domingo, dezembro 11, 2005

Primeiro umas cruzes depois todo um calendário

Há poucos dias ouvi que o governo havia mandado retirar todos os crucifixos das salas de aula, das escolas públicas. O motivo era o cumprimento da constituição. Esta notícia ficou-me na cabeça até que alguém a comentou comigo. Agora deixo aqui algumas das reflexões que tivemos.
Portugal é um país laico. Significa que não tem qualquer religião definida como oficial.
Estará isto correcto?

Sendo um país laico esta medida faz todo o sentido.
Mas será que devemos enterrar assim todo um passado, rico e vasto, que tivemos?
Os nossos reis foram devotos a Deus (o Deus da religião católica romana). Muitos mandaram erguer monumentos, hoje em dia visitados por milhares, como gratidão, promessa ou devoção. Outros instituiram dias para recordar as suas padroeiras, como por exemplo o são os dias 15 de Agosto (dia de Nossa Srª Assunção) e 8 de Dezembro (dia da Imaculada Conceição). Houve até um que coroou Nossa Senhora como rainha de Portugal (precisamente no dia 8 de Dezembro).
Todo o calendário, pelo qual nos regemos, está adaptado à religião católica. Para além dos feriados já mencionados também temos "férias" no Natal, Páscoa e Carnaval. Estas também devido à "igreja".
Vamos agora imaginar a nossa vida sem "cruzes nas salas":
não festejamos o natal (o que até era bom para poupar uns trocos que a vida tá cara), nada de páscoa e as fantasias do carnaval também podiam ficar no armário. Para além disso havia mais dois dias para trabalhar (pelo menos, pode haver ainda mais se contarmos com o S João, Sto Antónia e S Pedro), que são o 15/8 e 8/12.
Se bem que já houve um candidato a presidente da república que quis acabar com o Carnaval. Bem agora que começamos a dar os primeiros passos é capaz de ser mais fácil.

Cá por mim deixava ficar as cruzes nas salas e considerava Portugal como um país católico. Quanto mais não seja devido a uma questão histórica, mas também porque somos muito influenciados pela igreja e vivemos muito com a religião (basta ver as enormes multidões que se movem quando o Papa João Paulo II cá veio).


P.S.1: não fiz referência ao dia 1 de Janeiro que embora pense ser um feriado religioso não sei precisar qual.

P.S.2: considero o Carnaval como festa religiosa porque a sua data varia consoante a da Páscoa, também não sei porquê.

P.S.3: considerar Portugal como um país católico não significa fechar as portas a indivíduos de outras religiões ou impedir o culto dessas em solo nacional.

Comentários:

Ora, não podia estar mais em desacordo (e eu nao sou nada anti-clerical, apesar de também não ser católico) - a questão das cruzes prende-se com o facto de as escolas serem pagas por todos e, portanto, não deverem ter símbolos religiosos de nenhuma religião. Mas quanto aos feriados - de facto o carnaval é uma festa pagã, o 24 de Junho e de Dezembro também - se não fossem feriados religiosos poderiam sê-lo por se tratar dos solistícios de verão e de inverno. E, já agora, o Dia 1 de Janeiro, dia de S.ta Maria (acho) também é o dia Mundial da Paz (causa nobre para feriado, suponho) e teríamos muito mais que festejar enquanto cidadãos sem precisar de feriados religiosos - mas atenção - não me importo que haja feriados religiosos dada a maioria da população portuguesa afirmar-se católica (porque se são, deixam muitas dúvidas...)  

Deviam tornar 6 de Janeiro feriado! Assim não tinha de ir à escola no dia dos meus anos! Quanto a Portugal tornar o católico como... "religião oficial", discordo! Nem todas as pessoas que nasceram em Portugal são católicas (por exemplo eu, embora não tenha outra religião).  

eu axo k ja s ligou mais a religiao... cm pais laico k é... tem a sua parte de razao em tirar as cruzes das salas, mas é de todo radical abolir feriados e festas... visto que os portugueses são, ou dizem ser, na sua maioria catolicos.
Tambem está abrangido por lei que pessoas de outros credos religiosos gozem os feriados quando os teem na sua crença... Acho que é radical demais acabar com tudo!(ate pk mta gente iria protestar, nao por ser religiosa, mas porque gosta das feriazinhas e das prendinhas e etc)  

Pois como todos vós dizeis a maioria dos portugueses é católico ou identifica-se com a religião católica. Se a maioria é católica (e estamos a falar de uma grande maioria) qual é o problema de considerar Portugal um país católico (e isto apenas pensando no presente).
Porquê tirar as cruzes se a maioria que paga os impostos até é a favor da religião católica? Isso é estar a priviligiar as minorias em relação à maioria...  

O problema de se afirmar q o estado é laico é q dp começa-se a pensar em monumentos nacionais e afins... Tb se tiram de lá as cruzes???
De uma forma ou de outra, para crentes, não crentes ou crentes de outros credos, a religião cristã (católica já é mais discutível especialmente pq portugal não era um país extremamente ortodoxo na idade média) moldou a forma de pensamento da nossa sociedade e tb a nossa cultura nacional. E como o osso disse: estaria-se a pôr a minoria em frente da maioria.

