quarta-feira, março 23, 2005

Ciganos

Todos estamos habituados a lidar com ciganos, nas mais variadas situações: os vendedores na feira, os pedintes nos semáforos, os vendedores de pensos à porta do hospital, as famílias que se deslocam em peso quando algum está internado e muitas vezes a incapacidade que demonstram em se "adaptarem" às leis da sociedade.

Se é verdade que não devem ser discriminados por serem uma "etnia" diferente, a verdade é que também não devem ter direitos que não são dados ao comum dos cidadãos devido ao "medo" que se tem dos ciganos... Ainda me lembro de uma frase que se dizia às crianças: Tens de comer a sopa toda, senão vem o cigano e leva-te! Este preconceito, está infelizmente muito enraízado na cultura portuguesa (verdade seja dita que os próprios, também contribuem alguma coisa para isto - e pronto, aqui estou também a demonstrar o preconceito!). Mas, não podemos, devido ao medo, permitir que os "ciganos" não cumpram as leis que todos temos que cumprir (pagar impostos, por exemplo) e que tenham mais regalias do que a restante sociedade (invadir autenticamente as urgências hospitalares, muitas vezes armados e na complacência da polícia).

A experiência que tenho destas situações (pouca), demonstra que, em geral são pessoas educadas e respeitadoras, desde que "achem" que estão a ser bem-tratados. Se o tempo de espera "aceitável" foi ultrapassado ou estão há muito tempo "à espera de exames", começa a surgir um burburinho... uma confusão crescente que muitas vezes termina em confrontos "físicos" (ainda recentemente um colega foi agredido à saída do SU, porque não observou o "cigano" que estava à espera antes de acabar o seu turno, perante o olhar impávido das forças de segurança). E enfim, o medo acaba por dominar a sociedade e numa sociedade que pensávamos democrática e evoluída ainda existem alguns para quem as leis não são para cumprir.

Mas passando à estória que queria contar (para demonstrar que os "ciganos" não são todos iguais, e tal como a "sociedade" se divide em pessoas ditas normais e em marginais, também os ciganos se podem dividir da mesma forma; o grande problema parece-me ser que "eles" defendem a família acima de tudo e assim, uma grande etnia acaba por ser conotada com os actos cobardes de uma mão-cheia de marginais a quem acabam por dar uma palmadinha nas costas e proteger...)...

Eram aí umas 2 horas da madrugada, quando estava sozinho na sala de "pequena-cirurgia". Na sala ao lado (onde ficam os doentes em "observação"), aguardava um cigano, etilizado, após uma rixa em que tinha ficado ferido. Estava a dormir e aguardáva-mos que "acordasse", para verificar que não tinha alterações da consciência e mandar embora.
Entretanto, entra pela sala um homem, dos seus 25 anos, fardado com a roupa de uma empresa de segurança. Era segurança de um shopping perto do hospital. Tinha apanhado um meliante a assaltar um automóvel e ao ir atrás dele, tinha sido picado com uma agulha (alegadamente de um seropositivo).
Estava eu a falar com ele, quando na sala ao lado, o "cigano" acorda subitamente, atira-se abaixo da maca e começa a disparatar, no português mais vernáculo e com uma agressividade marcada.
Nem tive tempo de reagir... O segurança, virou-se para ele e murmurou-lhe qualquer coisa numa língua para mim ininteligível... Rapidamente o "cigano" se voltou a deitar na maca e esperou sossegadamente até que o fomos observar...
Perante a minha cara de espanto, o segurança replicou:
- Eu também sou cigano...
- Pois... pareceu-me que sim. - respondi - E o que é que lhe disse?
- Disse-lhe: "Primo (nós tratamo-nos assim, mesmo não nos conhecendo), vê lá se te portas bem, que os doutores estão aqui para ajudar..."
- Pelos vistos resultou... - disse agora mais aliviado...
- É por isso que as empresas de segurança, contratam ciganos!

O segurança, entretanto realizou os exames ao HIV, mas ainda iria ter que esperar alguns meses para ter o resultado definitivo, devido ao período de janela do vírus e à possibilidade de "testar" o sangue do agressor.

