.....não sei.
Alguém, num dos comentários falava do caso da furosemida. É certo que as bio equivalências entre genéricos e os outros tem que ser idêntica (não igual), sendo permitidas variações (note-se que mesmo para medicamentos de marca com o mesmo principio activo essas variações existem e é natural que assim seja). No caso da furosemida é fácil ver se o medicamento funciona bem ou não: ou o doente urina em determinada quantidade ou não urina... contra factos não há argumentos. Em conversa com um responsável de uma empresa de genéricos, foi-me dito que é naturalmente uma questão que preocupa a industria. A dúvida reside no facto de ser Portugal o UNICO país em que há tais queixas... A dúvida reside em saber de que laboratório de genéricos é que a furosemida que funciona menos bem é (se é que é só de um), pura e simplesmente ainda não se sabe. Em conversa também com um responsável de um instituto que vigia este tipo de coisas foi-me também dito que a bio equivalência está dentro dos parâmetros para todos os que estão no mercado, podendo a menor eficácia ser devida (e repare-se no nível em que a discussão já vai) a diferenças na disposição dos electrões de certas moléculas... ou então cá na terra temos uns nefrónios diferentes dos outros. Facto - há furosemidas, não se sabe quais, com menor efeito.
Para terminar: relativamente ao incentivo à prescrição de genéricos. Mesmo os países que têm maior percentagem de genéricos prescritos, têm-nos em percentagens próximas dos 50%, logo, continua a haver, seja por não haver alternativa genérica, seja por opção clínica do médico, a haver uma percentagem muito significativa de prescrição de medicamentos de marca. Em Portugal deve haver uma credibilização, principalmente junto das gerações mais velhas de médicos, da qualidade dos genéricos, sendo disponibilizados em larga escala os resultados e métodos de avaliação dos medicamentos e havendo mentalidade aberta para compreender que, por melhor que os genéricos sejam, o médico, em acordo com o doente (que é a parte interessada no meio disto tudo) pode optar por prescrever um de marca, não esquecendo que o médico deve basear a sua prescrição em critérios clínicos CIENTIFICOS e aí é que reside o cerne da questão. Não consigo conceber que se prescreva o fármaco A só porque alguém disse que era bom, mas sim porque o médico tem evidência científica que assim é.

Comentários:

concordo com os genéricos! não tenho "medo" de os tomar, mas com o devido apoio do meu médico assistente!
chegar à farmacia e pedir "aspirina genérica", não me custa, se a dor de cabeça não piorar já é bom sinal, se passar tanto melhor.  

Há uma coisa que ninguém duvida, o estado gasta balurdios com a Saúde. A guerra dos genéricos é acima de tudo uma questão política... O lobby farmacêutico tornou-se tão forte (muito à custa das dívidas astronómicas do estado às farmácias)que não há ninguém nesta ou em outras campanhas eleitorais que se lembre de defender que uma boa forma de poupar dinheiro com os medicamentos seria dimiuir a percentagem de lucro das farmácias (são luxos de uns comportados por todos nós), liberalizar a abertura das farmácias de forma a aumentar a concorrência. Já nem dou o exemplo dos verdadeiros países desenvolvidos (como a Suécia) em que as farmácias pertencem ao estado e são um serviço de saúde como os outros.
O que é pena é que cada vez mais se compactue com esta situação e muito boa gente vá ao "doutor da farmácia" queixar-se de dor de garganta e leva p casa o antibiótico de marca mais caro do mercado (quase sempre um de 2º ou 3ª linha) e depois vão ao médico pedir a receitinha p terem os respectivos descontos! Nestes casos alguma CULPA É DO MÉDICO por não educar os seus doentes (mas todos sabemos como é, lá vão dizendo olhe que para a próxima não passo, antibióticos são só para usar quando não é preciso, mas acabam muitas vezes por ceder). Mas a atitude dos farmacêuticos (ou dos técnicos que estão ao balcão) é crime: já todos vimos ou ouvimos estas histórias, mas já alguém viu alguém ser punido por isso? mas é vê-los todos a defender o valor da prescição médica quando se fala em vender "Ben-U-ron" ou "aspirina" nos Hipermercados..
"Ai!Ai!É a vida!"
CrisVSousa  

Bemvindo Preze!!!

Quanto aos genéricos, é óbvio que ninguém é inocente. Temos todos sido coniventes para deixar chegar as coisas ao estado em que chegaram.
O estudo publicado há dias sobre a comparticipação de medicamentos "á posteriori", que classifiquei aqui como escandaloso, é-o nas condições sociais que temos. Porque se garantíssemos a possibilidade de todas as pessoas terem dinheiro para comprar os medicamentos, se calhar era a melhor forma de libertar o estado do lobbie das farmácias, porque o cliente passava a ser mesmo o doente e não o estado.
E olha que o exemplo da Suécia é um bom exemplo, a toma de medicamentos também é um acto de saúde, e como tal deveria estar incluída no SNS a sua distribuição.  

As farmácias portuguesas recolheram em 2004 cerca de 150 toneladas de medicamentos e embalagens no âmbito do programa «Valormed», estimando-se que cerca de 750 toneladas estejam em parte incerta, 500 delas provavelmente no lixo. Segundo fonte da Associação Nacional de Farmácias (ANF), citada esta sexta-feira pelo Correio da Manhã, o que foi recolhido em 2004 é menos de um quinto do total de medicamentos deitados fora. A ANF considera ser impossível acabar com o desperdício, mas apela à consciencialização das pessoas e defende o redobrar do cuidado de alguns médicos ao nível da prescrição para atenuar esta situação. Por sua vez, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, os medicamentos são lançados ao lixo porque as pessoas não tomam a medicação até ao fim e devido à sobredimensão das embalagens. Na sua opinião, o primeiro problema só se resolve com o intensificar das campanhas de sensibilização e o segundo tem que ser debatido pelo Governo, com a indústria e a ANF. Além de nocivo para o ambiente, deitar medicamentos para o lixo pode ter repercussões na saúde, nomeadamente no caso dos antibióticos, com as bactérias a adquirirem imunidade aos efeitos deste fármaco. in Correio da Manhã 07-01-2005

Gostava de compartilhar convosco a seguinte reflexão:
Façamos as seguintes contas
1 - Se o peso médio de 1 embalagem for 250gr (por excesso);
Se o custo médio de uma embalagem for 4.000 $ 00 (escudos) (por defeito)
Os 150.000 kg entregues nas farmácias correspondem a 480.000.000€ (euros)
Os 750.000 kg eventualmente deitados ao lixo correspondem a 2.400.000.000 €
2 – se a média de gastos, por parte do SNS, em comparticipações for de 234.000.000€ / mês
Então o deitado fora daria para pagar 10 meses de comparticipação
3- e ainda há neste país quem não tenha dinheiro para comprar os medicamentos receitados !
4- e continua a não chegar o orçamento do SNS !  

Concordo plenamente com aquilo que aqui foi dito... Não se pode retirar ao médico aquilo que ele tanto se esforçou durante mais de 6 anos por adquirir. O conhecimento científico e as suas consequências ao nível da saúde não é algo que se compadeça com argumentos exclusivamente económicos.  

Um pouco deste assunto já está discutido no post Revista de Imprensa III (onde se discute o caso da furosemida).
Eu (como já poderão saber) tenho algumas divergências e comentários complementares com o que aqui foi dito:
- não é um facto que há furosemidas com menor efeito (onde está a evidência científica que depois tanto reclamas). Segundo a evidência científica os genéricos são iguais aos outros.(ponto) O grau de evidência é muito superior à eventual "experiência clínica" do médico e deve imperar.
- os genéricos são mais baratos logo é uma obrigação ética receita-los para: poupar dinheiro aos contribuintes e a quem compra os medicamentos (a maioria idosos com pequenos rendimentos) e aumentar a adesão terapêutica (há muitos doentes que não chegam a compra a medicação ou não tomam as doses todas por falta de $)
- há 2 situações nais quais os genéricos não conseguem competir e por isso cotas de mercado de 50% é muito bom: quando não há genéricos para os medicamentos em causa (já referida) e quando o doente já debilitado se habituou a um medicamento de marca e iria criar grande destabilização modificá-lo.
- a justificação da não prescrição do genérico na receita seria mais um passo burocrático para evitar que os médicos os não receitassem. É ignóbil. A avaliação e correspondente responsabilização do médico pelo incumprimento dos deveres éticos de forma deliberada sem justificação => necessária.

CistVSousa: concordo contigo em diminuir as taxas de lucro das farmácias (cerca de 4%) e liberalizar o sector (nunca torná-lo do estado) e na denúncia da prescrição pelo farmacêutico de antibióticos (pelo menos não passar a receita após). Pequena correcção: o estado não deve nada às farmácias. O actual ministério da saúde contraiu uma dívida na banca para lhes poder pagar (agora deve apenas à banca).  

Apenas umas coisas, que se faz tarde:
- Hilariante é o senhor não saber o que significa o conceito "direito de substituição". Devia informar-se minimamente antes de aqui escrever...
- Os Farmacêuticos não são nenhum loby forte, quanto muito um lobby forte, embora eu prefira dizer uma classe bem organizada e eficiente (o que me parece positivo).
- Que evidências ciêntificas tem, por exemplo, para preferir a sinvastatina da Labesfal à da Alter ou a outra qualquer? Ajude-me que eu não tenho esses dados. Diga-me, por favor, onde vai buscar essas evidências, que estudos são esses. Serão secretos, só para almas iluminadas? Ou são evidências só suas, resultado de aturados estudos, seus, só seus, com cálculos farmacocinéticos exclusivos, monitorização sérica de fármacos, um cromatógrafo e tudo mais no seu consultório?  

Caros CistSousa e Francisco, o que é que têm vocês a ver com as margens das Farmácias, a propriedade das Farmácias e outros quejandos. Diminuir 4%? Porque não 4,127% ou 12,17865%? Juízo. Preocupem-se com as Vossas profissões. Afinal a Farmácia em Portugal é eficaz e eficiente - o que é raro por cá. Se falam na qualidade se simples cidadãos, porque não exigem, simplesmente, que os medicamentos desçam de preço?

Quanto aos antibióticos julgo que os Farmacêuticos deviam ser severamente punidos. Assim como os médicos que os prescrevem sem ver o doente, por exemplo por telefone. São muitos, incluindo pediatras!  

Quem escreve sistematicamente "bio equivalência" quando se quer referir à bioequivalência de um determinado fármaco mostra bem quantos livros já leu sobre o assunto... e se este facto só não fosse por si só suficiente para atestar a competência técnica de quem escreveu este texto, o conteúdo do mesmo é arrasador e constitui uma autêntica confissão: gostei especialmente dos critérios de avaliação da biodisponibilidade da furosemida, com conclusões imediatas em relação à bioequivalência das diversas formas farmacêuticas existentes no mercado! O argumento da falta de critérios clínicos "científicos" é também uma delícia e as referências às margens de lucro das farmácias e à eventual liberalização desse mercado como soluções para todos os males são de facto a cereja em cima do bolo!!!
Sinceramente este texto, para além dos erros ortográficos e da arrogência ignorante com que dispara chavões técnicos dos quais o autor prova a seguir nem sequer conhecer o significado, para pouco mais serve que uma boa gargalhada pós-prandial... e, já agora, para divulgar pelos amigos!!!

PS - A margem de lucro das farmácias portuguesas é das mais baixas da Europa. E os genéricos, sendo mais baratos que os seus congéneres de marca, proporcionam um lucro absoluto menor... uma das razões do sucesso das farmácias em Portugal é precisamente o facto de terem como opositores pessoas com a amplitude de visão do autor deste post!  

Caros senhores,

em falta de melhores argumento, alguns senhores resolveram brincar com os erros de ortografia. Pois bem podia refugiar-me no corrector do word mas não o farei. Saibam apenas que não recebo lições de duas pessoas que se refugiam em tais "causas". O mais engraçado é que sou acusado por vezes pelos meus pares por ser demasiadamente defensor dos genéricos... tem piada.... Não tenho é medo de ficar sem consultório só porque eventualmente uma pessoa com formação, ou não, noutra área, possa ser detentora de um sem ter que respeitar uma determinada distribuição por áreas.
Quanto ao facto de os farmacêuticos serem um lobby não me parece que possa ter conotação negativa, sendo até legítimo (a group of people who try to influence politicians on a particular issue - dicionário oxford...)
Quanto a saber distinguir genéricos do laboratório A ou B, meu caro génio e detentor de toda a teoria e técnica farmacêutica: há uma coisa que os senhores não aprendem a fazer e nem é suposto que aprendam, mas chama-se ouvir os doentes meu caro...  

De facto, estes 2 últimos comentários são uma lição de humildade...

E já agora, também negam que os laboratórios de genéricos oferecem às farmácias um "prémio" de produtividade pelo número de embalagens vendidas? E que o farmacêutico pode alterar a marca de genérico prescrita (não é obrigado a ter todos os genérico em stock... nem 2... pode ter só 1) e servir assim ao cliente a que lhe "dá mais jeito" para atingir os objectivos de produtividade?

Quanto à bioequivalência dos genérico, o INFARMED garante que ela é semelhante. Mas o que se nota por esse país fora (nomeadamente a nível hospitalar) é que a eficácia clínica (que não é assegurada por um perfil de bioequivalência idêntico) de alguns é diferente. O mais falado é o caso das furosemidas, mas há mais... (os ibuprofenos, as amoxicilinas, etc.) E eu, (como julgo que ninguém) não sei qual deles é melhor do que o outro, daí o facto de dizer que é preciso mais informação. É preciso debater estes assuntos, é preciso analisar se as observações empíricas têm ou não tradução clínica. A bem dos doentes que estamos a tratar!

Quanto à margem de lucro das farmácias (e das companhias farmacêuticas), estou-me pouco borrifando se são altas ou baixas. Liberalizem o mercado que ele acabará por funcionar. E já agora algumas sugestões para baixa o peso da factura com medicamentos: vender embalagens unitárias (ou no número necessário para tratar); dispensar medicação crónica directamente das farmácias hospitalares, aos doentes seguidos no hospital (uma vez que os medicamentos comprados "em quantidade" pelas farmácias hospitalares ficam a menos de metade do preço da comparticipação que o estado dá aos medicamentos comprados nas farmácias; o estado comparticipar "apenas" o pelo preço do genérico mais barato; vender medicamentos de "venda livre" em locais que não farmácias (supermercados, hipermercados, etc.)

Quanto à dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica, estamos conversados... devem ser punidos os farmacêuticos que o fazem e os médicos que são cúmplices.  

Esclarecimentos da minha parte: -quando referi os 4% não era sobre qual devia ser a redução do lucro mas foi o valor que me indicaram que correspondia ao lucro da fármacia do preço total do medicamento (pedia desde já aos donos das farmácias que o confirmassem). Aceito que no meu 1º comentário a redação não é clara.
-quando falei que as farmácias deviam reduzir a sua margem de lucro (e não falei mas tb concordo que o ideal seria a liberalização de todo o sector) falo como contribuinte e potencial doente que PAGAM essa margem de lucro. As farmácias em Portugal tem lucros fabulosos (independentemente de qual o valor da sua margem de lucro) principalmente à custa de um sistema de monopólio. Os supermercados, cabeleireiros e restaurantes tb funcionam bem e não precisam desse monopólio. Além disso permitem que o consumidor escolha pela relação preço/qualidade do serviço.

Comentários: -houve alguns comentários anteriores abaixo do nível desejado neste tipo de discussão; - a prescrição de antibióticos (ou qualquer outro medicamento sujeito a receita médica) por médicos por telefone ou por farmacêuticos é errado; - é aceite universalmente que a bioequivalência corresponde a igual eficácia (porque é que só os (médicos) portugueses é que levantam estas questões?)
Na minha opinião o melhor sistema para a política do medicamento: o estado fazia um concurso público para cada substância activa (ou grupo de substâncias activas que fossem reconhecidas por uma comissão científica como clinicamente semelhantes)e era esse medicamento que era disponibilizado pelo SNS: nos hospitais ou em qualquer outro establecimento (incluindo qualquer loja) em que um farmacêutico assegurasse as necessárias condições para o seu armazenamento e conservação. Nem o médico podia escolher o nome comercial, nem o medicamneto podia ser substituido, nem estes establecimentos teriam que ser de farmacêuticos ou estarem limitados por qualquer critério que não o da concorrência. Não há motivos para não ser assim e evitava-se toda esta problemática originada pela inveja/revolta de uns em relação aos outros.
Um abraço para todos os "comentadores" anteriores e espero que mostrem igual paixão pelas suas posições em comentários a outros temas.  

Caro Francisco,

Concordo na integra como que disseste. Acho que uma boa politica seria o estado comparticipar apenas um determinado produto de cada principio activo, cada dosagem, e de determinada formulação sendo os critério da comparticipação definido por um conjunto de factores que poderia incluir algo mais que meramente o preço.
Para quem tiver ficado com a ideia, errada, que penso que o papel dos farmacêuticos é estático, esclareço que a minha forma de ver as coisas é a oposta, ou seja, penso sim que ficar atrás de um balcão unicamente a servir mecadoria, isso sim está errado. Os profissionais dessa área estão sub-aproveitados, hoje em dia e(pela cada vez menor necessidade em se recorrer à farmácia de oficina nas farmácias "da comunidade") nomeadamente no que diz respeito à prevenção primária, aconselhamento, etc... Devem ser encarados como pareceiros e não como concorrentes. Pelo menos é esta a postura que tenho com os farmacêuticos que conheço e com os quais tenho por vezes trocas de conhecimento bastante interessantes. Não sei como é que é em Estarreja nem na Póvoa, mas confesso que gostava de saber. Acho também que neste tipo de discussões é importante separar duas coisas: 1.Discussão técnica dos problemas e, por palavras civilizadas discutir as coisas; 2.O interesse comercial dos farmacêuticos como proprietários, que muito legitimamente "defendem a sua dama", mas que têm que compreender que haja quem ache que o monopólio não é a melhor solução.
Para terminar: a quem me acusa de falta de visão, apenas posso dizer que tenho mente mais aberta à discussão do que aquilo que o senhor possa pensar, e relativamente ao facto de se congratular com os adversários que tem, pense que não são adversários, podem ser parceiros se o senhor mudar de postura relativamente a quem o confronta, e talvez, por pouco que seja, aprender com eles.  

