sábado, janeiro 07, 2006

uma boa ideia e uma má atitude

Num dos jornais diários, deste sábado, deparei com dois temas que acho que merecem destaque e que se encontram dentro do âmbito de alguns dos meus últimos desabafos.
O primeiro diz respeito à intervenção de um ex-secretário de estado da Justiça e actual deputado, Paulo Rangel, na última das conferências, "Centralismo Lisboa, rival ou aliada?", do ciclo "Olhares cruzados sobre o Porto". Segundo ele os municípios do Porto e Vila Nova de Gaia, quiçá também Matosinhos, deveriam fundir-se com o objectivo de criar um verdadeiro pólo de atracção. Além da história e do rio são vários os pontos que unem estas duas cidades. Para além de ser um local mais apetecível haveria também uma diminuição (drástica) dos custos administrativos e seria possível um melhor planeamento (de urbanização, de infra-estruturas, etc).
No segundo encontramos a desgraça de mais 369 portugueses. Pois é! É mais uma empresa fabril que vais desviar a sua produção para o leste, onde a mão-de-obra é mais barata. A empresa de que vos falo é a famosíssima Ecco, que laborava em Santa Maria da Feira (cidade muito associada à indústria de calçado). Já não chegava a Clark’s ter deixado muitas famílias daquela região sem “ganha pão”. Agora é mais uma grande empresa estrangeira que abala dali e não vemos o governo a tomar medidas. As mesmas que foram tomadas aquando da ameaça do encerramento da Auto-Europa, localizada em Palmela. A localização e a população que servem devem ser a principal diferença para tamanha disparidade de atitude (apesar de todos termos que pagar impostos, há portugueses de primeira e outros de segunda).

Comentários:

A parte da Autoeuropa vai afectar imenso a minha zona :/  

Concordo com a fusão de Gaia e Porto ou com o reforço de competências da junta metropolitana.

Tenho pena dos trabalhadores (embora haja bastante emprego em Portugal para quem está disposto a trabalhar a sério – importamos mão de obra estrangeira) mas acredito que tudo o que implica mão de obra barata e desqualificada irá +/- rapidamente desaparecer de Portugal. Não temos hipóteses de concorrer com eles (da mesma forma que os dinamarqueses não puderam competir com os nossos salários em 1984 - http://www.ecco.com/aw2005/aboutus.asp). A boa notícia é que a Dinamarca não foi ao fundo e que existem soluções para a crise.

Que medidas é que o estado tomou para a AutoEuropa? Eu andei distraído/ocupado mas só ouvi falar que o Sócrates pedia aos trabalhadores para não exigirem determinados aumentos já aumentava as probabilidades da fábrica fechar.
Acho que algum pessoal do Norte sofre de complexos de inferioridade e tentam justificar tudo com o bicho papão que é Lisboa.  

Em relação à autoeuropa sei que houve intervenção governamental, na altura liderada pelo Dr Durão Barroso, e foi assinado um contrato que em traços gerais garantia a permanência da fábrica em Portugal por mais uma determinada quantidade de anos.
Relativamente aos cmplexos de inferioridade, há realmente muita gente que é assim, cada vez serão menos essa a causa para as críticas. Podemos verificar a postura do presidente da câmara do Porto, que sempre se disse contra as críticas à capital, mas como o prejuízo do restante país é tão gritante até ele reivindica mais apoios para outras regiões.  

Matosinhos não tem nada a ver com o Porto (perguntem a qq Matosinhense... ou Leceiro..). O Porto é um concelho completamente urbano, Gaia não. Crestuma? Lever? Seixezelo? S.Félix da Marinha? Aliás, o concelho de Gaia estava bonzinho era para dividir, de forma a acabar com as peneiras de det médico q costuma andar de jeep...  
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