E lá foi, sempre solícito e educado, deixando-me a pensar que de facto, não devemos julgar o todo pela parte, embora muitas vezes isso se torne complicado. E também que, como tudo na vida, a hierarquia e o valor supremo da família, aqui também tiveram um lado positivo (respeito pela hierarquia e obediência a uma voz de comando), embora por vezes, apenas mostrem o seu lado mais negativo...

E foi assim, que me ajudou a compreender um bocadinho melhor essa etnia, com tantas idiossincrasias e choques culturais, onde felizmente a maioria apenas quer "levar a sua vida com felicidade"...

Comentários:

Há uns meses atrás apanhei dos sustos da minha vida qdo 3 carrinhas ciganas me rodearam o carro.Graças a Deus n me fizeram nada mas temi pelo pior...
Mas é um bocado como dizes, até são simpáticos desde q achem q estão a ser bem tratados...
Abraços da Zona Franca e puxão de orelhas no McCap para ele voltar a escrever!  

Julgo que eles ao contrário de outras comunidades mantêm um sistema de valores muito próprio e que por vezes choca com as nossas regras (vulgo leis), até porque regra geral não cultivam a paciência nem a obediência a regras formais. Além disso tb têm alguns elementos menos bons (como todas as sociedades e profissões). Isto ajudou a criar um preonceito que está muito generalizado (é o mesmo preconceito que os pretos são preguiçosos.
Acho que seguranças ciganos muito boa ideia; para quando polícias ciganos?  

Boas!
Não páro de me espantar como é que as pessoas vão ter ao meu blog!!
Obrigado pela visita..

Quanto ao tema de hoje, acasta cigana tem as particularidades de qualquer Casta que se preze! ;)

Adaptam-se bem às regras da sociedade em que se inserem, embora numa visão muito própria das mesmas..

Tenho preconceitos em relação aos ciganos maus, na mesmíssima medida que tenho em relação aos pretos ou aos brancos maus.

Resumindo: sou racista em relação às pessoas que não prestam!  

quer queiramos quer não quando temos um cigano à frente até gostavamos de estar do outro lado da rua..."mas eu não tenho preconceitos,não senhor!"  

o teu post fez-me sorrir.
eu moro na amadora, que como se sabe para além de se matarem polícias e comerem criancinhas tem também muitos ciganos lol.
agora a sério. aqui perto de mim moram MUITOS ciganos. inicialmente tive medo deles. confesso que tive.
mas agora trato-os com a mesma naturalidade que a todas as outras pessoas. eles apenas pedem respeito.
de resto, quando sente carinho por nós são os melhores amigos que se pode encontrar.
claro que também existem aspectos negativos, mas neste momento eu estou habituada a eles.
são seres humanos, com leis próprias e formas por vezes engraçadas de ver a vida.
seria bom se as pessoas conseguissem olhar para eles não como vendedores da feira, nem ladrões ou traficantes e sim pessoas com defeitos e virtudes como todos os outros.
beijinho  

Eu tenho vivido com esta doença mortal por mais de um ano, o meu marido, descobri que estávamos ambos HIV +. Tínhamos tentar de todas as maneiras de viver nossas vidas, apesar desta coisa em nosso corpo não até que me deparei com este poderoso herbalista que interpretou que ele tinha a cure.At primeiro, ficamos mais cético, mas meu marido insistiu em dar-lhe uma tentativa e pedimos para algumas de suas ervas e em poucas semanas depois de seguir o devido processo desta fitoterapeuta, fomos para um teste de como ele nos disse também fomos surpreendidos com a felicidade quando recebi o resultado na clínica. A taxa de vírus em nosso corpo caiu e em mais algumas semanas Estávamos totalmente cured.We também perguntou por que ele não veio para o mundo que ele tinha a cura e ele disse que fez em 2011, mas foi rejeitada pela equipe de pesquisa internacional. A coisa mais importante é para você ser curado Se você quer saber sobre o fitoterapeuta chamá-lo em +234 706 542 4920 ou e-mail: herbalcure4u@gmail.com. Deus te abençoe.  
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