Quando, à noite, me sento para vadiar pela "blogosfera" a última das minhas intenções é conflituar seja com quem for.
O que é certo é que por vezes me irrito - fico chateado, com certeza que fico chateado - quando leio enormidades sobre a profissão farmacêutica. Principalmente quando vindas não do Zé das Iscas mas de outros profissionais de saúde, médicos neste caso, eles próprios expostos a ataques quantas vezes injustos e desinformados.
Foram aqui feitas afirmações erradas e descabidas, que revelam um enorme desconhecimento e um forte preconceito relativamente às Farmácias e Farmacêuticos.
Talvez mudassem de ideias, de atitude, se falassem, calmamente, ouvindo, as razões e as posições dos boticários. Não vão na conversa fácil dos lobbys e dos lucros fabulosos. Olhem que o adversário não está desse lado.  

Um só exemplo de que há coisas ridiculamente simples, que vocês não valorizaram, mas que se pode relacionar com algumas afirmações proferidas:
O Ben-u-ron só pode ser dispensado com receita médica, é um MSRM! Sabiam?  

Caro Dr. Mário Sá,

Agrada-me ver que começa a haver mudança de tom nas palavras, provavelmente depois de passada a irritação inicial e penso que isso só pode contribuir para o esclarecimento de situações que podem ser muito bem debatidas neste blog.
Há duas questões aqui. Uma é a do farmacêutico e suas competências que, a meu ver devem ser encarados não como um adversário, mas antes (e penso que isto é obvio e aceite por toda a gente minimamente inteligente).
Outras questão é a das farmácias. Eu não vejo mal nenhum no facto de as farmácias tentarem ter lucro (são um negócio como qualquer outro e muito legitimamente tentam o melhor). Inevitávelmente, e pelo facto de serem propriedade exclusiva de farmacêuticos, tem que se falar também destes quando se aborda o ponto em questão.  

e poesia genérica?  

Tema interessante... comentários, mais ainda... "hilariante" talvez seja o termo apropriado.
Em primeiro lugar, explicar seja a quem for, a razão porque o dr. médico prescreve a MARCA X e não a MARCA Y, será fácil, por aqueles senhores e senhoras muito formalmente vestidos, que esperam pacientemente á porta do consultório do dr. médico, para alguns minutos de conversa e para algumas surpresas saídas das suas pastinhas, tais cartolas de ilusionista, de onde tantas coisas convincentes saem (não estou certamente a falar de meros folhetos informativos, que os srs. drs. médicos, saberão por certo ler sem a necessidade de acompanhamento).
Seria "hilariante" ir comprar, por exemplo leite, e ter na loja um sr. a obrigar-me a comprar uma marca X e não uma marca Y. Tão hilariante como ter um dr. médico a obrigar-me a comprar um fármaco da marca X e não Y, como se o dr. médico mandasse na carteira dos seus pacientes. Se o paciente é que o vai pagar e depois o vai tomar, porque não pode ele optar pela marca/preço que quer, deixando o médico decidir o fármaco(substancia activa) necessário? No máximo, o dr. médico podia RECOMENDAR uma marca X ou Y, do fármaco que ele vai prescrever, dependendo "dos resultados nos seus doentes", que tem da experiencia. "Agora não pode é dar um em detrimento de outro só porque conseguiu fazer um acordo simpático com o distribuidor (leia-se delegado de informação médica)" Mas se calhar é por isso... "eh pah, se calhar é", por causa dos "congressos médicos" nas caraibas, ou em cruzeiros pelo mediterraneo (à borla), ou, a melhor de que eu já tomei conhecimento, CONGRESSOS PARA AS ESPOSAS DOS DRS. MÉDICOS, passados em dispendiosos jantares. Afinal, "atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher". Sendo todos estes luxos á borla, cabe-me perguntar, quem pagará tudo isto... serão os doentes que têm de comprar o medicamento da marca (que promove tais eventos)? "Eh pah, se calhar é... não sei."
De elucidar ainda que "os países que têm maior percentagem de genéricos prescritos", não os têm na ordem dos 50%, como falsamente referido, mas sim, dos 84% (Polónia), ou 56% (Reino unido), em oposição aos 5% de Portugal (dados de 2003). Porquê tal disparidade?
Agradou-me a parte da prescrição "em acordo com o doente (que é a parte interessada no meio disto tudo)" mas será mesmo o doente o único interessado, ou haverá interesses obscuros?
Por fim, reparo num conflito médicos/farmaceuticos, em que é esquecido quem é mais importante... O doente/consumidor (onde me incluo)!  

"Noutro dia alguém comentava que, no seu exercício de medicina privada, e depois de decidir que determinado doente precisava de mais um dia de internamento, alguém da companhia de seguros que ia pagar a intervenção ligou a perguntar porquê... acontece que esse alguém era um enfermeiro contratado para fazer esse tipo de perguntas ao telefone. Ao menos colocassem alguém com capacidade técnica e cientifica para poder depois avaliar se essa decisão se justificaria ou não"

E os Enfermeiros não têm competência para tal? O amigo desconhece as capacidades dos Enfermeiros...  
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sexta-feira, janeiro 28, 2005

Lembro-me muitas vezes...


República da Irlanda - Maio 2004 Posted by Hello

Uma das mais fantásticas zonas litorais do mundo. Aqui, a península de Dingle com a "Ryan's Daughter beach" em plano de fundo. E um mar azul... mas azul forte para contrastar com aquele azul-esverdeado dos trópicos. A República da Irlanda, é a combinação perfeita entre a terra e o mar. Entre o verde das terras férteis e o azul profundo das águas frias. Não é por acaso que lhe chamam a "Ilha Esmeralda".
E o seu povo devia também ser um exemplo para o resto da Europa. Em menos de um século, passaram da imigração em massa por falta de comida (criando também uma cultura irlandesa além-mar) para uma das mais prósperas economias de mercado...
Vale a pena a visita! Para ver e rever...

Comentários:

se me dizes que também deste "um salto" à escócia eu passo-me!!!  

não te passes...  

Mas só se for num veículo automóvel alugado...a percorrer Km e Km e a dormir em B&B's... A respirar o ar puro a cada curva, a deliciar os olhos...e a ver...vacas!! Vaquinhas!!!!! E................verde.  
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Inevitável...

Freitas do Amaral pede maioria absoluta para o PS nas próximas eleições

O ex-presidente do CDS Freitas do Amaral assume hoje, num artigo de opinião publicado na revista "Visão", que vai votar no Partido Socialista nas eleições legislativas antecipadas de 20 de Fevereiro, considerando essencial a obtenção de uma maioria absoluta daquele partido.

in Público, 27.Jan.2005

Comentários:

Já em 2002 tinha aconselhado a votarem no PSD. Pessoalmente julgo que o principal motivo é que um governo minoritário perde demasiado tempo e energias a tentar arranjar compromissos com outras forças políticas para fazer avançar as suas políticas. Assim ele prefere que quem ganhar (e não havia dúvidas na altura como não há agora) gabhe com maioria.  

1.
O Prof. Freitas do Amaral tem a legitimidade moral de quem foi fundador do CDS, disputou eleições contra Mário Soares e até já presidiu à Assembleia Geral da ONU.
Vale mesmo a pena ler o artigo completo e ver o Prof FdA ridicularizar Pedro Santana Lopes ao expoente máximo e destruir, ponto por ponto, o demagógico programa de governo do PSD.
Além de revelar um grande sentido de estado e de responsabilidade democrática, FdA mostra, sobretudo, que os tem no sítio e dá um grande exemplo de dignidade política.

2.
Morais Sarmento anda preocupado com os eventuais acordos do PP com o futuro governo do PS.
As palhaçadas de PSL já conseguiuram transformar a AR numa pescadinha de rabo na boca - até a direita sente necessidade de dar o ** à esquerda...

Até breve,

I.  

Ou se calhar, antes como agora, prefere "apostar no cavalo vencedor"... pode ser que venha de lá mais um cargo na CGD, ou na ONU...  

Medman,este último post não merece comentário...  
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quinta-feira, janeiro 27, 2005

Boca foleira!


Olha só quando ainda eras livre e feliz... :)

Comentários:

Amigo,

Há muito que não andava por aqui. Espero que esteja tudo bem aí por casa. Ontem criei o meu blo: www.naohamonotonia.blogspot.com Criei para ie desabafando nem que seja por escrito.
Acho, é minha opinião, que já sabes o que é a verdadeira felicidade...eu ainda não mas espero que não falte muito.
Sempre que quiseres alguma coisa é só dizer...
Beijinho.  

Será que aquilo que o jovem militar leva na mão é uma arma de destruição maciça?  

Comparado com isto, a prisão de Abu-Grahib é uma brincadeira de crianças...  

Este jovem militar aproveita este estival Janeiro para patrulhar os matos deste nosso Portugal a fazer profilaxia do incêndio.
Na possibilidade de vir a detectar um incêndio, o jovem militar comunicará com o Gabinete do Ministro Paulo Portas, que prontamente enviará os célebres "submarinos sapadores" (espécie de submarino que rebola pela encosta dos montes, eliminando os fogos florestais).  

Francisco, deixa-me dizer-te que tens um rabinho todo jeitoso.

Beijinhos,
A.  

Lamento informar mas esse rabinho não é do Francisco... é do misterioso Mr. K...  

Acho que falar do rabinho de jovens que estão mais que comprometidos...não é muito bonito!!
Que blog indecente!!!!  
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Revista de Imprensa III

O ministro da Saúde diz que, no futuro, os médicos devem explicar a não prescrição de medicamentos genéricos.
Luís Filipe Pereira diz que no interesse dos utentes as novas receitas deverão ter um espaço para os clínicos explicarem porque receitam um medicamento de marca.
Sobre a possibilidade de alterar as formas de comparticipação dos medicamentos, o ministro recusa a substituição da comparticipação pelo reembolso - uma hipótese avançada num estudo feito por uma consultora britânica.
"Não temos máquina no Estado para assegurar a milhões de portugueses que primeiro paguem na farmácia e depois vão receber a qualquer lado" - considerou.
in RFM Online, 25.Jan.2005

O bastonário da Ordem dos Médicos está contra a intenção do ministro da Saúde que quer que os médicos expliquem, na receita, porque não receitam genéricos.
Pedro Nunes diz que se trata de mais uma medida burocrática que vai desviar os médicos do essencial, isto é: tratar os doentes.
O bastonário diz que a única coisa que a Ordem fará, caso a medida vá para a frente, é fornecer um carimbo aos médicos que diga "Porque considero que este é o melhor medicamento".
Sobre as alterações à comparticipação dos medicamentos, o ministro defendeu que todos os doentes crónicos devem ser comparticipados de igual forma.
in RFM Online, 25.Jan.2005

Comentários:

Genéricos...
Felizmente não tomo muitos medicamentos, mas recuso-me a tomar genéricos.
Os genéricos (não vou divulgar as minhas fontes) para além de não serem exactamente iguais ao medicamento que lhes serviu de base usam muitas vezes componentes de menor qualidade (que não poderei apelidar de maus mas menos puros) o que de alguma fora os adultera.

E das pessoas que conheço e com quem já falei sobre o assunto são cada vez mais aquelas que não se sentiram bem com um ou outro genérico. Pena que ainda não haja ninguém preocupado com a recolha e análise destes dados e somente com a parte financeira dos mesmos é sempre a mesma coisa. Quem tem dinheiro pode tudo... quem não tem... fica-se pela paciência....

I.  

Afinal o ministro ainda tem uma réstia de bom-senso.

Quanto aos genéricos, mais uma vez a posição está a ser tomada ao contrário. Deveriam incentivar os médicos a prescrever genéricos pela positiva (garantindo por exemplo a informação adequada e um controle de qualidade apertado aos genéricos). Assim, é como se estivesse a pôr a criança "de castigo"... e todos sabemos que a melhor forma de aprender é com estímulos positivos!
Também já estava na hora de a Ordem deixar de ser contra os genéricos, e explicar o que é preciso assegurar para que os médicos colaborem na redução da despesa pública!!!  

Ó medman desculpa mas que mais informação tu queres que os médicos tenham? Quanto ao controlo da qualidade é igual aos do outros países. Vamos reconhecer: neste caso a culpa é FUNDAMENTALMENTE DOS MÉDICOS.
É claro que isso não quer dizer que concorde com esta medida de ter que os justificar na receita. Era só mais papelada para preencher. Mas concordo que no final do ano os médicos sejam chamados pelo seu director de serviço/CS e que tenham que justificar o facto de não terem dado genéricos e que possa haver consequências dessa avaliação.  

O Francisco... eu não disse que a culpa não é dos médicos. Só disse que o burro anda melhor com a cenoura à frente, não é com a chibata atrás...
Quanto à informação, sabes tão bem quanto eu que há médicos que não acreditam que os genéricos são iguais aos medicamentos de marca (e será que são mesmo?) - é a isto que me refiro quando digo que tem de haver mais informação. Porque é que toda a gente diz que a furosemida genérico é menos eficaz que a de marca... É só um mito urbano? Ou é mesmo verdade?  

Mas que mais informação tu queres que eles recebam? (não chegaste a responder) Eles já receberam informação de que para um medicamento ser genérico tem que passar nos testes de bioequivalência. Queres que o ministro envie para cada médico todos os relatórios dos estudos de bioequivalência? Isso iria convencer os relutantes? Infelizmente é verdade. Por vezes os burros não respondem às várias cenouras e só mesmo com a chibata.
Estive 6 meses na Medicina Interna e 3 meses na Cirugia e apenas uma vez ouvi uma referência de que a resposta de um doente à furosemida (e não tenhas dúvida que nos hospitais é genérico) não era a habitual (o que poderá ter várias causas). Se:
- nos doentes mais graves, se dá o genérico, aparentemente com a eficácia habitual
- não existe qualquer evidência científica do facto
- aqueles que criticam os genéricos nunca se mexeram para realizarem um pequeno ensaio clínico para provar as suas críticas (com a quantidade de pessoas a tomar furosemida durava apenas alguns meses)
ENTÃO É UM MITO URBANO. É como os OVNIs. Toda a gente já ouviu falar deles, ninguém consegue provar a sua inexistência, há relatos esporádicos e anedóticos de pessoas que os julgaram avistar e nunca ninguém tirou uma fotografia de jeito. A diferença é que nunca ninguém se lembrou de obrigar o estado e os idosos (principais consumidores de medicamentos) a gastar milhões por ano a prevenir a sua eventual existência.  
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quarta-feira, janeiro 26, 2005

Uma lição...

"...Não faz sentido a ousadia
de chegar ao fim do dia
sem o dia rever -
- separar as falhas das glórias,
as misérias das histórias,
mesmo sem as entender!"

by Luís Pedro Silva

Obrigado amigo Chaleco por esta lição... uma entre tantas!

Comentários:

Afinal o Chaleco n é só perito em cantar fado e flexões...

http://zonafranca.blogspot.com/  
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Revista de Imprensa II

Reembolso substitui comparticipação de medicamentos no SNS

Estudo encomendado pelo ministro Luís Filipe Pereira à consultora britânica Europe Economics propõe que os utentes paguem a totalidade do preço dos medicamentos e só depois sejam reembolsados.

in, Diário Económico, 21.Jan.2004
in, Diário Económico, 21.Jan.2004

Comentários:

http://www.rtp.pt/index.php?article=149984&visual=16
http://www.rtp.pt/index.php?article=149534&visual=16  

A ser aceite pelo governo é um escândalo... Sou defensor da alteração total da política do medicamento, mas não assim!!!  

Portugal... no seu.... PIOR

I.  

Não sei se leram a notícia toda mas tinha coisas ainda mais importantes/interessantes:
- fim de medicamentos comparticipados a 100%
- Limite para a prescrição de medicamentos na privada
- comparticipação pelo preço do genérico mais baixo
- alteração obrigatória de todas as caixas para doses de 20 e 60 unidades

Algumas concordo outras não. Em qualquer dos casos não me pronuncio sem poder ler todo o relatório com as devidas justificações.  

Destes, só concordo com a comparticipação pelo preço do genérico mais baixo.
Quanto ao resto é um absurdo!  
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Revista de Imprensa

Faculdade de Medicina do Porto Sem Cadáveres para Alunos Dissecarem

Pela primeira vez em 200 anos, a Faculdade de Medicina do Porto corre o risco de não ter cadáveres para os alunos dissecarem. Desde 1999 até agora, a escola recebeu apenas sete corpos. O director do Instituto de Anatomia pede uma alteração à lei, para que possam ser usados os corpos não reclamados.

in Público, 25.Jan.2005

Comentários:

Todos os anos a mesma noticia... O homem gosta mesmo disto. Mas o pior é que tem razão e que a lei devia ser mudada - já chega de falsos moralismos. Se calhar era boa ideia começar por convencer a igreja, que os mortos não têm todos que ser enterrados e que poderiam ser muito úteis para "salvar" outras vidas...  

Segundo consta, a minha faculdade (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa) é a única com material cadavérico este ano. Devia apelar-se para a doação de cadáveres das pessoas enquanto vivas. A minha faculdade safa-se, pois tem vindo a ser feita uma campanha desde há 20 anos em que se apela à doação. Não sei se nas outras faculdades fazem o mesmo, mas se não fazem era uma hipótese a considerar.  
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terça-feira, janeiro 25, 2005

Crime ou não crime? Ou a dúvida sobre o aborto...

Vem de longe e é recorrente o tema da legalização do aborto, ou interrupção voluntária da gravidez, como é "politicamente correcto" dizer-se...

A questão básica limita-se a um conflito entre 2 direitos: por um lado o direito à vida humana desde o seu início; por outro lado o direito da mulher a dispôr do seu próprio corpo. Mas, encerra muitos mais problemas dentro destes. Mas vamos por partes...

O direito à vida, esbarra logo e de forma importante na definição, no conceito de vida humana. Desde quando se considera vida humana. Desde o momento da fecundação, dizem os mais radicais. Desde as 12 semanas, quando existe sistema nervoso, dizem outros. Ao nascimento dizem alguns. Outros há que acham que é só aos 2 anos de idade, quando a criança atinge a consciência da sua existência. Depois existem as variantes, da vida em potencial, mas o que é vida em potencial? Ao nascimento, em que existe potencial de vida, mas a criança tem de ser cuidada e alimentada para sobreviver? Desde que se passa de embrião para feto, quando todos os órgãos estão formados e existe portanto um ser em potencial, mas que necessita do útero materno para se desenvolver? Desde a fecundação ou da nidação, em que existe já uma célula diplóica, com todo o material genético e a capacidade para se desenvolver e transformar num ser completo. Ou num óvulo e num espermatozóide, que têm em si próprios capacidade para gerar vida caso se conjuguem.
Temos portanto que aquilo que se considera eliminação de uma vida ou do seu potencial, pode ir desde os mais fundamentalistas na masturbação (ou até mesmo numa menstruação), passando pelas várias etapas de desenvolvimento do novo ser (embrião, feto), terminando no momento do parto (felizmente, nunca ouvi niguém considerar o infanticídio como "aborto").
Temos portanto que qualquer posição acerca da IVG (interrupção voluntária da gravidez) que seja baseada no conceito de vida humana, tem desde logo este problema para resolver.
Na minha opinião pessoal, vida humana deveria ser considerada a partir das 34 semanas de gestação (minimo a partir do qual o feto, sobrevive fora do útero materno).

