sábado, janeiro 22, 2005

Estado de Graça

Conforme dizia aqui o Guilty, "é para todos consensual que estes dois últimos governos foram dois governos com intenção reformista. Os resultados das ditas reformas é que são mais questionáveis." (e desde já sugiro a leitura do resto do comentário).

Ora muito bem, algo em que estamos de acordo. Os dois últimos governos foram governos reformistas e que em 2 anos e meio, fizeram mais do que os governos socialistas em 6. Pode-se ou não concordar com as políticas e com as ideias, mas o facto é que foram efectuadas reformas, que agradarão a alguns e a outros não, mas que foram consideradas necessárias, pelo governo democraticamente eleito através da Assembleia da República.

Contra as críticas que se fazem às políticas do governo, eu não me oponho - aliás, nem posso, porque as opiniões são como as vaginas... - o que me faz insurgir é a "campanha" de alguma comunicação social e de alguma "oposição" que tenta criar confusões e trapalhadas a toda a hora. É certo que Durão Barroso foi um primeiro-ministro competente. É também um facto que Santana Lopes, tem um estilo mais polémico e mais "confuso", mas também é certo que o governo não teve "estado de graça".

Os governos do PS tiveram 6 anos de estado de graça e foram-se embora quando se sentiram completamente perdidos e tinham conduzido o país para uma situação da qual não se conseguiam libertar. O governo de Durão Barroso teve aí uns 6 meses de estado de graça. Já o de Santana Lopes, não teve sequer 6 segundos - mesmo antes de começar já lhe estavam a ser apontados defeitos.

Insurjo-me também contra o que considero um autêntico "golpe de estado democrático" por parte do cenoura. Que me lembre, nas eleições de 2002 ninguém votou em Durão Barroso. Quem votou, votou para eleger um parlamento, que por sua vez elegeu um governo. Ou seja, o actual governo tinha toda a legitimidade democrática para governar até ao fim do seu mandato. Por muitas asneiras que fizesse!!! E que não fez... As "trapalhadas" e as "contradições" são reais, mas muito amplificadas pela comunicação social. O caso Marcelo (facto político criado pelo próprio), o caso Chaves, e outros que mais. Já em questões de fundo, foi um governo, na minha opinião competente. Mostrou coragem para decidir e efectuou reformas importantes - Lei das Rendas, Orçamento de Estado (diminuição do IRS e benefícios fiscais), obras públicas, administração da TAP, etc...
O que não admito é que um personagem que viu os governos socialistas (des)governarem a seu bel-prazer, impávido e sereno, venha a dissolver uma Assembleia da República, sem fundamentos sérios e credíveis e não deixando que o Governo seja "julgado" pelo povo no final do "ciclo democrático", no final dos quatro anos de legislatura da AR.

Um dos princípios básicos da democracia é aceitar a vontade da maioria, que foi o que Sua Excelência o Presidente da República não fez... A maioria dos portugueses elegeu esta AR por 4 anos... não até que o PR se lembrasse de a dissolver! Daqui a 1 mês, o povo dirá de sua justiça, mas no caso (actualmente muito improvável devido à "conjuntura") de ser de novo dada maioria parlamentar à direita, espero que se tirem as devidas consequências e que o cenoura tenha a decência de se demitir, por ter feito perder tempo e dinheiro a todos os portugueses!

Comentários:

Esqueces-te que o PR foi tb ele democraticamente eleito (com poderes para dissolver a AR se assim o entendesse) com mais votos do que a actual demitida/demissionária AR. Mais importante, por mais que não queiras reconhecer, eu e a maioria dos portugueses votará nas próximas eleições para eleger em 1º lugar um governo e em 2º plano uma AR. E quem tinha sido eleito para governar Portugal tinha sido o Durão.

E se discutisse-mos POLITÍCA em vez de politiquices.  

Ainda continuas a bater no ceguinho Med?  

(com o devido respeito que me merece a população invisual...)  

(lembro-me agora que os cidadãos invisuais não conseguem ler este blog...)  
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