quinta-feira, janeiro 20, 2005

Aumento de propinas afasta mil alunos do Minho

É este o título da reportagem, a que tive acesso através do JCD do Jaquinzinhos. Vem publicada no Diário Económico, onde se pode ler que:

O aumento de propinas afastou cerca de mil alunos da Universidade do Minho (UM), revelou o reitor Guimarães Rodrigues. Desde 2002, “cerca de 800 alunos, que estavam inscritos e que tinham duas ou três cadeiras para concluir o curso, resolveram acelerar para terminar a licenciatura”, declarou ao programa Rádio - Universidade, uma parceria TSF/DE, emitido no sábado. É esta a explicação avançada para a diminuição do número de estudantes que acabou por ser a justificação do Governo para um corte orçamental de 2,4 milhões de euros nas transferências do OE para 2005. O reitor garante que “há mais saída de alunos porque terminaram o seu curso e não uma baixa de procura”.

Apesar de reconhecer que é difícil quantificar, Guimarães Rodrigues admite que este ano lectivo cerca de “200 alunos tenham abandonado a UM por causa do aumento das propinas”.



Ou seja, dos 1000 alunos afastados, 800 foram porque "resolveram acelerar para terminar a licenciatura" - leia-se acabar o curso. É tão aborrecido pagar propinas... Veja-se lá que até estimula os alunos a acabar o curso...

Comentários:

Realmente o título é bastante tendencioso. Este é um dos benefícios das propinas (o pessoal que andar a "engonhar" acelerar o estudo). O problema são os outros 200 (embora estas contas são dificeis de fazer e não acredito muito nos nºs, já que alguns dos 200 podiam ser "falsos" alunos que apenas estão inscritos para fazer um 2º curso aos poucos, para ter benefícios como trabalhadores estudantes, ...)  

Aqui entre nós, se a gente sabe, todos os anos, quantos entram, quantos saem, quantos reprovam e quantos passam, as contas não têm nada que saber. É só haver vontade de as fazer...  

O que eu quis dizer é que é impossivel saber qual foi o motivo de abandono dos alunos (é impossivel e falso dizer que para todos foi devido ao aumento das propinas). Isto já para não falar do que chamei "falsos alunos".
Fui-me informar e posso agora esclarecer que os alunos bolseiros (independentemente da bolsa que recebam):
- não pagam nenhuma propina (na realidade pagam a propina minima mas recebem uma verba especifica mensal para compensar)
- se estiverem deslocados (e se os serviços de acção social não puderem oferecer alojamento) ou necessitarem de usar transportes públicos para ir para a faculdade recebem mais cerca de 30 e (até)20 contos respectivamente
- têm a possibilidade de contrair empréstimos (quase) sem juros
- a propina máxima vai até ao salário mínimo (mais os acrescentos q  

(continuação do comentário anterior; desculpem a confusão)
... que referi anteriormente).
Assim a única possibilidade que eu vejo de um aluno não ir para a faculdade por falta de dinheiro é se a família necessita que ele traga dinheiro para casa (situação que inflizmente ainda existe). Aí, ele tem que abandonar a faculdade e começar a trabalhar.

Mas se independentemente da propina decidida pelas faculdades/universidades, eles só pagam a mínima é complicado dizer que os alunos abandonam a faculdade pelo aumento das propinas (se considerarmos que quem não é bolseiro tem dinheiro para pagar a propina máxima, o que pode ser discutivel).  
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