Depois temos a questão da maternidade e paternidade responsável. A utilização (ou pelo menos a decisão de não utilização) de métodos anticoncepcionais é fundamental para qualquer pessoa que queira viver uma sexualidade saudável (já nem sequer falo das DST's). Existem já alguns métodos anticoncepcionais por alguns considerados abortivos (DIU, pílula do dia seguinte, p. ex.), uma vez que não impedem a fecundação. Existe também a falência dos métodos anticoncepcionais, mesmo que correctamente utilizados. E existem também os casos em que os métodos anticoncepcionais, pura e simplesmente não são utilizados (também denominada irresponsabilidade).

Temos ainda a questão do direito da mulher a dispôr do seu próprio corpo, que choca directamente com o direito à vida do feto e pode ou não chocar com o direito à paternidade do pai. Contudo, uma gravidez, não deixa de ser algo exclusivamente feminino, que apenas é vivido e sofrido pelas mulheres, sendo que em última análise, deverão ser estas a decidir se querem ou não viver esta experiência.

E poderíamos ainda "desenvolver" estes direitos contraditórios ou estas definições polémicas... Mas corria o risco de não acabar esta mensagem antes do fim-de-semana.

Passando então à criminalização/descriminalização da IVG... Existem já vários motivos, pelos quais é lícito interromper uma gravidez (violação, malformações genéticas, risco de vida para a mãe). Por outro lado, a criminalização do aborto, não leva a uma diminuição da sua prática; leva apenas à hipocrisia de os abortos serem feitos na clandesitinidade (com a complacência das autoridades), com risco de vida para as grávidas (ou seria ex-grávidas) e com julgamentos ridículos em que são "contornadas" as leis à medida das conveniências. Mais ainda, a descriminalização do aborto, não obriga a que alguém o faça, dando a liberdade de o fazer a quem o desejar. Muitos argumentam que também não é por descriminalizar o homicídio que se obriga as pessoas a assassinar alguém, e que não passa pela cabeça de ninguém descriminalizar o homicídio - o que mais uma vez nos leva à definição de vida humana (e pode-nos levar à discussão sobre a eutanásia). Por outro lado, temos os que defendem que a IVG não deve ser usada como método anticoncepcional, e que as pessoas têm é que ter cuidado antes... (ficando de fora as falências dos métodos anticoncepcionais - os chamados azares - e corrigindo um erro - a falta de cuidado - com outro possível erro - a colocação no mundo de mais um ser não desejado, que poderá não ter condições de vida minimamente aceitáveis - o que também é refutado com exemplos de abortos que não foram feitos e foram felizes a vida toda...)

Em conclusão, a minha posição relativamente ao aborto é: descriminalizar a IVG, assegurando que existe de facto educação sexual para os jovens; nenhum profissional de saúde seja "obrigado" a executar uma IVG se considerar que isso vai contra os seus princípios; as mulheres que o façam tenham acompanhamento psiquiátrico prévio, que se assegure da "vontade" absoluta de tomar tal decisão.

Choca-me viver numa sociedade que recorra à IVG como método anticoncepcional. Eu não o faria e enquanto médico, reservo-me sempre o direito a não o fazer (excepto em casos de malformação, violação ou perigo de vida para a mãe). Contudo, penso que não tenho o direito de impedir que os outros o façam (desde que conscientemente) e que o possam fazer em condições que não ponham em risco a sua saúde, até ao momento em que considero existir vida humana - aqui passaria a ser crime... Gostaria de acreditar (embora por vezes seja difícil) que qualquer mulher que o faça, seja apenas em circunstâncias de desespero extremo e que o simples facto de o fazer seja já um fardo e um "castigo" que carregará para o resto da vida e gostaria também de pensar que para o ser "não-nascido", é preferível não nascer do que levar uma vida miserável...

Comentários:

Desde que descobri este blog gosto de passar por cá todos os dias e ver os excelentes post que muitas vezes nos deixam a pensar.
Na minha simples opinião (embora ninguém tenha perguntado) o aborto deve fazer parte da decisão de quem quer ter ou não um filho, e poderia dar aqui imensos exemplos (mas vocês médicos melhor do que eu conhecem)para tal ser ou não feito.
Mas acho que o amadurecimento de uma mulher e a vontade de ter ou não um filho será para mim o mais importante.
Sem entrar nas polémicas de bons ou maus pais, ou se são mais pais os biológicos ou os que dão amor, mesmo não sendo biológicos.
Acho que ter um filho é uma "profissão" a tempo inteiro. É o saber abdicar de "si" enquanto ser e passar a pensar principalmente nele "ser" (depois de nascer claro) e para isso é preciso preparação e vontade.

Mas esta é só a minha opinião.

I.  

Caro(a) I.

O simples facto de "existir" uma caixa de comentários, é uma forma de pedir a opinião de todos por quantos aqui passam... E um dos nossos objectivos é estimular a troca de ideias... só da discussão nasce a luz! Continua a passar por cá e a "mandar bitaites"!!!  

No global concordo contigo, mas tenho um comentário e uma pergunta:
- acho que a opinião do pai deveria ser tomada em linha de conta (em sei que estou em minoria nesta posição) e se o pai não concordar com o aborto (exceptuando as 3 causas) e estiver disposto a ficar responsável pela criança, acho que deveria ser ilegal abortar.

Pergunta: achas que os abortos por vontade dos pais devem ser feitos no SNS, pagos por todos os contribuintes (incluindo os que não concordam)? É porque senão, os pobres vão continuar a ir às parteiras.  

Também concordo que a opinião do pai deveria ser tomada em conta, mas dessa forma, perde legitimidade qualquer argumento que leve em linha de conta a vontade da mulher a viver a maternidade. Da mesma forma, se a sociedade se assegurasse da criança, ou se houvesse um casal com vontade de adoptar a criança logo desde o nascimento, esse argumento seria válido... Acho difícil de encontrar um meio termo.

Quanto a ser efectuado no SNS, acho que sim. Por 3 motivos.
1. Pelo que disseste de as pessoas pobres continuarem a recorrer a vias clandestinas.
2. Porque assume-se que não é um "capricho" mas sim um problema de saúde pública e portanto deve ser garantido pelo estado.
3. Porque se não entrávamos na discussão de os fumadores também pagarem os seus cuidados de saúde (porque também são "culpados" pelo seu estilo de vida).  

Caro Medman: texto excelente.
Duas coisas: como sabes, a fronteira das 34 semanas é um pouco tipo feriado móvel, quer a ciência quer outras considerações podem alterar um pouco esse limite.
E a frase final do teu post, como sabes também, merece algum cuidado para não entrarmos em soluções eugénicas...  

Adorei essa do "feriado móvel"... Mas é claro que sim. E acredito que dentro de uns anos essa fronteira vai estar, pelo menos, largas semanas mais atrás.  

Tenho sempre muita dificuldade em falar do tema do aborto. Porque a minha questão-base é exactamente a que aqui é colocada: qual o princípio da vida humana? Se só é vida humana após as 34 semanas, a tal actual barreira para a capacidade de sobrevivência de um feto, o que é antes? O que era a minha filha às 34, 20, 12 ou 1 semana de gestação, senão o ser que veio a ser, através do seu desenvolvimento natural dentro do meu útero? Era ela, numa fase diferente da sua vida, mas indispensável a que um dia ela nascesse e fosse humana. E por isso não sei chamar a esses estados pré-34 semanas nada senão "vida humana".
Depois, tenho grandes dúvidas quanto ao efeito da lei de descriminalização quanto a evitar abortos clandestinos por parte de um bom número de mulheres que escondem o seu estado, e o escondem da família como o escondem do médico onde não vão fazer consultas de planeamento familiar, por exemplo. Ou seja, a promoção de uma educação sexual a sério é essencial.
Finalmente, o argumento usado de que "penso que não tenho o direito de impedir que os outros o façam (desde que conscientemente)" depende directamente do que em primeiro lugar disse: de definir o que é vida humana. Essa é a definição essencial para tudo o resto, a meu ver.  
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Numa hora fez o que 100 polícias não conseguiram fazer!

E foi assim que foi apresentada a notícia na TVI... Que um homem, sozinho conseguiu encontrar sozinho, por duas vezes o mediático assassino Piçarreira (isto é lá nome de criminoso?).

Mas... não foi esta mesma TVI que aqui há umas semanas entrevistou este Piçarreira? E que o "encobriu" das autoridades? Onde está o "dever cívico" de denunciar criminosos? E se o pobre desgraçado que foi atacado pelo Piçarreira, em vez de levar uma facada e safar-se tivesse morrido? Será que o Sr. Jornalista da TVI que encobriu o criminoso e permitiu que ele continuasse a monte, fugido da Polícia, seria indiciado como "cúmplice" pelo crime???

Que país este, onde se podem esconder criminosos atrás do "sigilo profissional" e da "protecção de fontes"!

Comentários:

Posso estar enganado Med, mas não creio que o "sigilo profissional" e a "protecção de fontes" sejam um fenómeno exclusivo do nosso país.
Por certo compreendes que a violação destes princípios, ainda que pontual, abriria um precedente grave que viria minar a confiança de futuros entrevistados, obstando a muitos furos jornalísticos.
A questão que se coloca é a de saber se o direito (dever?) de informar se deve sobrepor aos demais interesses da sociedade (neste caso de segurança e Justiça).
Eu, pessoalmente, entendo objectivamente que não (mas é claro que os jornalistas também poderiam dizer o mesmo, acerca dos previlégios de sigilo na relação médico-doente...)
Já agora, por curiosidade, se o Piçareira te aparecesse na urgência, tu sentir-te-ias no dever de o denunciar à polícia?  

lol... já estava à espera dessa pergunta!!! Sentia... por muito que a Ordem me viesse dizer que não e me sancionasse a seguir. Neste caso em particular, em que há um indivíduo condenado por homicídio, evadido da prisão e que constitiu perigo imediato para a população não tinha dúvidas... Já se o crime dele fosse fugir aos impostos!!!
Eu não acho que não deve existir protecção de fontes. Acho é que tem de haver responsabilização, porque também sabes tão bem como eu que a protecção de fontes, serve muitas vezes para "esconder" boatos ou quebras de sigilo de outros profissionais...  
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Outra vez o ceguinho...

Lembram-se de quem disse isto: "Refiro-me a sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral. Dispenso-me de os mencionar um a um, pois são do conhecimento do país." para dissolver a AR???

É... foi a mesma pessoa que ontem, «pediu mais empenho dos partidos políticos em debater os problemas concretos do país e menos preocupação na discussão de temas "cujo destino comum é inevitavelmente o do desaparecimento como espuma, mediática mas inconsequente".» e «"seria uma pena que, perante os graves problemas que nos afectam, este período fosse uma vez mais desperdiçado em querelas e iniciativas meramente tácticas e eleitoralistas". "Aquilo que verdadeiramente importa aos portugueses e à sociedade portuguesa são os problemas da justiça, da educação, do desenvolvimento e do emprego".»

Então um PR que dissolve uma AR por incidentes e declarações (o que é isto se não um fenómeno mediático?) vem agora pedir que os partidos debatam temas "de fundo"?
Haja coerência.

Já agora, a propósito do emprego, sabiam que a taxa de desemprego em Portugal é mais baixa do que a Média Europeia??? E 30% inferior à de Espanha, França e Alemanha?

Comentários:

Isto de atacar o Presidente da República começa a cansar. Mas enfim, cada qual com a sua opinião. De facto, eu penso que o único culpado pela queda do governo é o PSD. Nos poucos meses que Santana Lopes esteve à frente do executivo viu-se que dentro do próprio partido não existe qualquer espécie de consenso, resultando numa série de «facadinhas», «bocas» e desentendimentos. Que este tipo de situações existam é natural, que soem «cá para fora» é sinal de que algo vai (muito) mal....

Quanto à nossa maravilhosa taxa de desemprego: ainda bem que desta não somos os últimos!!! Mas há que colocar as coisas em perspectiva. Um casal em Espanha (França, Alemanha...) consegue viver apenas com um ordenado. Em Portugal é muitas vezes complicado (sobre)viver com dois!!!  
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A utilização do preservativo como algo de imoral pela Igreja Católica

Está confirmado aqui, aqui e em documentos oficiais:
Este diz : "* The use of condoms goes against human dignity. * Condoms change the beautiful act of love into a selfish search for pleasure – while rejecting responsibility. * Condoms do not guarantee protection against HIV/AIDS. * Condoms may even be one of the main reasons for the spread of HIV/AIDS."
Este inclui isto:" ...Devem, além disso ser capazes de dar aos seus filhos, segundo as necessidades, uma explicação positiva e serena sobre os pontos firmes da moral cristã como, por exemplo, a indissolubilidade do matrimónio e a relação entre amor e procriação, assim como sobre a imoralidade das relações pré-matrimoniais, do aborto, da contracepção e da masturbação. Acerca destas últimas realidades imorais, que contradizem o significado da doação conjugal, é necessário recordar ainda que « as duas dimensões da união conjugal, a unitiva e a procriativa, não podem ser separadas artificialmente sem atentar contra a verdade íntima do próprio acto conjugal ».34 Acêrca disto, será para os pais uma ajuda preciosa o conhecimento aprofundado e meditado dos documentos da Igreja que tratam destes problemas.35
103. Em particular, a masturbação constitui uma desordem grave, ilícita em si mesma, que não pode ser moralmente justificada,...
"
A seguir critica a homossexualidade como algo de anti-natural !!?!?!

Para aqueles que tinham dúvidas, a posição da Igreja Católica fica bem vincada. Espero que os católicos (que muito respeito me merecem) que consideram esta posição específica um absurdo (julgo que a larga maioria) façam o que está ao seu alcance para a modificar (escrever cartas aos dirigentes católicos, organizar colóquios de discussão dentro da estrutura católica, divulgar o seu desacordo ...). Pensem que todos os dias no mundo há pessoas que, devido a esta posição, são infectadas pelo HIV e por outras doenças sexualmente transmissíveis já para não falar das gravidezes indesejadas (algumas das quais originando abortos). Isto não é um ataque à Igreja Católica como um todo mas apenas a este ponto específico por ela defendida. Quem se acomoda torna-se cúmplice pela inacção. Eu estou a tentar fazer a minha parte.

Comentários:

São posições como esta, por parte da igreja católica, que levam a que as pessoas se afastem cada vez mais da dita " fé".
A igreja não soube adaptar a sua evolução à da sociedade, tendo-se transformado numa entidade caduca.
Pena, poruqe alguns dos valores que ensina são louváveis.  

A Igreja Católica está cada vez mais refém das posições anacrónicas que defende em muitas áreas e assim também cada vez mais longe dos seus fiéis que, se juntam em "rebanho", mas pensam pela sua cabeça. Assim, é cada vez mais frequente ouvirmos fiéis devotos a dizer... "a igreja é o que fazemos dela", "a minha posição pessoal é...", ou "isso é o que diz o papa, mas não é o que acha a igreja", como que a "desculpar" estas posições e a construir a sua própria igreja, que aos poucos vai sendo cada vez mais distante da "doutrina oficial".  

É nestas alturas que me pergunto porque sou católica, não me identifico nada com estas "tretas" até porque quem as escreve nem sempre as defende...
Lembro-me de uma certa "história" que me contaram acerca de um inquérito sobre o casamento dos padres que quando ia ser distribuído pelas paróquias para ser respondido já tinha sido enviado para o vaticano "devidamente preenchido".
É por estas e por outras que a minha fé é cada vez mais espiritual e não praticada de acordo com a igreja...
Enfim... é lamentável no mínimo...

I.  
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Birras

É triste assistir ao baixo nível a que chegou o debate político em Portugal.
É, sobretudo, triste constatar que o putativo quase-já-líder-do-principal-partido-da-oposição dedica o grosso do seu esforço eleitoral a tentar convencer os portugueses de que o putativo quase-já-primeiro-ministro é um medricas que tem medo dos debates.
Mais do que perguntar ao Dr. Lopes porque é que ele encasquetou que desta vez deveria existir mais do que um debate com o Eng. Sócrates (ou porque é que, a este pretexto, vai também desmarcando os debates que já tinha combinado com os outros partidos), importa, se calhar, questionarmo-nos que Futuro poderá ter Portugal quando se perde tanto tempo com birras...
Precisavam todos era de levar tau tau!


Comentários:

Este post fez-me rir.
Tendo em conta o sítio certo de aplicação dos respectivos tau-taus, podemos imaginar a quantidade de vezes que o nosso PR iria estar na posição adequada para os apanhar. Quem iria gostar era o "outro" o dos acordos!!!

I.  

Tudo o que ambos estão a fazer é previsível, eles fariam o mesmo estando na posição do outro, tudo é lamentável.
Acho que será o Marques Mendes o próximo lider da oposição.  

Aqui tenho que tirar o chapéu ao inginheiro... Já percebeu que a melhor forma de ganhar as eleições é ficar caladinho (ao menos não diz asneiras) e enganar o pessoal durante mais 1 mês... é que se falasse muito, ainda podiam perceber que ele não tem ideias, não tem um projecto, não tem carisma e não tem perfil...  
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segunda-feira, janeiro 24, 2005

Debate Louça - Portas

Ouvi vários comentários na blogosfera, mas não vi o debate entre o Francisco Louça e o Paulo Portas em directo. Por acaso estava ontem a ver a SIC Notícias quando o repetiram. Os meus comentários a um debate razoavelmente informativo:
- Louça atacou bem o governo nalguns pontos chave: desemprego, politica fiscal bancária, aborto, reformas
- Portas defendeu-se relativamente bem dando alguns exemplos do seu ministério, evitando falar pelo governo.
- Louça teve o momento mais alto do debate quando Portas de forma atabalhoada e algo "esquizofrénica" fugiu de explicar porque é que uma mercearia paga 25% de IRC e os bancos pagam só 15% (do que não conseguem passar pelo off-shore da Madeira) neste OE. No final lá disse que excepto a CGD todos na realidade pagam bem menos que isso => empresas de qualquer ramo, se conseguirem fugir aos impostos ficam a saber que recebem uma redução maior no IRC :). TB não conseguiu justificar porque é que não há um registro obrigatório de todo o movimento de capitais para fora do país, permitindo assim a fuga aos impostos.
- Louça teve o momento mais baixo do debate quando Portas defendeu a actual lei do aborto pelo direito à vida do feto e Louça interrompeu a dizer que ele não sabia o que era gerar uma vida e que apenas ele (Louça), que tinha uma filha, sabia. Mesmo sem entrarmos na conspiração (que já li) de que se tratava de uma alusão às eventuais tendências sexuais de Portas (o que seria muito grave) , foi sem dúvida um comentário muito infeliz. Pior só a reacção de alguma esquerda às críticas, defendendo cegamente um dos seus líderes.

