domingo, julho 24, 2005

Como é possível

que tenham aparecido 4 pessoas, num SU de um hospital central, a um sábado à tarde, a queixar-se de que tinham tirado um dente entre 1 semana e 2 meses antes, mas ainda sentiam qualquer coisa lá dentro???

Ah... Era Sábado, e já que tinham ido visitar o vizinho que estava internado, aproveitaram e passaram pelo SU... Curiosamente, todos eles eram "isentos de taxa moderadora"... E ir ao dentista, queixar-se de algo que "supostamente" não terá ficado bem... custa dinheiro.

Quando é que se conseguirão educar as pessoas do que é que constitui um verdadeiro motivo de urgência??? É que depois, são estes que se "queixam" que o atendimento nos hosspitais é péssimo e que ficam 4 horas à espera. É o típico "Parece impossível. Se fosse para morrer bem que já tinha morrido aqui..."
E já agora, para quando a integração da saúde oral, no SNS??? Ficava mais "barato" do que manter SU a funcionar para isto*... e de certeza que a população era muito melhor servida!


* e funcionava durante muitos anos com o dinheiro de uma OTA...

Comentários:

Todos sabemos que no SU muitos dos casos são pessoas carentes que necessitam de um pouco de atenção.
Também todos nós sabemos que a saúde oral deveria estar no SNS.
Das poucas coisas que nós não sabemos é quem é que vai ganhar com a OTA ou com o TGV.  

Revolta-me o desprezo que se dá à saúde oral neste país. Terceiro mundismo...  

Parece-me lógico que a saúde oral devia fazer parte do SNS. Tendo dito isto:
- nenhum governo o irá fazer numa altura de crise económica
- acho que o seu custo no SNS seria muito superior aos casos de vêm às urgências por problemas dentários
- embora considere que o TGV e a OTA são desnecessários parece-me demagógico dizer que o dinheiro de uma sustentava a outra já que uma grande parte dos custos destes 2 empreendimentos seriam suportados com fundos europeus para a mobilidade dentro da europa e para o desenvolvimento.

(já estava com saudades disto)  

welcome back francisco...

sabes que uma das coisas que aprendi nas últimas viagens que fiz (república da irlanda e noruega - duas das mais florescentes economias europeias), foi o impacto que a prioritização das despesas tem no desenvolvimento dos países.

Nenhum destes países aproveitou os fundos europeus para fazer auto-estradas de 4 faixas ou comboios de alta velocidade. Apostaram na qualificação profissional, no desenvolvimento empresarial, no apoio social justificado (não na subsidiodependência em que nós vivemos). E tiveram melhores resultados...

Já agora, sabes que também existe um Programa Operacional de Apoio da UE para projectos na área da saúde? Porque não aproveitar isso.

Dito isto, também te digo que sou favorável à construção do TGV de uma forma sustentada e moderada. Acho a OTA um perfeito disparate (e acho que nem o próprio governo percebeu quais os motivos para a construir). Mas acho que não se pode avançar para projectos destes, de necessidade, retorno e sustentabilidade duvidosa, em tempos em que se pedem sacrifícios às pessoas, em que se aumentam impostos e em que em vez de se diminuir, se está a aumentar o peso do estado...

Enfim... prioridades. E o governo é livre de as definir de acordo com o seu programa eleitoral - o que não está a fazer. Acho que o mínimo de decência, seria ser coerente e não fazer aquilo que se criticava enquanto se era oposição... Já para não falar das trapalhadas constantes!!!  
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