Mas tb não se preocupem, os bispos já vieram dizer que para eles tanto lhes faz :P  

Sem ser fundamentalista da questão, acho que as cruzes não aquecem nem arrefecem. Eu pessoalmente sou católico (praticante na medida do possível...)e não me causa nenhum tipo de confusão que tirem as cruzes das igrejas, honestamente como pessoa, incomodou-me muito mais a proibição de utilização de véu nas escolas francêsas, isso sim um verdadeiro atentado à religião. Incomoda-me muito mais a verdadeira razão que estará por trás de tamanha exigência. Como alguém disse há uns dias atrás: "ainda não vi ninguém a insurgir-se tão veementemente contra a panóplia de símbolos maçónicos que estão espalhados por todo o lado. Note-se que os símbolos maçónicos também não me incomodam. Incomoda sim é o falso moralismo e pseudo-rectidão de pensamento de alguns que exigem (mais)liberdade e que no fundo são mais ditadores por imposição que outros que criticam.  

Acho muito bem que se tirem as cruzes. Esta decisão foi tomada após a reunião dum grupo de sábios. Concluíram que eram as cruzes que impediam melhores resultados nas escolas. A seguir, vão impedir os capelões nos hospitais. As campas e jazigos nos cemitérios serão laicos.  

A posição da Conferência Episcopal Portuguesa é de certa forma surpreendente e recebe todo o meu apoio. De facto, está em consonância com os valores da Fé Cristã (que eu nao professo, mas conheço). As escolas em que haja pessoas incomodadas com as cruzes devem retirá-las. As outras devem mantê-las!  

Os crucifixos nas salas de aula implicam que todos os alunos, sejam católicos ou não, os aceitem.
Os feriados religiosos apesar de serem para todos, só são celebrados ( no sentido religioso) por quem quer.
Para mim, cruxifixous nas salas de aula ou não, são pormenores irrelevantes.  

Não vou entrar na polémica mas apenas queria deixar uma pequena correcção:

A "Imaculada Conceição" de 8/Dez não se refere a nehuma padroeira de nome conceição!!

Tal designação deriva apenas de "Imaculada Concepção". Pois é! No dia 8/Dez o que os católicos celebram é nem mais nem menos do que a gravidez da Virgem Maria, gerada pelo poder do Espírito Santo e portanto sem mácula.

Talvez alguns se recordem de o dia da Mãe ter sido celebrado durante muito tempo a 8/Dez.  

A evitar cuidadosamente: a ditadura da maioria...  

Continuando a correcção...

A "Nossa Senhora Assunção" adivinhem...Não! Tb não é nenhuma senhora Santa de nome Assunção!

Para esclarecer talvez valha a pena recordar "Assumpta est Maria, in coelum, gaudent angeli!" Ou seja "Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para o Céu. E os Anjos rejubilam!"

Pois é! O dia 15/Agosto celebra a Ascensão de Maria (de corpo e alma) levada por Deus para os Céus. É o dia em que os católicos celebram a glorificação de sua Mãe, Maria.

Obrigado e que Deus (seja Jeová ou Alá) vos abençoe...  

E porque motivo deverão lá estar? Nesse caso deviam rezar como antigamente logo de manhã! Sou católica e acho que como país laico, em Portugal deverão existir igrejas, templos hindus, sinagogas etc. As pessoas deverão ser livres na escolha ou ausência de uma religião e não "forçadas" a conviver com a predominante.
E concordo com a retirada dos véus das escolas francesas. Chega de fanatismos! Eles deverão cumprir as regras e celebrar a sua religião no local apropriado a cerimonias islâmicas tal como nós as celebramos na nossa igreja.
Uma coisa é a religião e outra o dever escolar, laboral etc, onde todo o tipo de pessoas de paises, cores, religiões e culturas convivem por um fim comum (aprender, estudar, trabalhar...).  

O william lembra e bem a questão da ditadura da maioria! O facto de a maioria professar não quer dizer nada - as escolas públicas são pagas por todos. Os que professam e os que não professam.  

As polémicas deste país estão cada vez melhores...Não há pachorra!

Saudades da Zona Franca que hoje faz 2 anos...Parabéns a nós!!!  

ANTES QUE ESQUEÇA:
Bom Natal para "Vokza Ekslênzia" e sua família, patrões, credores e devedores, policias e ladrões, filhos e avós, escribas e leitores - leitores deste superblog.
Muitas rabanadas, fritas, filhós, mexidos, e outras lambarices!!
E um BOM sorriso durante os 365 de 2006.  

Cruzes nas escolas: acho muito bem que se tirem sem ser um assunto deveras importante - neste ponto a igreja foi sensata em não se opor
Portugal é um pais laico: não pode ser de outra forma. A religião é algo pessoal e não institucional. Imagina que por haver 6 milhões de benfiquistas em Portugal(??!!), Portugal era um país benfiquista e em todas as salas havia um cachecol do benfica! Ou que a programa televisivo oficial do estado era a 1ª companhia! São escolhas individuais que não faz sentido o estado tomar posição independentemente do nº de pessoas que as têm. Além disso tenho dúvidas que a maioria dos portugueses sejam católicos. A maioria teve educação católica, mas julgo que a maioria não vive a religião no seu dia-a-dia.
Feriados: Na minha opinião temos feriados a mais (o 15/08 e 08/12 deveriam desaparecer já que para a maioria dos portugueses, mesmo dos supostos católicos não significam nada, excepto dia livre). O carnaval, 1/Jan e os feriados municipais não são religiosos (apesar destes últimos poderem coincidir no dia do patrono da cidade). O natal é uma festa religiosa (embora inicialmente até fosse pagã), mas é muito mais do que isso, é uma tradição secular de juntar a família (que infelizmente inclui a tradição cada vez mais comercial das prendas).  
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