Comentários:

Pior do que isso, ficou-se a perceber que afinal Louçã, o Rei da Tolerância, não é mais do que um homofóbico encapuçado e que só é tolerante para as opiniões que concordam com ele!!!

Quanto ao IRC dos bancos, convém lembrar que foi com este governo que o imposto foi aumentado (salvo erro de 5% para os actuais 15%), aliás, se a este aumento de impostos juntarmos a perda de receitas pela eliminação dos benefícios fiscais (que eram grandes benefícios para os bancos porque podiam ter o capital por longos períodos, pagando juros baixos), talvez se perceba porque é que os banqueiros, foram "fazer queixinhas" ao PR, levando (segundo alguns) à dissolução da AR...  

Depois de lhe chamarem desgravatado, essa do homofóbico encapuçado está do melhor!!!Ah!Ah!Ah!

http://zonafranca.blogspot.com  
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A minha bússola política

Respondendo ao desafio do Francisco, aqui vai:

Esquerda/Direita: 0.38
Autoritarismo/Libertarianismo: -4.21

E vocês, onde estão???

Comentários:

Bastava pores o teu resultado em comentário. O meu foi:
Esquerda / Direita: 0.25
Autoritarismo / Libertarianismo: -4.92  

O meu foi:
Esquerda / Direita: -4.12
Autoritarismo / Libertarianismo: -3.08

Queria deixar aqui bem claro que acho que o Med foi tendencioso nas respostas, para evitar ter de reconhecer que é o verdadeiro facho...  

Isso mesmo Guilty!
A direita é, por definição, hipócrita...  
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domingo, janeiro 23, 2005

Descubra as diferenças

Mulher, 30 anos. Casada há 4 anos. Sem doenças conhecidas. Gravidez desejada mas não vigiada. Recorre ao SU de um hospital às 36 semanas. Feitas as serologias normais da gravidez, vem a grande surpresa: é HIV positiva. São tomadas todas as providências para que o HIV não se transmita ao feto; faz antiretrovíricos e parto é planeado para cesariana. Tudo feito conforme as regras, mas não é suficiente para impedir a transmissão vertical do HIV.
A criança tem agora 7 anos, é orfã de pai e mãe e tem graves complicações da sua imunodeficiência.

Outra mulher, 27 anos. Prostituta. Toxicodependente. HIV positiva. Quinta gravidez de pai desconhecido. Gravidez não vigiada. Chega ao SU de um hospital em trabalho de parto. Parto decorre de forma natural. Sem profilaxia da transmissão vertical do HIV. Consta que lhe terão feito uma histerectomia. Continua a "consumir" e "na vida". A criança, tem um sorriso... de criança. Tem 2 anos e está entregue a uma instituição.

Um falhanço da medicina e dois falhanços sociais...

Comentários:

E a 2ª criança tb é HIV+?  

Também n percebi se a 2ª é seropositiva ou n.
De qualquer maneira, trágico sempre...

http://zonafranca.blogspot.com/  

Não... a 2ª criança é perfeitamente saudável.  

Menos mal então, tirando obviamente os tais falhanços sociais...

http://www.zonafranca.blogspot.com/  
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Pregador Dominical II

Mais alguns posts interessantes:

A China como potência económica e as suas condições laborais. (para desmistificar alguns conceitos)

A complicada organização de um ministério governamental (sinceramente nem tive paciência para ler tudo até ao fim, mas fiquei mais enjoado com o que li do que pelo facto de ser um post extenso).

Stalin World - que mau gosto.

Bordalo Pinheiro - um tributo a que não se deve passar ao lado

Descobre em que parte do espectro político pertences.
É um questionário online do Público cujo resultado fará reflectir muitos que o façam (tanto como as perguntas). Podem aproveitar e deixar os vossos resultados como comentário (façam copy paste). Este descobri aqui já há algum tempo.

Tenham uma boa semana

Comentários:

Alguns comentários...
A China - nada que não se saiba há muito tempo... As desigualdades entre os Chineses das grandes metrópoles (Pequim, Xangai e Hong-Kong) e os camponeses do interior da China são gritantes.
As condições de trabalho são péssimas, mas a melhorar. E a melhor forma de melhorarem é aumentar o desenvolvimento económico do país. Gostaria de saber como são as condições de trabalho nas fábricas da Nike ou da IBM, por exemplo. Achei piada ao facto de se referirem a condições de trabalho na China e darem n exemplos de Taiwan!!!!

A organização ministerial - a burocracia, o verdadeiro cancro do estado... Imagina: um director de departamento precisa de uma caixa de clips. Tem de ditar um requerimento, para a sua secretário redigir, voltar ao director para corrigir, voltar à secretária para fazer as correcções, voltar ao director para assinar, ser enviado para a "central de materiais", onde é recepcionado por um funcionário, que tem de fazer uma nota, para outro funcionário procurar se há em stock e outro funcionário ainda, descobrir quantas caixas de clips foram requisitadas por aquela secção durante o ano. O funcionário dos stocks diz que há, mas o dos "inventários" diz que já gastaram muitos clips este ano e que portanto, o pedido tem de ser autorizado pelo director-geral, a quem é endereçado um ofício, efectuado por outro funcionário do serviço. O director-geral diz que se já gastaram muito clips não podem gastar mais, através da sua secretária pessoal, que tem de fazer um ofício e dara a assinar ao director-geral entre 2 reuniões. O ofício chega ao departamento de materiais que informa o requisitante que não tem direito a mais clips. Este dita um memorando à sua secretária a dizer ao director-geral, que se não lhe der os clips, vai fazer queixa à TVI. O director-geral, responde que não vale a pena "levantar ondas" e autoriza os clips. Nova informação para o departamento de materiais, onde entretanto se esgotaram os clips. É preciso fazer uma nota de encomenda, através do departamento financeiro (o que ocupa para aí 3 funcionários), esperar pelo material, fazer o inventário das encomendas, e finalmente remeter os clips para o requisitante que ao fim de duas semanas de espera, resolveu agrafar os documentos!

Stalin World - não acho mau gosto. Acho que o humor é a forma mais fácil de superarmos os nossos fantasmas. E também acho que com humor, é mais fácil recordar... E é importante recordar a era "comunista" da União Soviética... é que há erros que não vale a pena repetir.

Bordalo Pinheiro - o facto de o Zé Povinho continuar a ser a caricatura perfeita do português (faltando-lhe contudo alguns acessórios - telemóvel e chaves de automóvel "de marca"), é a homenagem maior que lhe pode ser feita... e não abona muito a favor do desenvolvimento do "português".  
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sábado, janeiro 22, 2005

Não come, vomita e tem febre

Não come, vomita e tem febre.
Não come, vomita e tem febre.
Não come, vomita e tem febre.

Próximo!!!

Que surto de gastroenterites! Uma urgência inteira a ouvir estas "queixas": "não come, vomita e tem febre". Lá para as 7 da manhã já não havia paciência - que me desculpem os pais e as crianças, pela minha cara de "sono" e "rabugento"!

Mas entre estas gastroenterites Bennetton (todas iguais, todas diferentes), ainda houve alguns momentos de "riso".
O maior risco de uma gastroenterite vírica (como estas) é a desidratação, por isso o passo inicial muitas vezes é perceber se a criança consegue tolerar líquidos. Para isso, faz a chamada hidratação fraccionada (beber uma colher de soro em cada 3 ou 4 minutos). Muitas vezes esta simples hidratação lenta, é suficiente para resolver o problema da hidratação e dar tempo ao organismo para "recuperar". Mas algumas "mães" não entendem isto desta forma e pensam que se a criança não tolerar os líquidos é "despachada" mais depressa (o que não é verdade pois poderá ter de "ficar a soro"), ou então pior, porque querem a toda a força que a criança fique a soro, mesmo que não precise.

Então, uma conversa de duas mães na sala de espera.
- Mas olhe... dê o copo todo de uma vez à criança, que assim ela vomita logo!

Ou então, uma mãe que entra com a filha ao colo, com um sorriso de "orelha a orelha" e diz:
- Já está Sr. Doutor. Já vomitou! Quer que ela vomite outra vez?
E olha de lado para a filha, aperta-lhe a barriga e... lá vai outro vómito!

Ah... e claro, aqueles saudáveis que lá foram, porque "tiveram um pesadelo", ou porque "acho que ele há 1 semana que não come bem", já lá devem estar de novo... desta vez com "não come, vomita e tem febre", contaminados na Sala de Espera!

Próximo!
Não come, vomita e tem febre.
Não come, vomita e tem febre.
Não come, vomita e tem febre...

Comentários:

A minha experiência é a do lado de cá, da mãe com filha pequena. Felizmente há muito que não tem gastroenterites (desde que deixou o infantário), mas houve um ano em que as trazia constantemente da escolinha. E lá ficava ela doente, pegava à mãe, à empregada, que por sua vez pegava aos filhos, e pegava ainda aos avós e à empregada dos avós... Se todos resolvessem ir às urgências ao mesmo tempo, só nós todos enchiamos a sala de espera :)  

Ai, obrigada pelo seu post. Sou mãe de uma menina de 5,5 meses que está assim desde ontem (domingo). Primeira filha, primeira virose... o pânico, os telefonemas pra' pediatra, as idas às urgências... mas um post assim que me tranquiliza mais um bocado... que ha'-de passar.  
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Estado de Graça

Conforme dizia aqui o Guilty, "é para todos consensual que estes dois últimos governos foram dois governos com intenção reformista. Os resultados das ditas reformas é que são mais questionáveis." (e desde já sugiro a leitura do resto do comentário).

Ora muito bem, algo em que estamos de acordo. Os dois últimos governos foram governos reformistas e que em 2 anos e meio, fizeram mais do que os governos socialistas em 6. Pode-se ou não concordar com as políticas e com as ideias, mas o facto é que foram efectuadas reformas, que agradarão a alguns e a outros não, mas que foram consideradas necessárias, pelo governo democraticamente eleito através da Assembleia da República.

Contra as críticas que se fazem às políticas do governo, eu não me oponho - aliás, nem posso, porque as opiniões são como as vaginas... - o que me faz insurgir é a "campanha" de alguma comunicação social e de alguma "oposição" que tenta criar confusões e trapalhadas a toda a hora. É certo que Durão Barroso foi um primeiro-ministro competente. É também um facto que Santana Lopes, tem um estilo mais polémico e mais "confuso", mas também é certo que o governo não teve "estado de graça".

Os governos do PS tiveram 6 anos de estado de graça e foram-se embora quando se sentiram completamente perdidos e tinham conduzido o país para uma situação da qual não se conseguiam libertar. O governo de Durão Barroso teve aí uns 6 meses de estado de graça. Já o de Santana Lopes, não teve sequer 6 segundos - mesmo antes de começar já lhe estavam a ser apontados defeitos.

Insurjo-me também contra o que considero um autêntico "golpe de estado democrático" por parte do cenoura. Que me lembre, nas eleições de 2002 ninguém votou em Durão Barroso. Quem votou, votou para eleger um parlamento, que por sua vez elegeu um governo. Ou seja, o actual governo tinha toda a legitimidade democrática para governar até ao fim do seu mandato. Por muitas asneiras que fizesse!!! E que não fez... As "trapalhadas" e as "contradições" são reais, mas muito amplificadas pela comunicação social. O caso Marcelo (facto político criado pelo próprio), o caso Chaves, e outros que mais. Já em questões de fundo, foi um governo, na minha opinião competente. Mostrou coragem para decidir e efectuou reformas importantes - Lei das Rendas, Orçamento de Estado (diminuição do IRS e benefícios fiscais), obras públicas, administração da TAP, etc...
O que não admito é que um personagem que viu os governos socialistas (des)governarem a seu bel-prazer, impávido e sereno, venha a dissolver uma Assembleia da República, sem fundamentos sérios e credíveis e não deixando que o Governo seja "julgado" pelo povo no final do "ciclo democrático", no final dos quatro anos de legislatura da AR.

Um dos princípios básicos da democracia é aceitar a vontade da maioria, que foi o que Sua Excelência o Presidente da República não fez... A maioria dos portugueses elegeu esta AR por 4 anos... não até que o PR se lembrasse de a dissolver! Daqui a 1 mês, o povo dirá de sua justiça, mas no caso (actualmente muito improvável devido à "conjuntura") de ser de novo dada maioria parlamentar à direita, espero que se tirem as devidas consequências e que o cenoura tenha a decência de se demitir, por ter feito perder tempo e dinheiro a todos os portugueses!

Comentários:

Esqueces-te que o PR foi tb ele democraticamente eleito (com poderes para dissolver a AR se assim o entendesse) com mais votos do que a actual demitida/demissionária AR. Mais importante, por mais que não queiras reconhecer, eu e a maioria dos portugueses votará nas próximas eleições para eleger em 1º lugar um governo e em 2º plano uma AR. E quem tinha sido eleito para governar Portugal tinha sido o Durão.

E se discutisse-mos POLITÍCA em vez de politiquices.  

Ainda continuas a bater no ceguinho Med?  

(com o devido respeito que me merece a população invisual...)  

(lembro-me agora que os cidadãos invisuais não conseguem ler este blog...)  
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Parabéns à Senhora

Foi na Adega Regional de Tenões... As papas de sarrabulho não eram grande espingarda, mas o convívio com os amigos (Guilty, espero que a minha presença tenha respondido à tua pergunta) foi bom... muito bom, aliás como sempre.
Mas eis que, à saída deparamos com um jornal (qualquer coisa do Minho), onde se podia ler na primeira página: D. Belmira faz 102 anos (ou algo assim do género...).
Começando a ler o texto, encontrava-se algo parecido com isto: D. Belmira, completa hoje pela primeira vez, 102 anos...

Parabéns então à Sra. E cá estaremos para a congratular de novo, quando fizer 102 anos pela segunda vez!!!

Comentários:

Que sabes tu de Papas de Sarrabulho meu morcom?
Fala-me tu da rica gastronomia tradicional de Valongo...  
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sexta-feira, janeiro 21, 2005

Plágio

O Público de ontem traz também uma que vale a pena ler...

Comentários:

No público de hoje já vem a continuação da história, com mais alguns pormenores caricatos (um artigo da mesma autora). Assim se vai criando uma verdadeira novela (e clientela).  
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quinta-feira, janeiro 20, 2005

O Médico e o Padre

Estava hoje de regresso a casa, para uma sessão de estudo antes do SU de hoje à noite, quando sou interpelado por uma vizinha (que me costumava oferecer chocolates quando era catraio).

-Ó Sr. Doutor, há tanto tempo que não o via! Ainda no outro dia estava a falar com o meu homem sobre si. Está a trabalhar aonde? E está tudo bem? Ai, está tão crescido. Ainda me lembro de quando era pequenino. Olhe, um dia destes tem de vir cá a casa almoçar connosco, já estou farta de dizer à avozinha...

-Sim, temos de combinar is.....

-Ah pois temos, pois temos Sr. Doutor. Tenho muito gosto em que cá venha. Tem de vir mesmo, tem de vir mesmo. Ainda no outro dia esteve cá a almoçar o Sr. Abade, agora já só falta o Sr. Doutor!

Comentários:

Pois é... mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...
Já não são o médico, o padre e o professor...o último parece que ficou para trás... quem será o próximo? Aceitam-se apostas...
Bom, acho que entre o acumular de processos contra os médicos e a describilidade da igreja...venha o diabo e escolha...(Ah!! Se fosse este, ganhávamos nós a corrida... :) )
Mas como quem escolhe é o povo...só falta saber se é mais importante a Sagrada Família ou a sagrada baixa...
Enfim, considerações...  
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UE elogia reformas mas pede resultados

Ainda no Diário Económico pode ler-se que: "Portugal adoptou muitas reformas em 2004, reconhecem os ministros das Finanças, mas a União Europeia pede agora determinação das autoridades na implementação destas medidas e apela a mais esforços para assegurar a sustentabilidade das Finanças Públicas."

Isto tudo feito por dois governos apelidados de incompetentes, inconsequentes, trapalhões e cobardes... não é nada mau!

Segundo a UE Portugal deve:
  • Assegurar a sustentabilidade de longo prazo das finanças públicas e continuar as reformas das pensões, do sistema de saúde e da segurança social.
  • Intensificar medidas que aumentem a produtividade e supervisionar a implementação das iniciativas já levadas a cabo.
  • Continuar a melhorar o ambiente empresarial através de um reforço e um controlo apertado das medidas já tomadas.
  • Acelerar a transposição de directivas no mercado interno.

Comentários:

Caro Mad,

Atenção! Uma coisa são as políticas de direita do Governo do Dr. José Manuel Barroso - com as quais se é livre de concordar ou não - e outra são as palhaçadas diárias do Governo do Dr. Santana Lopes nos últimos 5 meses.

Acho que é para todos consensual que estes dois últimos governos foram dois governos com intenção reformista. Os resultados das ditas reformas é que são mais questionáveis.

Concordas que existem, decerto, motivos que justifiquem que o Povo Português mostre - como eu acredito que vai mostrar - o quanto discorda dos Ministros das Finanças da UE, ao eleger o novo Governo em Fevereiro.

Está visto que nem eu nem tu somos eleitorado flutuante. Mas o que deves pensar é: o que é que terá levado as pessoas que deram a maioria ao Governo de Coligação a mudar de opinião tão depressa? e quais foram as camadas da sociedade que não se sentiram prejudicadas com as reformas do Governo?

Sem querer retirar mérito aos Governos da Coligação (algum, por certo, merecido), decerto também percebes que os Ministros das Finanças da UE, que se reunem em Bruxelas 3 dias por ano, não são propriamente a entidade mais isenta e com mais conhecimento de causa para tirar conclusões sobre as reformas políticas portuguesas. Sobretudo quando tiram meia dúzia de conclusões LaPalissianas e vazias de conteúdo (claro que isto é a minha opinião...).

A UE é amiga! A malta ****-se toda para cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento e depois a Manuela e o Bagão vão lá votar para não penalizar a França e a Alemanha por não quererem fazer o mesmo. É Justo!

