segunda-feira, novembro 19, 2007

Médicos para fazer número?

Será que o país quer médicos só para fazer número?
Em profissões de elevada diferenciação técnica como a Medicina, o que condiciona o mercado não é a abundância de licenciados mas o investimento que o País está disponível a aceitar fazer para fornecer cuidados de Saúde.

Esta frase, proferida pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, revela o erro que se faz ao aumentar indiscriminadamente as vagas nas faculdades de Medicina.
Dificuldades de acesso às faculdades de Medicina ou de marcação de consulta/intervenção cirúrgica, só poderão ser explicados pela falta de médicos? Será que a procura dum método de selecção diferente não levará ao combate de algumas injustiças (porque procuram tanto os alunos a Medicina?)? Se forem introduzidas alterações ao actual funcionamento de todo o organigrama da saúde não poderá ser aumentada a produtividade?
Julgo que muitas destas questões nem terão sido postas, pois as suas respostas levariam a um esforço de algum políticos (que, ao que parece, optam por pôr os outros a trabalhar enquanto elas andam a passear).

Agora olhando para as propostas, simplistas e pouco "racionais", que o ministro propõe podemos ver, entre outras coisas, que:
ao aumentar o número de vagas nas faculdades a qualidade de formação (que já não é muito famosa) vai-se deteriorando gradualmente;
num fututo, não muito longinquo, investimentos que poderiam ser aplicados em exames, cirurgias, medicamentos, ..., para os doentes terão de ser desviados para o pagamento de salários.


Mas será isto que o povo quer e precisa? Ter um médico de família que apesar de algum conhecimento que tenha não pode fazer muito mais do que estar ali sentado a ouvir os seus doentes?