Ah, e já agora, vens logo ao Jantar?  
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Aumento de propinas afasta mil alunos do Minho

É este o título da reportagem, a que tive acesso através do JCD do Jaquinzinhos. Vem publicada no Diário Económico, onde se pode ler que:

O aumento de propinas afastou cerca de mil alunos da Universidade do Minho (UM), revelou o reitor Guimarães Rodrigues. Desde 2002, “cerca de 800 alunos, que estavam inscritos e que tinham duas ou três cadeiras para concluir o curso, resolveram acelerar para terminar a licenciatura”, declarou ao programa Rádio - Universidade, uma parceria TSF/DE, emitido no sábado. É esta a explicação avançada para a diminuição do número de estudantes que acabou por ser a justificação do Governo para um corte orçamental de 2,4 milhões de euros nas transferências do OE para 2005. O reitor garante que “há mais saída de alunos porque terminaram o seu curso e não uma baixa de procura”.

Apesar de reconhecer que é difícil quantificar, Guimarães Rodrigues admite que este ano lectivo cerca de “200 alunos tenham abandonado a UM por causa do aumento das propinas”.



Ou seja, dos 1000 alunos afastados, 800 foram porque "resolveram acelerar para terminar a licenciatura" - leia-se acabar o curso. É tão aborrecido pagar propinas... Veja-se lá que até estimula os alunos a acabar o curso...

Comentários:

Realmente o título é bastante tendencioso. Este é um dos benefícios das propinas (o pessoal que andar a "engonhar" acelerar o estudo). O problema são os outros 200 (embora estas contas são dificeis de fazer e não acredito muito nos nºs, já que alguns dos 200 podiam ser "falsos" alunos que apenas estão inscritos para fazer um 2º curso aos poucos, para ter benefícios como trabalhadores estudantes, ...)  

Aqui entre nós, se a gente sabe, todos os anos, quantos entram, quantos saem, quantos reprovam e quantos passam, as contas não têm nada que saber. É só haver vontade de as fazer...  

O que eu quis dizer é que é impossivel saber qual foi o motivo de abandono dos alunos (é impossivel e falso dizer que para todos foi devido ao aumento das propinas). Isto já para não falar do que chamei "falsos alunos".
Fui-me informar e posso agora esclarecer que os alunos bolseiros (independentemente da bolsa que recebam):
- não pagam nenhuma propina (na realidade pagam a propina minima mas recebem uma verba especifica mensal para compensar)
- se estiverem deslocados (e se os serviços de acção social não puderem oferecer alojamento) ou necessitarem de usar transportes públicos para ir para a faculdade recebem mais cerca de 30 e (até)20 contos respectivamente
- têm a possibilidade de contrair empréstimos (quase) sem juros
- a propina máxima vai até ao salário mínimo (mais os acrescentos q  

(continuação do comentário anterior; desculpem a confusão)
... que referi anteriormente).
Assim a única possibilidade que eu vejo de um aluno não ir para a faculdade por falta de dinheiro é se a família necessita que ele traga dinheiro para casa (situação que inflizmente ainda existe). Aí, ele tem que abandonar a faculdade e começar a trabalhar.

Mas se independentemente da propina decidida pelas faculdades/universidades, eles só pagam a mínima é complicado dizer que os alunos abandonam a faculdade pelo aumento das propinas (se considerarmos que quem não é bolseiro tem dinheiro para pagar a propina máxima, o que pode ser discutivel).  
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quarta-feira, janeiro 19, 2005

O Dia em que "passei" uma doente à frente

Era uma quarta-feira à noite, como tantas outras. No "cesto" das fichas da urgência, encontravam-se cerca de 20 fichas, que correspondiam a outros tantos doentes. A maioria dos quais classificados pela "triagem de Manchester" como de atendimento prioritário (menos 30 min). Ora, dada a falta de "espaço" no SU e a falta de recursos humanos, os 30 minutos de espera iriam certamente ser transformados em 3 ou 4 horas.

Quando chegou a hora de "ver outra ficha", resolvi consultar os "motivos" da triagem de Manchester para aquela classificação, visto que entre os doente, poderia haver algum que necessitasse de atendimento mais rápido. É então que, a meio do monte de fichas, encontro uma jovem de 30 anos, descrita com: "hemiparésia esquerda" (ou seja, diminuição de força nos membros esquerdos). Foi resolvido chamá-la de imediato, uma vez que, caso se tratasse de um AVC (um dos diagnósticos possíveis) e dada a idade da doente, poderia ser tentada uma terapêutica "eficaz", desde que fosse iniciada muito em breve. Uma "trombose" é sempre dramática, mas numa pessoa jovem, que terá que conviver com ela durante 40 anos ou mais, torna-se ainda mais insuportável. Por isso, tinha já o "esquema mental" todo preparado para "diagnosticar" o possível AVC e propôr a doente para trombólise (terapêutica que pode "reverter" a trombose).

Qual não é o meu espanto quando chamo a doente - não sem antes ser insultado por metade da sala de espera, que diziam "ela ainda agora chegou" - ela se dirige a mim, a mancar ligeiramente, mas a andar sem aparente hemiparésia. Sento-a numa maca e começo a "tirar a história": desde manhã, quando acordou que tinha uma dor no joelho; que pôs uma pomada e melhorou, tendo mesmo ido trabalhar. Quando chegou do trabalho, sentou-se e adormeceu, sendo que quando acordou a dor no joelho estava pior e custava-lhe andar... porque lhe doía o joelho! Afinal a hemiparésia e o possível AVC (felizmente para ela) não passavam de uma "dor no joelho".
Foi encaminhada para o ortopedista e chamei a doente seguinte... pela ordem de chegada!


Comentários:

Caros colegas médicos e bloggers:

Parabéns pelo vosso blog! Está excelente!!!
Em relação ao vosso post... também tenho visto algumas pequenas barbaridades na triagem (nomeadamente doentes enviados para os laranjas com patologias que não são laranja de maneira nenhuma)... No entanto, assim, nunca vi nenhuma!!! ;)

Um abraço  
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Um tsunami cada 2 meses

A tragédia do Sudeste Asiático está a revolucionar o que se pensava ser possível de apoio mundial a uma causa. Uma boa causa. Mas há outras boas causas. Espero que todos aqueles que apoiaram a primeira não o tenham feito por haver turistas europeus ou por teres visto umas imagens "fixes" na televisão. Morrem em África cerca de 200.000 pessoas de 2 em 2 meses de causas (fácilmente ) evitáveis. Estas vidas valem tanto como as outras. Pensem nisto. Afinal ainda há esperança.

Comentários:

A dimensão da tragédia Africana é brutal... há muitos anos e por muitas causas diferentes. É a fome, agora a SIDA, mas há gerações que é a guerra entre tribos e clãs. É incrível como na "terra mais fértil do mundo", não se consiga produzir o suficiente para alimentar a própria população.
Acho que é um bom motivo para se "repensar" o colonialismo - que com todos os defeitos que tinha (e tinha muitos)-, não deixava tanta gente morrer à fome! Ou se calhar para repensar o modo como a descolonização foi feita (não só a portuguesa, mas no geral), pressionada e armada pelos ideias comunistas... Vale a pena reflectir.  
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Um dos posts que estava a pensar escrever

Pois é. Encontrei um dos posts que queria escrever e como está excelente não quis esperar até ao próximo domingo. Adopção pelos homossexuais; dissecção de um preconceito.
E não digam que nunca acontecerá (afinal a Conferência Episcopal espanhola declarou-se ontem a favor do uso de preservativos).

Comentários:

O que me relembra que tenho que acabar o "meu" programa de governo!!! Talvez lá para o fim-de-semana!  

A Conferência Episcopal já deu o dito pelo não dito e afinal só nos resta o celibato e a fidelidade como únicas armas de luta conta o VIH/Sida (?!). Para quando uma nova Inquisição?
Quanto à adopção por casais homossexuais, apesar de não ser declaradamente contra, tenho algumas reservas. E que tal facilitar o processo de adopção?! Há casais heterossexuais que (des)esperam durante anos para verem os seus processos desbloqueados.  
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Nem vale a pena falar nas pontes...

terça-feira, janeiro 18, 2005

I have a dream

Aqui pude ler um dos discursos mais famosos da história. Ontem foi Dia de Martin Luther King nos EUA. Julgo que se avançou muito desde 1063, mas ainda não está tudo feito.

Comentários:

É... em 1063 ainda nem sequer havia blogs... Tampouco o Afonso tinha batido na mãe... e que dizer dos médicos: nessa altura é que eles eram competentes, com as trepanações e as sangrias!  

Sempre gostei mto desse discurso, e há cerca de 10 anos, qdo recebi uma enciclopédia multimédia para o computador, esse mesmo discurso estava lá e ouvia-o quase todos os dias...Q cromo e eu era!!!

Por falar em cromos, qdo é q o McCap começa a produzir por aqui?!!

Abraço grande a todos!

http://zonafranca.blogspot.com/  
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Um, dois, três, diga lá outra vez...

TG:
Dr. Pedro Santana Lopes, por um passe para o Palácio de S. Bento, diga-nos lá exemplos de Coerência, como por exemplo: "Agora vou na mesma baixar o IRC".
Um, dois, três, diga lá outra vez!

PSL:
1. Agora digo que vou baixar o IRC ... mas afinal agora já não vou!
2. Agora digo que não vou propor um referendo ao aborto ... mas afinal agora viabilizarei qualquer proposta para a realização do mesmo!
3. Agora sou o Pedro Vaicomtodas, playboizito de segunda ... mas afinal agora vou dar regalias à fiscalidade dos casais, para penalizar as pessoas que vivem em união de facto!

in "Programa de Governo", por PPD-PSD

Comentários:

Oh Guilty,

Agora estiveste mal... Três exemplos mal escolhidos (até podias ter escolhido alguns muito bons...)

ERRO 1. PSL nunca disse que ia baixar impostos. Um secretário de estado disse que isso seria uma medida desejável, mas desde logo o PSL disse que apesar de achar uma boa ideia, não seria praticável.

ERRO 2. PSL disse que o partido se revia na actual lei do aborto, e que portanto não iria propôr nenhum referendo. Contudo, não impossibilita que caso outro partido queira avançar (por não se rever na actual lei), ele concorde em "dar a palavra aos eleitores". É uma afirmação que diz mais do que o que parece...

ERRO 3. Ele não disse que ia dar regalias aos casais para penalizar a união de facto. Disse é que iria DEIXAR DE PENALIZAR o casamento. É público que há actualmente muitos casais a divorciarem-se (apenas legalmente - mesmo continuando juntos), por motivos fiscais e isso não faz sentido nenhum.  

Erro 1. PSL disse, de facto, ainda antes da dissolução da AR, que pretendia baixar o IRC. É público.

Erro 2. Hipocrisia política. Se o partido se revê na actual lei do aborto, para que é que ele sequer precisa de estar a considerar a hipótese de viabilizar o referendo? (Quer dar a mão a Deus e ao Diabo...) Portanto, para PSL, o cidadão é livre de escolher em Democracia (excepto quando se trata de escolher se entra ou não no Barco do Aborto...)

Erro 3. Pedro Santana Lopes disse ontem, textualmente, que "os casais tem que ter alguma regalia, do ponto de vista fiscal, em relação às pessoas que vivem em união de facto".  
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segunda-feira, janeiro 17, 2005

Diz a verdade para mim!

Era uma velhinha (penso que ainda é...) simpática. Entrou no hospital de urgência com uma colangite (infecção nas vias biliares). Febre alta, icterícia (ou seja, amarela que nem um canário) e dor no hipocôndrio direito (por baixo das costelas... na zona do fígado) - quadro típico de colangite. Tinha 87 anos, 40 dos quais passados no Brasil, de onde ainda tinha um ligeiro "sotaque". Além da sua angina de peito, era saudável. Estava muito assustada com o que lhe estava a acontecer.

Fez os exames necessário e descobriu-se que o seu problema era devido a ter "pedra na vesícula": uma das pedras tinha migrado e entupido na via biliar. Era uma doença de óptimo prognóstico. Fica internada para tratamento e inicia a avaliação pré-operatória. Durante o internamento fica colocada ao lado de outra velhinha, com um problema de saúde semelhante: uma colecistite - inflamação da vesícula biliar, mas sem infecção. Durante os dias de tratamento ficam grandes amigas. Ao fim de uma semana, estão perfeitamente bem, mas como se conseguiu vaga para as operar na segunda-feira seguinte, mantêm-se internadas. É-lhes dada a possibilidade de irem de fim-de-semana e voltarem na segunda-feira. Como ambas moravam sozinhas, resolvem ficar (as duas) para fazer companhia uma à outra.

Na segunda-feira, são operadas as duas. A mais simples, por via laparoscópica (através de uns tubos e uma câmara de vídeo colocados dentro da barriga). À "velhinha" é-lhe explicado que tem que se abrir a barriga, porque apesar de a "pedra" já ter sido expulsa, é preciso explorar o canal, para ver se não ficou lá mais nenhuma. Logo aí, concorda, mas fica algo desconfiada: "Doutor, diz para mim. Tenho alguma coisa de mal dentro de mim?" Digo-lhe que não, que aquele é o procedimento habitual, para não se preocupar que uns dias depois da operação fica tudo bem. É finalmente operada por via clássica (de barriga aberta), mas como existem algumas dúvidas durante a cirurgia, opta-se por colocar no canal biliar um dreno para o exterior.

Na manhã seguinte encontro as duas perfeitamente acordadas e sem dores. A "nossa velhinha" olha-me muito séria e diz: "Doutor, você mentiu para mim... Eu tenho alguma coisa de ruim. Diz a verdade para mim". Lá lhe explico o que se passou e que o dreno foi colocado por precaução. Que passados uns dias podia ir para casa e passadas cerca de 3 semanas podia vir tirar o dreno.
E assim foi. Passados 3 dias, tinham alta as duas (duas das doentes mais simpáticas com que contactei, por sinal. Gente simples, mas educada e interessada) risonhas e bem-dispostas. Trocaram números de telefone e prometeram-se visitas...

Passado cerca de uma semana, aparece-me no serviço preocupada. Que teve outra vez febre e dor no hipocôndrio. Fazemos uns exames e está tudo bem. Vai de novo para casa, com a indicação de voltar, se alguma coisa acontecer. Lá vai, não muito convencida. Mas não sem antes perguntar de novo: "Doutor, diz a verdade para mim. Tenho alguma coisa de mal?" Explico-lhe de novo que não, que por vezes são reacções que ocorrem aos drenos. O dreno, por sinal, está em bom estado e a drenar cada vez menos.

Às 3 semanas, volta. Tudo correu bem e quer saber se pode tirar o dreno. Opta-se por manter mais uma semana, visto que ainda drena um volume importante. Fica de novo desconfiada e diz: "Doutor: você está mentindo para mim... Eu tenho mas é alguma coisa má!" De novo é assegurada que não. Que está tudo a correr de uma forma normal. Programa-se novo internamento para a semana seguinte, para retirar o dreno.

Regresa na semana seguinte para retirar o dreno. É necessário fazer um novo exame, para saber se o canal está permeável e se se pode tirar o dreno em segurança. Marca-se o exame para o dia seguinte. Corre tudo bem, e durante o exame o Radiologista, perde algum tempo a explicar-nos as imagens que se vêem. Quando regressa ao internamento pergunta-me: "Doutor. Eu vi você a falar muito tempo acerca do meu exame. Tem alguma coisa de mal? Diz a verdade para mim". Desta vez não consigo conter um sorriso e asseguro-lhe mais uma vez que está tudo bem e que no dia seguinte pode tirar o dreno. E assim é. Retira no dia seguinte e mais um dia depois, tem alta definitivamente "como nova".

Despeço-me dela enternecido. Ao que lhe digo: "Adeus D. Alice. Desta vez é de vez...", ao que ela me responde: "Espero que sim doutor, mas eu venho fazer uma visita para você!"

Comentários:

Estava a ver que lhe iam acabar por descobrir mais alguma coisa e te fo****. Infelizmente os médicos não contam muitas vezes a verdade aos pacientes, nomeadamente no caso de neoplasias. Não a culpo por ser desconfiada. Teve sorte de ter sempre um bom médico "à mão" que a foi esclarecendo e sossegando.  

Não para te contradizer mas para te completar acrescento: felizmente ainda há médicos que, no interesse dos seus doentes, optam por não contar toda a verdade. Bem hajam!  

Essa do bom médico era para mim???
Eu também não a censuro por perguntar, até porque o fez sempre de uma forma correcta, mas não posso deixar de "sorrir" quando me lembro dessa incredulidade.  

Já agora, talvez não fosse má ideia ires rever o prognóstico da colangite...  

De facto, "óptimo prognóstico" é um bocado exagerado... Mea Culpa! Mas naquela doente em particular o prognóstico era bom...  
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Sim, onde estava?

Segundo o JN Luís Filipe Menezes pergunta:
"Onde estava a Comunicação Social quando Mário Soares prolongava as visitas
oficiais a Paris para comprar livros? Onde está agora, para criticar o passeio
de Jorge Sampaio e mais 250 magnatas pela muralha da China?"

Comparado com esta visita à China, os "mergulhos para exploração de petróleo no mar de S. Tomé e Príncipe são uma brincadeira de meninos. Ainda não é claro para ninguém (curiosamente nem para os partidos de esquerda), o que é que o cenoura foi fazer à China com tantos empresários (à custa do erário púlbico)? Estimular cooperação bilateral? Estimular o crescimento económico? Quem ganha com isso? Os portugueses que vão ficar desempregados, devido à deslocalização de empresas patrocinadas por Sampaio? Ou os empresários a quem foi oferecida uma viagem à China? (Note-se só, que quanto à viagem do Presidente da República, sou totalmente a favor. É um estímulo à cooperação bilateral e às relações diplomáticas... não precisa é de levar tantos amiguinhos atrás!)

Só mais uma pergunta: Será que foi Mário Soares a pagar a viagem às Seychelles para andar de tartaruga?


domingo, janeiro 16, 2005

Regressão

Mãe e pai jovens e saudáveis. Criança nascida há 7 meses, aproximadamente na altura em que se casaram, um pouco contra a vontade dos pais. Por falta de emprego e de "apoio familiar" resolveram imigrar. Tinham ouvido dizer que na Suiça havia boas oportunidades de emprego. E lá foram os dois (ou melhor, os três) à aventura...
No início tudo correu bem. Depressa arranjaram emprego. Nas primeiras semanas tiveram o apoio de um primo que lá estava. A vida estava a melhorar e a sua filha, cada dia tinha novas habilidades para mostrar. Primeiro começou a fixar neles o olhar, depois começou a sorrir, mais tarde, começou a levantar a cabeça. Para esta jovem família, parecia que estava reservada um final feliz, aquele final próprio das histórias em que o bem acaba por triunfar.

É então que a mãe começa a reparar que há algo de anormal na sua filha. Primeiro começa a "atirar a cabeça para trás". Os amigos diziam que era um jeito. Depois começa a esticar os braços e a "virar as mãos para fora". Tudo vai evoluindo em poucas semanas. Os sorrisos diminuem. O tempo passado nesta postura estranha aumenta. Começa a contrair o corpo todo, com a cabeça "atirada para trás". Cerca de 3 semanas tinham passado, quando começam a achar que, se calhar não era só um "jeito". Resolvem levá-la ao médico; privado lá na Suiça. Diz-lhes que não sabe o que tem a filha, mas que pode ser grave e por isso o melhor é regressarem a Portugal (empurrados claro está para o "estado previdência" - que é por isso que os outros são ricos!).

Regressam de imediato. No dia seguinte estão no aeroporto e daí seguem directamente para o Hospital. Nem em casa passam. A bebé (agora com 7 meses) entra silenciosa. Em opistótono (o que quer dizer que todo o seu corpo está assente na nuca e nos calcanhares) e em postura de descerebração (os braços esticados com rotação dos pulsos para fora), o que traduz uma lesão gravíssima do sistema nervoso central, provavelmente irreversível. Contudo, passados alguns minutos, está mais reactiva e já com uma postura normal. Esta alternância entre um estado praticamente normal e outro de profunda lesão do sistema nervoso é muito raro.
O diagnóstico desta menina, ainda ninguém sabe. Esperam-se que os resultados dos exames auxiliares de diagnóstico venham trazer alguma luz sobre o que se passa. O que parece certo é que dificilmente esta criança voltará a ser normal. A regressão de capacidades que tinha adquirido e os défices neurológicos que apresenta, assim o indicam.

A doença é sempre cruel, principalmente quando é grave, mas quando atinge desta forma vidas tão jovens é ainda mais horrível. Esperemos que a Medicina possa pelo menos aliviar este sofrimento...

Comentários:

Cientificamente é um caso curioso, humanamente é mais uma tragédia. Coitada da família.  

Muito triste. Tomara que consigam descobrir. Para poder ajudar outros com o mesmo caso...  

Lembro-me quando o meu filho nasceu a 1ª coisa que perguntei, ainda mesmo antes de o ver: Está tudo bem com ele? É perfeito?

Mas NUNCA me passou pela cabeça que viesse posteriormente a ter problemas de desenvolvimento ou outros do género(não conheço os termos médicos. Acho que nenhum pai está preparado para isso.

Triste sina a destes pais. Boa sorte para eles e que tenham um grande apoio dos muitos e bons profissionais que por aí trabalham e ajudam quem tem filhos nestas condições.

I.  
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Pregador dominical

Como "perco" cada vez mais tempo a vadiar pelos jornais/blogosfera resolvi passar a reunir para vosso deleite os melhores / mais polémicos posts (extra situações médicas) que encontrei durante a semana. Assim terão aqui no " A culpa é do médico" um apanhado de comentários e notícias que vos permitirão "desbloquear" qualquer conversa. Obviamente que a minha opinião sobre o assunto cria um viés de selecção que espero contrabalançado pelos vossos comentários.

1º O Papa João Paulo II respondeu, em Janeiro de 2002, com um apelo aos "advogados católicos": que se recusem a tratar de processos de divórcio invocando objecção de consciência, pois o divórcio é «sempre um mal» e «contrário à justiça». no Terra da Alegria

"O princípio da não escolha é fundamental para que se mantenha o dogma da igualdade" no Público

3º "Portugal, é tempo de te deixares de choradeiras, não achas?" Estamos de ressaca, assim diz no DN

4º "dois irmãos de avançada idade que sempre viveram juntos, ou uma velha senhora e a sua «governanta» de 50 anos, que queiram - e estão no direito - de assegurar alguma forma de juridicidade ao seu longo relacionamento" . Outra visão d' O casamento

Um Tribunal federal do Estado da Geórgia (Estados Unidos) considerou inconstitucional um autocolante aplicado em milhares de livros que descrevem a teoria da evolução das espécies com a advertência "Evolution is a theory, not a fact". (CNN).

"Mais de metade das tarefas prestadas pelo Estado, ou 65,8 por cento do seu trabalho diário, destina-se a organismos próprios, enquanto os cidadãos e empresas absorvem apenas o restante (34,2 por cento) do tempo e recursos públicos disponíveis". Público +1x

7º Os terroristas agradecem a Sharon e a Pavlov. No barnabé




Para não ser só política

Mais uma do JC que me fez sorrir:

(comentário pré-consulta: "Aiii... A próxima é uma chata, não vem cá fazer nada... Já lhe tentei dar alta da consulta - da qual já não precisa - mas volta sempre cá! E para nada... Vais ver...")

- Ora bom dia, D. Luísa, pode entrar! Este é o Dr. JC, está aqui a ajudar-me nas consultas hoje.
- Bom dia, Drª, muito prazer Dr! Ai é tão novinho, faz lembrar o meu neto, o Manuel, também é assim rechonchudinho! Sem ofensa sôtor! Posso sentar, Drª? Obrigada!
- Faça fav...
- Ai, já estou lá fora há tanto tempo, que nem sei, Drª, a gente vem para aqui às 8h00 e é um dia perdido! Levamos o dia todo nestas andanças! Estava até a comentar com uma senhora ali na sala de espera, que tem problemas nos joelhos e não pode andar, tem que apanhar a carreira quando tem que vir ao hospital à consulta da Drª Mariana, que está aqui no consultório ao lado, mas ela vem cá é por causa das coisas das senhoras, né, não é dos joelhos que isso é com o Dr. António, o ortopedista daqui, conhece Drª? É que...
- Oh D. Luísa, espere lá um bocadinho! Deixe lá a sua amiga e conte-me de si, o que é que a traz por cá desta vez?
- Nem sabe Drª, tenho passado mal, mal, mal! A minha cabeça dói-me que é uma coisa que nem imagina Drª!
- Mas D. Luísa, isto é a consulta de Ginecologia, já falou disso à Médica de Família?
- Já, Drª, e até já estou a tomar uns comprimidos, parece que é "Amigan" ou qualquer coisa assim... Eu queria tomar um que é o... ai, não me lembra, mas que a minha cunhada, sabe a Almerinda, também é doente da Drª, tem um problema nos ovários, coitadinha, mas ela tomava um, né, que lhe fazia maravilhas! Eu quis tomar esse, mas a Drª. da caixa não mo deu...
- Então mas diga lá, a senhora foi operada há seis anos, não é?
- É Drª, tirou-me tudo cá de baixo, lembra-se? Eu andava a perder sangue...
- Pois, D. Luísa era isso, sim... E agora, passa-se alguma coisa? Tem sangrado, doído, alguma coisa diferente?
- Não, Drª, nada disso! Vinha era cá mostrar uns exames que a Drª. da caixa me passou, para a Drª escrever aí nos seus papéis! São estes, olhe... [surge um saco de plástico do Jumbo, de onde tira uns três quilos de papel - ecografias com 10 anos, análises laboratoriais desde mil novecentos e troca o passo, e tudo o mais que se possa imaginar - e começa o seu complexo processo de triagem em cima da mesa] Ora estas são antigas... Estas também... Ah, estas são as da vesícula, quer ve-las?
- Oh D. Luísa espere aí... Veja lá só as que têm a ver com a ginecologia, as mais recentes, veja lá...
- Espere lá, estão práqui algures... Ora, AH! Estas são as dos ossos, sotôra, a Médica de Família disse que estava tudo bem, mas eu queria mostrar também a si...
- Está tudo bem, sim senhora, D. Luísa, mas não era preciso vir aqui se já tinha ido à Médica de Familia mostrar e se estava tudo bem...
- Ah, mas eu sei lá, sabe como são esses médicos da caixa... O meu doutor da privada também os viu, mas como é uma coisa que a Doutora já me tinha passado uma vez achei que também devia ve-las!!
- Enfim, mas está tudo bem... Mas alguma coisa, D. Luísa?
- Ah, não, Doutora, tenho andado muito bem... Mas diga-me la, está tudo bem com o seu marido? E os filhos? Estão grandes, né? Eles crescem, olhe, os meus já estão grandes e só fazem disparates, valha-me Nossa Senhora... O mais novo não quer estudar, só quer é copos e meninas, veja lá... A minha Josefa casou agora com o filho da Manuela, a florista, a que...

(...) [Pretendo com esta omissão não aborrecer os eventuais leitores com a vida da D. Luísa. Fique a ideia de que a conversa se prolongou por 15 minutos, com temas absolutamente irrelevantes para a consulta. Muitas foram as tentativas de terminar a consulta, mas absolutamente inglórias...]

... e o mais velho lá anda, na vida dele... Enfim, Doutora, tenho mesmo que ir, a camioneta da carreira deve estar quase a passar, e como perdi aqui a manhã inteira tenho que ir cozinhar o almoço ao meu Manuel!
- Vá lá então, D. Luísa, não perca a camioneta...
- Adeus, dê cá um beijinho doutora, e Doutor, muito prazer e felicidades! É tão novinho, credo, custa a crer que é Doutor também...

Comentários:

Francisco, o teu comentário no meu post (lá do outro lado) deve ter ficado incompleto...
Diz?  

Tens razão. Por qualquer motivo não ficou bem. Estava só a expressar como esta história me faz lembrar consultas que presenciei.  
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sábado, janeiro 15, 2005

Mais uma vez, A CULPA É do médico

Podemos ler no Público que a Inspecção Geral de Saúde, está a investigar os "atestados falsos" dos concursos dos professores e promete já sanções implacáveis para os médicos, indo mesmo até à "expulsão da função pública".
Obviamente que A CULPA É do médico, esse ser ignóbil e mentiroso, que em troca do dinheiro da consulta (pelo trabalho que está a efectuar), ou mesmo em troca do facto de não ser insultado no Centro de Saúde, de ânimo leve atesta uma doença por SUA HONRA. A culpa não é dos milhares de professores, que PEDIRAM esses falsos atestados. Se em alguns casos, os médicos têm obrigação de distinguir entre um pedido correcto e um fraudulento, os "requisitantes" dos atestados sabem SEMPRE quando isso corresponde ou não à verdade.

Longe de mim defender os profissionais médicos que, de facto, passaram atestados médicos falsos. Em todas as circunstâncias em que isso se prove, devem ser condenados pelas entidades competentes. Mas, ainda alguém me há-de um dia explicar, como se comprova clinicamente uma dor (entidade subjectiva percepcionada pelo doente) de costas, uma dispneia (sensação subjectiva de "falta de ar"), ou uma depressão. Existe toda uma série de entidades clínicas, cujo diagnóstico depende não daquilo que demonstram os exames auxiliares de diagnóstico, mas sim da avaliação clínica. E esta avaliação clínica tem de ser baseada naquilo que o doente diz, e na presunção de que o doente fala verdade. Nenhuma "junta médica" pode provar que uma pessoa não tem uma Depressão, ou uma perturbação da Ansiedade, ou mesmo uma Lombalgia.
Uma coisa é o médico, tendo consciência de que a pessoa que tem à sua frente não tem qualquer problema, ateste a sua doença. Outra coisa bem diferente é o médico, atestar a doença, baseado nas queixas que a pessoa lhe apresenta. O primeiro caso, encerra uma fraude em si mesmo. O segundo, dependendo da "história" apresentada, representa no máximo um "desleixo" ou "ingenuidade".

Ou seja, o próprio sistema de "atestados médicos" (ainda para mais, requeridos para tudo e mais alguma coisa, conforme já foi aqui apresentado - mas isso é outra história) encerra em si mesmo um enviezamento potencialmente fatal: o médico, atesta por sua honra, algo do qual na verdade, não pode ter absoluta certeza. Desta forma, a responsabilidade pelo atestado tem de se diluir entre o médico e o doente, pelo que será praticamente impossível provar a fraude e atribuir a culpa: o médico atestou sabendo que a doença não existia (e aí a culpa é dele) ou atestou porque acreditava que a doença existia e foi enganado pelo doente (e aí a culpa é deste)?

Talvez seja altura de repensar todo o sistema de atestados de doença. Uma sugestão apenas: quem atesta a doença é o próprio doente, ficando reservado para o médico o papel de relatar as doenças ou suas consequências, com base em factos objectivos - tem ou não hipertensão, tem ou não uma pneumonia, tem ou não uma neoplasia, etc... Desta forma pelo menos, a haver fraude, ficamos a saber verdadeiramente de quem é a culpa.

Para já, aposto que nada se vai provar - nem contra os médicos, nem contra os professores (sendo que estes, mesmo não sendo totalmente responsáveis, têm pelo menos o estatuto de cúmplices nos atestados fraudulentos) e temo que mais uma vez a CULPA vai morrer solteira...


Comentários:

Talvez se pudesse mudar o título deste blog. Em vez de "A culpa é do médico" talvez fosse mais correcto chamar-se "A culpa nunca é do médico".  

Não concordo com a tua proposta. Tb seria impossivel provar que o doente não estava a dizer a verdade. Se tiver que ser um médico a passar o atestado há alguns truques que pode usar para tentar diferenciar as situações. Para resolver toda esta questão (atestados falsos e má reputação dos médicos) eu acho que atestados com mais de 3 dias sem internamento hospitalar necessitavam de ser confirmados por uma junta médica.  

Caro Luís Aguiar-Conraria,

Esta história faz-me lembrar o "caso Melancia", em que há corrompidos sem haver corruptores!!!
Haja bom-senso e que se punam os culpados (os médicos fraudulentos também, mas que não sejam só estes a pagar!)  
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Podiam pedir ao cenoura para inaugurar...

Segundo o Público:
China quer construir auto-estrada flutuante até Taiwan
A China quer mostrar ao mundo a sua soberania sobre Taiwan e propõe-se avançar com um projecto de engenharia épico: construir uma auto-estrada que ligue o país àquela ilha. O ministro das comunicações chinês anunciou que serão investidos mais de 241 mil milhões de dólares para erguer 34 auto-estradas nos próximos 20 a 30 anos, uma das quais ligará a China a Taiwan, "através de um túnel ou algo no género".

Será que não podiam pedir ao cenoura para a inaugurar? Podia ser que ficasse por lá! Sempre podia ir pregar estabilidade para Taiwan... ou então rezar pela estabilidade da dita... a ponte!

Comentários:

CLIQUE AQUI  

Caro Medman,

Tenho lido com agrado este vosso interessante blog, mas não pude deixar passar em claro este seu último post.
Além do absoluto ridículo da associação que aqui tenta estabelecer, totalmente infundamentada e desprovida de sentido lógico, parece-me que começa a prefigurar-se como profundamente deselegante e de uma séria falta de educação, a forma como vem recorrentemente designando o nosso Presidente da República, concorde ou não com as ideias dele.

Esperando que continuem com o espírito crítico,

Elisabete Maria Pereira
(Setúbal, Professora de Português)  

Eu tb tenho que dizer que o PR foi à China com a maior delegação de empresários de sempre a um país e que os frutos desta deslocação serão certamente benéficos para Portugal.
A questão de Taiwan: isso é apenas propaganda política. Os EUA protegem Taiwan e não deixarão os chineses apoderar-se da ilha (a não ser que ameacem fichar as fábricas da Nike na China:)).  
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Ministro Chinês

Foi pura sorte, ter descoberto esta notícia no JN...
O desabafo é da muito jovem e muito bem disposta professora de Português da Universidade da Comunicação de Pequim. "O mais difícil da vossa língua são os
erres
, um som que nós não temos".

Está tudo explicado... A dificuldade em dizer os erres de um certo Ministro de Gestão devem ser por ele ser Chinês... Coitadito, podia ter aproveitado para visitar a família... E o chato do tio Cenoura que não o levou. Parece que lhe deu a escolher: ou a China ou S. Tomé!

Comentários:

Só uma nota para lembrar a Blogosfera de que embora o sopinha de massas tenha preferido ir para S. Tomé passar férias, 2 ministros do Governo de Gestão integraram a comitiva do Presidente da República na viagem à China.
Quer isto, portanto, dizer que o Governo de GESTÃO arranjou motivos de GESTÃO suficientes para ter 3 Ministros de GESTÃO a viajar ao mesmo tempo...  

Acho que viajar em trabalho faz parte das competências de um governo em Gestão. Vocês tb são maus!!  
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Jornalistas, uma vez mais...

Passem por aqui para ver estas fantásticas notícias do JN...

Apenas um cheirinho, como diria o JC: (os comentário "a cores" são meus...)

Mas pudemos todos ler e aprender que:-
"uma respiração correcta pode ... melhorar a longevidade" e o que é uma respiração correcta? "respiração profunda e completa". Um suspiro!
- "a maioria das pessoas respira mal porque desaprendeu." Ok, tudo para a escolinha. A mim sempre me ensinaram que respirar era um acto reflexo e independente da vontade.
- "... esse acto [respirar] que nos faz estar vivos". Lapalisse existiu?
- Esta premissa científica ainda não a consegui entender: "A importância da respiração é inversamente proporcional ao tempo que conseguimos estar sem receber oxigénio" - ou seja, quanto mais depressa respirarmos, mais importantes são as "respiradelas"...???
- "É possível passar horas, dias, sem comer ou beber, mas bastam alguns minutos sem ar para morrer." - e sem pensar... quanto tempo conseguem estar?

- "Maniche (F.C.Porto), operado a uma hernia enguinal"
...extraíram a enguia ao Maniche. Coitado do homem!... - deve ter sido para alimentar o Pitbull


sexta-feira, janeiro 14, 2005

Tadinhas das crianças...

É verdade, ontem durante a noite, enquanto a maioria dos portugueses se divertia com as danças tradicionais do minho, brilhantemente interpretadas pelo cenoura (esse grande estilista de roupa de criança...), algures num Serviço de Urgência de Pediatria, iniciava o meu primeiro turno nocturno deste ano... Desgraçadas crianças que vão ao SU de Pediatria... Não, não é dos médicos que elas têm que se proteger - é dos próprios PAIS. Apenas alguns exemplos:

3 da manhã: criança reactiva e bem-disposta. Que acordou a gemer. Resultado: logo carregada para o Hospital, onde chegou reactiva e bem-disposta. Sem alterações clínicas. 3 horas à espera de um xixi. Xixi normal. Volta para casa de onde não devia ter saído! Deixem a criatura dormir...

5 da manhã: uma criança para atender. Há 2 meses, que tem uma otite. Fez antibiótico, o antibiótico não resolveu. A otite vai agravando... alastra. Os sinais inflamatórios pioram. É de novo assistida no Pediatra assistente. Tenta um novo antibiótico e recomenda recorrer ao SU se passados 3/4 dias não estiver melhor. Trazem a pobre da criança ao SU às 5 da manhã? Será que lhes parou o relógio? Ainda para ajudar, a otomastoidite (é assim que se chama...) da criança precisa de ser avaliada pelo Otorrino, que só entra às 8 da manhã.

7 da manhã: mãe ansiosíssima. Que a filha "está a arder em febre" desde a meia-noite. Que lhe deu um supositório e melhorou, mas acordou às 6 e tinha 39,5ºC. Novo Ben-u-ron. Desta vez diz que não funcionou. O que é certo é que a criança no SU tinha 36,4ºC. Sem mais sinais de alerta. Recambiada para casa com vigilância. Pois é... o supositório não funciona de imediato... é preciso esperar uns minutos!

Não CORRAM para a Urgência... É o pior sítio para onde podem levar a criança saudável. Deixem o SU para as crianças verdadeiramente doentes!

Como é que consegui chegar a esta idade, sem ter sido levado a meio da noite para um SU??? Se calhar da mesma forma que passei sem telemóveis, playstations ou Action-mans... As crianças já não têm a mesma fibra... Ou melhor, os pais das crianças já não têm a mesma fibra. As crianças coitadas, lá vão aguentando...

Comentários:

Realmente as falsas urgências eram muitas quando fiz o SU de Pediatria. Mas não julgo, já que eu tenho obrigação de saber quais os verdadeiros sinais de alerta e a maioria dos pais não. Talvez devesse ser dada mais informação às "novas" mães logo na maternidade.  

Pois... Não Corram.

Mas levem-nas para onde?

Aos SASUS??? onde se chega a experar 4 horas com uma criança a arder em febre (após Ben-U-Ron e 4h depois Brufen) com febre sem baixar dos 39º, a fazer compressas de água fria (numa sala dos enfermeiros do centro de saúde) sabendo que a solução seria um antibiórico para a 1ª Otite.

Perdoe o comentário, acredito que a culpa não seja dos médicos... mas há tanta falta de vontade.... enfim


I.  

Essa é uma situação em que deve ir ao SU... Já se a febre tivesse baixado com o brufen e o ben-u-ron, o caso mudava de figura... O que eu digo é que é preciso esperar um pouco para ver no que dá... Não se pode pôr o ben-u-ron e esperar que 5 minutos depois esteja tudo bem... Se ao fim de 2 horas continua tudo na mesma... aí já ninguém pode ser criticado! Não tem nada que pedir desculpa pelo comentário, é para isso que eles são abertos a todos!  

Sabe doutor detesto hospitais. E mais ainda serviços de urgência. Centros de Saúde enfim... Não tenho nada contra os médicos... Contra os bons médicos... e esses são cada vez mais - RAROS!....
Das coisas que mais me impressionou nos hospitais, nomeadamente no Santo António (Porto) foi: um dia em que ocasionalmente reparava na parede da Sala de Espera da antiga porta principal do referido hospital a quantidade de nomes de profissionais que morreram (e provalvelmente continuam a morrer) vítimas de doenças contraídas no exercício das suas profissões.
Ora estamos a falar de um hospital com centenas de anos.
Se imaginarmos a quantidade de doenças, doentes e profissionais, que por lá passaram, por locais nem sempre bem limpos, por locais mal ventilados.... por sistemas de ar condicionado nunca substituídos... enfim levar uma criança para um lugar desses não é será sempre a última opção...
Por outro lado a falta de opção dos centros de saúde na área da pediatria levou-me a procurar um pediatra particular... mas que não tem que estar disponível 24h.
Não é fácil ser pai... não é fácil ter filhos doentes... e quando temos um sistema de saúde, que não diria mau, mas muito mal organizado, burocrático a ao vento dos interesses superiores...

Este comentário está confuso mas espero que o entenda.

I.  
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Olha outro

Depois dos magníficos exemplos de coerência dados pelo Cenoura (que espectáculo bonito vê-lo a dançar o Vira... o pior é que vira e torna a virar, pelo que acaba por ficar no mesmo sítio - esse palácio que tem em frente um restaurante chinês que ele frequenta com muito prazer - obrigado por ter partilhado isso connosco), eis que outro membro da mesma linha política (sim, aquela na qual todos devemos votar no próximo mês, em nome da estabilidade nacional!!!!), nos presenteia com mais uma pérola da coerência.

Ou seja, a 21 de Setembro, esse senhor disse que a anunciada retirada de benefícios fiscais "É mais um ataque deste Governo à classe média, a que faremos oposição, porque são medidas iníquas, injustas e reveladoras de grande insensibilidade social"
E em 13 de Janeiro, diz que afinal vai manter a redução dos benefícios fiscais, a bem da "estabilidade fiscal"... É caso para dizer, nós somos contra, mas só um bocadinho...

E pensar que alegadamente foi por isto que a "futura maioria parlamentar" votou contra e tanto criticou o actual orçamento de estado...

Comentários:

Suponhamos portanto, hipoteticamente, que o Dr. Medman, que já havia optado por prescindir da abrir uma Conta Poupança Habitação ao não poder usufruir de benifícios fiscais para 2005, resolveu investir, de outra qualquer forma, o mesmo dinheiro.
Ora, com a tomada em posse do novo Governo Socialista, o Dr. Medman descobria, por infortúnio, que afinal sempre iriam existir benefícios fiscais, mas com a contrapartida de aumentar o IRS!
E agora?! Com o dinheirinho empatado, o Dr. Medman não só já não podia fazer a sua poupança habitação, como ainda iria ter de arrotar mais uns contos de reis no IRS.

O Dr. Medman esquece-se que a economia carece de estabilidade e que a conduta responsável nem sempre é aquela que nos permite fazer tudo aquilo que gostaríamos...
Parece-me, portanto, prudente, que o Eng. Sócrates tenha optado por deixar os benefícios fiscais para 2006 (como, de resto, já hoje teve oportunidade de esclarecer).

Com os mais respeitosos cumprimentos,

António Dias Gonçalves - Economista  

Esse "suponhamos" até poderia fazer sentido se não estivéssemos em Janeiro...  

Ah... e obrigado pela visita e pelo comentário!
Espero que possa voltar.  

Clara contradição (a justificação do António Gonçalves tb não me convence). O mesmo se aplica para o código do trabalho. Na verdade eu penso que o Eng. Sócrates é dentro do PS um ala direito. Eu, que sou a favor de eles acabarem (só as classes altas e médias é que as utilizavam para pagar menos impostos; complicam imenso a verificação das declarações fiscais acabando por facilitar a fuga aos impostos )é que fico contente.  
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Melinda & Melinda

Fui há dias ver o último de Woody Allen: Melinda & Melinda.
A ideia é simples: dois encenadores de teatro, um cómico e um dramático, discutem, à mesa do café, as suas perspectivas divergentes sobre uma mesma história, relatando-a cada um à sua maneira... O tema era promissor, com um póster a condizer.
Allen consegue dissecar, à vista do espectador e de forma surpreendente, a estrutura dos dois géneros - Trágico e Cómico - apenas para para nos mostrar que para cada moeda existem sempre duas faces e que o facto de as coisas terminarem bem ou mal não depende tanto das circunstâncias, mas antes da nosso espírito e perspectiva sobre as mesmas.
O resto é puro Woody Allen, ainda que com algum sabor a desilusão, ao subaproveitar, nos pormenores, um mote tão cheio de possibilidades... Destaque ainda para a brilhante interpretação bipolar de Radha Mitchel, basculando entre a Neurótica e a Cameron Diaz.
Não posso dizer que foi o filme da minha vida ... mas também não dei o dinheiro dos bilhetes por mal empregue...

quinta-feira, janeiro 13, 2005

O Sr. Director

Em Setembro de 2002 foi publicada na II Série do Diário da República a aposentação do Exmº. Senhor Juiz Desembargador Dr. José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo, a quem foi atribuído o número de pensionista 438.881.

De facto, no dia 1 de Abril de 2002 o Dr. Branquinho Lobo havia sido sujeito a uma “Junta Médica” que, por força de uma doença do foro psiquiátrico, considerou a sua incapacidade para estar ao serviço do Estado, o que foi determinante para a sua passagem à aposentação.
De acordo com o disposto na alínea a) do nº 2 do artigo 37º do decreto-lei nº 498/72 de 9 de Dezembro, em caso de aposentação motivada por incapacidade ou doença, constitui regalia dos magistrados judiciais auferirem a sua pensão de aposentação por inteiro, como se tivessem todo o tempo de serviço para tal necessário. Por esse motivo, o Dr. Branquinho Lobo passou a auferir uma pensão de aposentação no montante de € 5.320,00.

Contudo, por resolução proferida no dia 30 de Julho de 2004, o Conselho de Ministros do Governo do Dr. Pedro Santana Lopes nomeou o Dr. Branquinho Lobo como Director Nacional da Polícia de Segurança Pública.
Desde então, o Dr. Branquinho Lobo acumula a sua pensão de aposentação por incapacidade com o vencimento de Director Nacional da P.S.P.

Moral da história:
Para ser Director Nacional da P.S.P. não é preciso ser doido.
Mas, pelos vistos, ajuda muito...

Notícia retirada do Random Precision.

Comentários:

Este devia ir directamente para a cadeia, sem passar na casa de partida... além de ter de devolver o dinheiro da "reforma".
E quem lha concedeu e quem o nomeou, também não devia ficar impune!  
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quarta-feira, janeiro 12, 2005

Programa de Governo 2

Conforme prometido ontem, hoje vou apresentar o meu programa de governo nas áreas do ambiente e da justiça. Vou tentar ser mais sucinto do que ontem, pelo que:

Ambiente
  • Independência energética nacional e substituição dos combustíveis fósseis. Aumento da capacidade produtiva das centrais hidroeléctricas com construção de novas barragens. Criação de mini-hídricas para situações e populações específicas que delas necessitem.
  • Instalação de uma central de energia nuclear junto à fronteira com Espanha (se já corremos o risco de um desastre nuclear, vamo pelo menos tirar o benefício energético desse risco).
  • Aumentar a produção de energia eólica, essencialmente de modo a tornar auto-suficientes, as pequenas vilas e cidades do interior (exceptuando a produção industrial), bem como os Açores e a Madeira.
  • Instalação de centrais produtoras de energia solar no Alentejo e Algarve, aproveitando os terrenos deixados ao abandono.
  • Instalação de centrais produtoras de energia geotérmica nos Açores.
  • Criação de um "imposto ambiental", que beneficie (isenção) as empresas com responsabilidade ambiental e que cumpram todos os requisitos a nível ambiental.
  • Diminuição do IVA para 5% em todos os produtos reciclados.
  • Recolha selectiva de lixos (ex. lixo orgânico à 2ª, 4ª e 6ª, vidro à 3ª, papel e plástico à 5ª), com multas para quem não separar correctamente os lixos.

Justiça
  • Final do periodo de férias judiciais. Regime de férias "rotativo" semelhante ao de toda a restante função pública.
  • Aumento das custas fiscais para juízos de recurso. Limitação do número de recursos.
  • Diminuição dos prazos para tramitações legais.
  • Faltas a julgamentos não podem atrasar os processos. O réu pode ser julgado mesmo sem estar presente.
  • Tribunal específico para crimes económicos. Pena para crimes económicos deve ser preferencialmente monetária (ex. Indemnização 10x superior ao delito cometido).
  • Condenados a penas de prisão, devem efectuar serviços cívicos (limpeza de matas, p. ex.)
  • Diminuição dos prazos de prisão preventiva.
  • Nenhum crime de agressão corporal ou homicídio deverá prescrever.
  • Informatização dos processos legais e junção dos julgamentos para um mesmo arguido.
Amanhã estou de urgência, pelo que não deve haver post para ninguém... Conto com os outros colaboradores do blog, para manter isto activo...

Comentários:

Com as políticas de ambiente e de justiça já concordo em prticamente todos os tópicos. Só um aparte, nos Açores já existem centrais geotérmicas. O que não invalida a construção de mais... Na substituição dos combustíveis fósseis saliento a construção de veículos automóveis movidos a hidrogénio (a começar pelos transportes públicos).  

Hum...
Se te propuseres para ministro do ambiente ou justiça sou capaz de votar em ti!
O mesmo não diria se fosses candidato a ministro da educação! ;)  

Considere o meu Voto :)

Finurias
www.cagalhoum.blogspot.com  

Ambiente: - concordo com a tua opção arriscada e (espantosamente pouco) polémica sobre a central nuclear. - não vejo o interesse de pôr centrais de energia renováveis localizadas para fornecer electicidade para populações específicas. Elas devem ser colocadas onde dêm maior rendimento (independentemente de fornecerem energia para Lisboa ou Porto).
- não concordo com a recolha selectiva do lixo. Acho o sistema actual melhor: todos os dias o lixo orgânico e o lixo "separado" é recolhido.
- tb já há autocarros a gás no porto. Concordo que devam ser vulgarizados (porque aparentemente são melhores para o ambiente apesar de não ficarem mais baratos).
- Faltou o inicio do tratamento dos resídos industriais perigos (co-inceneração ou inceneração dedicada ?), protecção da orla costeira e dos parques (nomeadamente do sector imobiliário), poluição dos transportes urbanos, etc. Problemas complicados.

Justiça: tal como disse sei pouco sobre este assunto e tudo o que dizes parece lógico mas não sei se funcionaria na prática.  
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terça-feira, janeiro 11, 2005

Programa de Governo

Respondendo ao repto aqui deixado pelo Francisco, também o "A culpa é do médico" quer deixar o seu programa de governo... Para que não fique uma mensagem demasiado longa e de forma a facilitar a discussão, o "programa de governo" vai aparecer em várias mensagens durante os próximos dias, organizado por "assuntos". Aguardo comentários e discussão, sendo que a maioria das ideias vêm já de há algum tempo (outras nem por isso), mas acima de tudo pretendem transmitir a ideia de que é possível mudar e fazer coisas diferentes (espero que para melhor...)

Caso seja eleito prometo:
Educação (a paixão de um ex-PM, que como tal, foi intensa mas muito passageira)

  1. Remodelar o sistema de ensino, passando o ensino essencial (12 anos) a ser organizado em 4 ciclos de 3 anos cada um com exames nacionais no final de cada ciclo.
    • Ciclo elementar - 1º a 3º ano; com ensino em monodocência acerca de conhecimentos fundamentais (semelhante à actual escola primária), com o ensino de 1 língua estrangeira.
    • Ciclo geral - 4º a 6º ano; com ensino em multidocência, organizado em áreas estruturantes longitudinalmente e articulação transversal; acerca de conhecimentos gerais diversos; ensino de 2 línguas estrangeiras.
    • Ciclo estruturante - 7º a 9º ano; dividido em 2 troncos (académico e profissional), como o próprio nome indica orientados para a prossecução de estudos ao nível do ensino superior ou para a habilitação directa para o mercado de trabalho no final do 12º ano. O tronco profissional seria iminentemente prático, permitiindo adquirir aptidões essenciais para desempenho de artes ou ofícios. Ensino de uma 3ª língua estrangeira (2 em simultâneo).
    • Ciclo complementar - 10º ao 12º ano; dividido em várias áreas do saber em cada um dos troncos, representando áreas de ciências básicas ou artes e ofícios.
  2. Em todos os ciclos e áreas, aposta em ensino da matemática e do português. Introdução de temas como educação cívica, sexual ou política.
  3. A nível administrativo, a gestão das escolas destes 4 ciclo passaria exclusivamente para as autarquias (incluindo o quadro de pessoal), restando um papel regulador e fiscalizador para o estado.
  4. Criação de quadros fixos de professores por escola, com aumento do horário de trabalho efectivo para 35 horas por semana.
  5. Ensino obrigatório e gratuito até ao 12º ano. Áreas do tronco profissional devem ser escolhidas pela autarquia, de acordo com as necessidades e oportunidades previstas em cada região.
  6. Encerramento de todas as escolas com menos de 50 alunos que distem menos de 30 minutos de viagem de uma outra escola. Transporte escolar gratuito para todos os alunos.

Ensino Superior (sob o lema: não pagamos, não pagamos)

  1. Autonomia universitária total (incluindo financeira) para as universidades públicas, que devem ter sistemas de gestão semelhantes aos dos Hospitais SA.
  2. Formas de acesso à universidade e selecção de candidatos da exclusiva responsabilidade das universidades.
  3. Alteração do sistema de financiamento das universidades, terminando as contribuições directas do estado. Cada aluno deverá pagar uma propina (definida pela universidade) equivalente ao custo directo do curso. O estado, de acordo com o mérito académico, os rendimentos económicos e a "utilidade nacional" de cada aluno matriculado, deverá financiar directamente o aluno em pecentagens variáveis. Isto permite o financiamento preferencial (em instituições públicas ou privadas) de cursos de maior "utilidade" nacional (ex. diminuição da comparticipação de cursos de professores em áreas sobrecarregadas e com desemprego efectivo)

  4. O Estado assume o controlo de qualidade do ensino e encerra todos os cursos que não se qualifiquem.

  5. As universidades devem prestar serviços à comunidade, sendo recompensadas por isso (pareceres, trabalhos, investigação, etc...)

  6. Deverá ser incentivada a investigação científica em todas as áreas do saber, através da criação de bolsas de investigação que cubram os custos do projecto e prevejam os rendimentos pessoais dos investigadores - ou seja, profissionalização da investigação. Devem ser ainda privilegiadas as áreas das ciências da saúde, agricultura, telecomunicações e tecnologias da informação e desenvolvimento de novos materiais.

Para amanhã, prometo o programa de governo para a área do ambiente e justiça... A saúde fica para o fim!

Comentários:

Não concordo inteiramente com a questão de as propinas serem equivalentes ao custo directo do curso. Para além das propinas que pago (880 € por ano), já gastei só no primeiro semestre do primeiro ano do curso (Medicina) cerca de 1000 € em livros e outro material (não contando com fotocópias, que não são poucas). Pago por mês uma bela quantia em transportes! E eu, por acaso consegui ficar a estudar perto da minha área de residência, mas a maioria dos meus colegas são de bem longe e têm que alugar quartos/apartamentos, pois as residências universitárias não chegam (nem de longe) para toda a gente. Estes quartos custam, por mês, à volta de 300 €. Agora façam as contas e digam-me se ainda temos condições para pagar mais! Apesar de tudo, isto é ensino público... Em última instância, correm o risco de que só os ricos se formem em Medicina (para não falar de outros cursos...).

Outra coisa com a qual não concordo é o facto de as crianças de 12 anos terem que escolher se querem ou não seguir pelo ensino superior. É completamente irrealista, visto que até alguns alunos do 12º anos não sabem se querem parar os estudos ou continuar. Arriscam-se a terem muitos profissionais insatisfeitos e, assim, não há grande produtividade de certeza!

De resto, tem algumas sugestões a considerar...  

Bem, eu até nem sou assim contra as propinas mas acho que se podia arranjar outra solução qualquer (por exemplo, um recém-licenciado pagava um determinado valor à faculdade que frequentou mas só após auferir de um determinado salário - que seja já relativamente alto). Senão podemos mesmo cair na tentação de só as classes média, média-alta e a alta terem acesso ao ensino superior.
Não concordo muito com essa de fechar as escolas desde que haja uma a menos de 30 minutos de distância porque acho que desertifica as pequenas aldeias e concentra tudo nos centros (mesmo que estes centros não passem de pequenas vilas). Acho que só quem já viu o que isto provoca é que pode perceber (eu sou de lisboa, mas os meus pais são do norte e uma medida semelhante já foi tomada em certos sítios lá e não funciona lá mto bem)  

Parabéns Medman. Foste bastante mais organizado e completo do que eu e espero que consigamos ter um verdadeiro blogodebate. Discordâncias e/ou complementos:
Ensino essencial:
- faltou dizer que matérias vais cortar (é fácil acrescentar e ainda faltou informática); 1 sugestões: educação visual passar a opcional
- discordo da matemática obrigatória para todos a partir do 7º. Não tem utilidade prática (excepto as probabilidades), ajudava ao ponto de cima e para desenvolver a mente há outras formas (xadrez, debates, …)
- o encerramento das escolas consoante o nº de alunos deve ser diferenciado dependendo do ciclo
- a escola deve ter os livros obrigatórios que empresta aos alunos mediante caução
- Uma comissão de poder permitir que não se chegue ao 12º ano para começar a trabalhar
- Para ser obrigatório até ao 12º ano tem de haver um maior apoio social real aos mais carenciados (para compensar não estarem a trabalhar)
- Se obrigatório até ao 12º porquê troncos profissionais do 7º ao 9º?
Ensino superior:
- no teu esquema para quê haver escolas superiores públicas?
- a selecção dos candidatos tem que assentar no mérito (cujos critérios decide a universidade)
- os últimos 2 pontos já se fazem (não percebi o teu critério de escolha de áreas privilegiadas; eu por mim era na engenharia (todos os ramos); critério: maior potencial de proveitos económicos e para as empresas)
- todos os cursos deveriam ser avaliados por uma comissão com representantes do estado e da sociedade em vários tópicos e a avaliação seria pública
- só concordo com o teu financiamento se permitisse conjuntamente com o apoio social que um aluno com bom aproveitamento de uma família carenciada pudesse tirar medicina com tudo pago (não só a faculdade, mas tb os gastos mensais obrigatórios (comida, roupa, alimentação, livros,…)

O principal está dito. Para isto ser completo não te esqueças dos temas sociais (aborto, prostituição, drogas, emigração) e económicos/fiscais que eu gostava de saber a tua opinião. Já anseio pelo da saúde.  

Há realmente nas propostas apresentadas algumas boas ideias, mas discordo parcialmente em alguns pontos (curiosamente os mesmos referidos pelo MrX). Propinas a corresponderem aos valores reais dos cursos... pois, a mim parece-me que corríamos o risco de ter cursos para ricos e cursos para menos ricos (que os pobres, esses não comportam as despesas «colaterais»!). Financiamento pelo Estado? Tudo bem, mas só depois de pormos o Ministério das Finanças a funcionar como deve ser. Fartei-me de ver, enquanto estive a fazer o meu curso, muito boa gente com graves dificuldades para se manter a estudar sem qualquer espécie de apoio, enquanto outros havia que tinham bolsas e lugares em residências universitárias com lugar de estacionamento cativo para o carrinho último modelo!

Quanto à escolha da via de estudos logo no 7ºano... bem... muito, muito prematuro.  

Algumas respostas a pontos "polémicos"...
1. Financiamento do ensino superior. A proposta é precisamente que, com base no mérito e na "utilidade do curso", qualquer pessoa, independentemente do seu estrato social possa fazer qualquer curso com as propinas e as despesas associadas pagas. Pode eventualmente ser fomentado um esquema de pagamento retardado do curso, após integração na vida activa (esquema muito utilizado nos EUA).
Esta proposta de sistema, implica um benefício real para os necessitados (é óbvio que é preciso reformar o sistema fiscal), sendo a sua grande vantagem a economização de custos e o direccionamento dos gastos para as áreas consideradas prioritárias.
É importante também realçar o facto de o apoio do estado aos alunos do ensino superior não se fique só a dever às condições sociais, mas também com grande peso ao mérito e à utilidade pública.
2. Encerramento de escolas. Sim, tenho consciência das consequências que isso pode trazer à população, mas por motivos económicos interessa rentabilizar os recursos existentes. Por motivos sociais, é mais produtivo para as crianças/jovens poderem conviver e competir com um maior número de pares...
3. Tronco profissionalizante desde o 7º ano. Quantos casos conhecemos nós de jovens que deixam a escola que esta não lhes diz nada? O tronco profissionalizante serve como via de captar estes jovens (actualmente proscritos da escola) para o meio no qual devem amadurecer e permite-lhes ir adquirindo conhecimentos "teóricos", ao mesmo tempo que ganham aptidões práticas. Obviamente, que o facto de existirem ciclos de estudos, implica que, mediante a realização de exame o aluno possa alterar de área tendo apenas que repetir as partes do ciclo que não são equivalentes... mais ou menos tipo sistema de créditos. O que implica que qualquer aluno, mesmo que tenha optado pela via profissional, pode vir a ingressar no ensino superior, embora para isso tenha que efectuar exames de equivalência.
3. Ensino superior público. Também acho que pode desaparecer. Mas entretanto é preciso dinamizar e dar competitividade às universidades existentes e às competências instaladas.
4. Áreas de desenvolvimentos científico.
Agricultura - para dar competitividade e inovar a nível das colheitas mais rentáveis para o país.
Ciências da saúde - porque é um campo em que já existe investigação séria organizada, com benefício directo para a população e possíveis retornos financeiros muito grandes (a biotecnologia, a nível de investigação e desenvolvimento é das áreas mais lucrativas e nível mundial)
Telecomunicações e tecnologias da informação - um dos maiores mercados mundias e sempre ávido de inovações.
Pesquisa de novos materiais - de forma a criar um nicho de aplicações e utilidades exclusivo de empresas portuguesas, que lhes possa trazer vantagem competitiva. Áreas como a composição de polímeros orgânicos, microchips, nanotecnologia, etc...
5. Complementos do Francisco. Concordo na generalidade.
6. Os outros temas não estão esquecidos e seguem em breve...(nos próximos dias).  
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segunda-feira, janeiro 10, 2005

Afinal não é só cá...

A história de hoje é muito curta... um menino, 7 meses de idade, 6 meses e 1/2 passados no hospital. Nasceu com uma imunodeficiência severa e como tal tem grande susceptibilidade de apanhar infecções. É uma doença com consequências semelhantes às da SIDA, só que mais graves e não é infecciosa é congénita.
A sua única esperança de ter uma vida normal é o transplante de medula óssea. Uma vez que não existe dador compatível, tem de fazer transplante de células maternas modificadas.
Esta é uma doença muito rara. E cá não se pode fazer esse tratamento... Todos os contactos efectuados, um processo que se arrasta já há alguns meses, apoio das autoridades de saúde... Finalmente tudo pronto para que o bebé possa ser transplantado em Paris. Burocracias tratadas, mãe preparada, equipa médica de acompanhamento preparada (já que a própria viagem tem grandes riscos de complicações).
Aguarda há alguns dias que seja autorizada a transferências por parte dos médicos franceses... Era para ter sido o ano passado, era para ter sido a semana passada, era para ser esta semana, também não vai ser na próxima...
Motivo: Falta de vagas, ou seja, também ele está em lista de espera!

Comentários:

O eterno problema... :(  

Espero que todos os que lerem esta mensagem já sejam potenciais dadores de medula óssea. Não custa nada (basta darem uma pequena amostra de sangue) e pode salvar uma vida. Quem quiser ser procure o centro de histocompatibilidade mais perto (no Porto fica dentro do Hospital S. João).  

Arrepio... é só o que sinto e o que posso dizer a estas "listas de espera pela vida".  
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Ministro de Gestão

Já se sabia que o PR tinha dispensado o Governo de funções.
Só não se adivinhava era que isso significasse que certos Ministros pudessem ir de férias para S. Tomé e Príncipe às custas dos contribuíntes...

Comentários:

Realmente é uma vergonha: fazer uma viagem a S. Tomé com uma comitiva para entregar material que não vale a viagem de todos, havendo voos regulares diários fretar um avião só para a comitiva (que ficou à espera que as férias acabassem para a viagem de volta) e ficar lá a fazer férias no melhor resort (não sendo claro quem paga o resort).  

Não terá sido bem assim... As férias resumem-se de facto a 2 dias de visita oficial e 1 dia de actividades lúdicas alegadamente a expensas próprias.
Se é criticável? Claro que sim... A mulher de César, por muito séria que seja... tem que o aparentar...
É grave? É muito relativo... Considero mais grave a visita do cenoura à China, acompanhado de 100 empresários (que vão lá para fazer negócios e ganhar dinheiro), tudo isto à custo do bolso dos contribuintes... e acreditem que dava para muitas viagens a São Tomé...  
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domingo, janeiro 09, 2005

Opções políticas

As eleições aproximam-se. Ainda nenhum partido explicou claramente que projectos pretende defender. Será que algum dirá:
-aos milhares de professores que concorrem todos os anos que uma parte deles passará a fixos numa escola e que os outros terão de encontrar outra profissão?
-aos funcionários públicos que a sua actuação será avaliada por resultados e não pelo nº de horas que estão no emprego e as remunerações serão ajustadas a tal ?
- que os casais homossexuais devem ter todos os mesmos direitos legais que os heterossexuais?
- aos donos das farmácias que a sua percentagem do preço dos medicamentos será reduzida?
- aos desempregados que quem não aceitar um trabalho mesmo que seja fora da sua área de habilitações não recebe mais subsídio?
- aos directores de serviço dos hospitais que são responsáveis pela produtividade dos serviços e que estes têm que render o mesmo que as clinicas privadas com os mesmos trabalhadores rendem, ou serão demitidos?
- que a justiça tem que ser mais célere (esta não sei como; se calhar ajudava se os tribunais funcionassem durante Agosto) ?
- que os cursos sem saídas profissionais devem ser fechados e que os alunos que forem para esses cursos na privada deverão ser avisados que o seu destino provável é o desemprego ou o trabalho noutra área?
- que o nº de agentes fiscais será aumentado passando estes novos a receber 2% dos impostos não declarados que arrecadarem?
- que as universidades não devem ter vários departamentos da mesma área em faculdades diferentes e que na mesma cidade não podem haver 2 universidades públicas?
- que quando houver uma troca comercial, se não for passada uma factura, ambos os agentes dessa troca serão multados?
- que o estado só comparticipa um medicamento por substância activa (o mais barato)?
- que as empresas que persistentemente não dão lucro serão fechadas?
- que as drogas leves e a prostituição devem ser liberalizadas com regras e que todos os toxicodependentes têm direito a apoio eficaz do estado para o deixarem de ser?
- que falta espírito empreendedor aos portugueses que preferem em geral o trabalhinho com demasiadas regalias na função pública?
- que os clubes de futebol vão deixar de receber apoio do estado e das autarquias, por vias directas ou indirectas, excepto em relação à formação dos jovens?
- que os artistas de todas as artes (teatro, música, dança, cinema, ...) deixarão de ser apoiados (excepto na formação de jovens e transmissão da cultura nacional) e que só sobreviverão os espectáculos que agradarem ao público?
- que é necessário criar uma nova organização internacional democrática, sem concelho de segurança, e que as decisões dessa organização serão respeitadas?
- que todas as taxas aduaneiras serão abolidas com todos os países que tb assim aceitarem e que a agricultura deixará de ser parcialmente subsidiada pelo estado?
- que os militares serão reduzidos a pequenas forças profissionais, treinadas para integrar missões internacionais de defesa ou acção humanitária?
- que os emigrantes merecem apoio para a sua integração e que o estado velará para que deixem de ser explorados?
- que o salário dos governantes tem de ser aumentado, mas que todas as recompensas indirectas serão eliminadas?

Mais deverão eles dizer. Acrescentem o que se lembrarem, critiquem o que não concordarem, mas percam algum tempo a refletirem e discutirem (aqui por exemplo) a vossa posição.

Comentários:

Onde é que se assina?  

Prontos! Também quero assinar!
Só não concordo totalmente com um item, mas um em tantos.... nada mau! É que, se a arte e cultura ficarem única e exclusivamente dependentes da resposta positiva do público, 'tamos muito mal... Basta ver, por exemplo, os filmes mais vistos no cinema, e os programas de Tv que conseguem ser cada vez piores (até quando pensamos que isso já não é possível!)Por outro lado, não há pachorra para «Brancas de Neve»!  

Um excelente programa feito por alguém que sabe que não terá a responsabilidade de o aplicar. Por isso pode prometer tudo.
Eu cá contantava-me apenas se os políticos tivessesm espírito de missão e fossem para governar o país e não se governarem a si próprios. (Desculpem os lugares comuns, mas estou fartinho dos tipos!!!)  
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Uma merecida palavra de apreço aos nossos sponsors, que nos têm dado o apoio financeiro e moral indispensável à continuação deste projecto.

Porque sem eles nada disto seria possível, aos nossos patrocinadores e sites parceiros:
www.sexoluxuriasemfim.pt/somosporcos
www.boasabertas.org/quase/virgens
www.badalhocas.com/mal_lavadas
www.comiate.net/toda/aijasus
www.chicasdevassas.esp/spreadleg
www.come.com/semparar
www.encavad.ela/chupa_mo/69/ja
www.bambinas.org/nu69bojao
Os nossos sinceros agradecimentos.

Pel' A Gerência,

Guilty

O Rei vai nu!

Esta história da dissolução da AR tem-me feito lembrar a parábola infantil do cortejo do Rei.

Também aqui já toda a gente sabia que o Rei ia como veio ao mundo e o catraio não teve outra solução senão denunciar que o dito ia nu, acabando com o cortejo.

O petiz só não é totalmente inimputável porque cometeu dois erros:
# O primeiro, que foi permitir que o cortejo sequer começasse!
# O último, que foi sugerir que a Monarquia continuasse...

Comentários:

Guilty, já tinhamos saudades tuas. Voltaste e em força.  

Deixava só mais alguns erros do petiz...
# Ter arranjado o alfaiate para o rei!
# Ter assistido a outros reis que iam nus impávido e sereno...  
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Mea culpa

Só, entre outras coisas, porque um tipo chamado Guilty não podia deixar de enviar um post intitulado mea culpa!

sábado, janeiro 08, 2005

Um Blog que só fala de Medicina

Parafraseando o Professor Abel Salazar, para muitos considerado o pai da informática moderna:
Um Blog que só fala de Medicina, nem de Medicina fala
Regressa, pelo exposto, o comentário político de Guilty a este Blog, depois de um longo interregno em que me fui abstendo de satirizar, na blogosfera, os partidos da Coligação circense.

De resto, um olhar atento sobre os telejornais dos últimos 30 dias prontamente obviaria a necessidade de qualquer crítica formal:
A começar pela brochura explicativa do OM 2005 a expensas dos contribuintes, passando pelo tabu da coligação descoligada, pelo acordo secreto do Dr. Nobre Guedes com a CECIL, pela homenagem pré-eleitoral do Governo de Gestão ao FCP (estaria também esta já previamente orçamentada no OM 2004?!), ou pelas oportunas visitas pré-eleitorais recorrentes do Ministro de Estado e da Defesa aos estaleiros navais de Viana do Castelo, e terminando no "desinteresse" da Sra. Ministra da Educação pela AR.
(reparem que até me excusei falar do Dr. Pôncio Monteiro, fígura ímpar da elite intelectual Portuense....)

Não pretendo porém, hoje, criticar o Governo (ups...), mas apenas deixar duas notas:
# uma de desagrado pelas infelizes declarações recentes do Dr. Jorge Sampaio a propósito das maiorias parlamentares estáveis,
# outra de sincero agrado pela atitude expedita do Dr. Bagão Félix em relação às dívidas fiscais dos clubes de futebol (que, esperemos, permaneça intransigente e culmine na penhora das receitas de bilheteira).

E mais não digo.

Comentários:

Eu por acaso tive oportunidade de ouvir a entrevista na íntegra e concordo com o PR (que por sua vez estava a concordar com o Pacheco Pereira). É verdade que a curto prazo isto dava jeito ao PS (daí todos os outros terem criticado). Mas se esta alteração fosse feita, obviamente que já não seria para estas eleições, e penso que seria bom para o país. Não seria preciso mudar a representatividade da AR. Bastava ao partido que tinha mais deputados, ter direito a mais x votos.

Isto é dar condições para o partido vencedor trabalhar, e no final é avaliado, sem ter que estar a perder o tempo a fazer coligações e a ter que ceder em alguns pontos.  

Tive que te provocar para voltares cá??? Já estava com saudades tuas Guilty... Welcome back...

Quanto às "maiorias parlamentares estáveis" elas podem existir mesmo sem coligações. Basta que o partido tenha maioria absoluta e só assim representa a maioria da população, pelo que só assim deverá governar livremente... Acho uma inversão do sistema, ter, por exemplo um partido com 30% dos votos a governar livremente baseado numa maioria parlamentar que não é do agrado de 70% dos portugueses...
Para isso é melhor reduzir os poderes da assembleia da república e o governo eleito pode governar sem ter apoio parlamentar... aproveita-se para reduzir o número de deputados, funciona em "part-time" (tipo assembleia municipal que reúne 1 vez por mês) e aproveita-se para poupar dinheiro...  

Olha que reduzir os poderes da AR tb não era mau. Já agora mesmo hoje em dia um partido só precisa de cerca de 43% dos votos para ter maioria absoluta. Se contarmos que só votam cerca de 2/3 dos eleitores, chegamos à conclusão que nenhum partido representa o povo.  
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