quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Mais uma pérola jornalística da TVI

Passou ainda há pouco no Jornal da Noite... Era sobre a infertilidade.

Que a infertilidade é um drama, para todos aqueles que querem ter filhos, é certo, mas há que ter decência quando se transmitem as "reportagens".

Ora não é que segundo a TVI, a infertilidade afecta 1 milhão e meio de portugueses? Na verdade, estima-se que a infertilidade atinja cerca de 10% dos casais em idade fértil (e que ao fim de 1 ano de relações sexuais regulares, sem métodos contraceptivos, não conseguem engravidar). Vamos então fazer algumas contas... Segundo o INE, em Portugal existem 7 064 300 habitantes entre os 15 e os 64 anos. Se considerássemos que todos estes, estariam em idade fértil e com relações sexuais regulares, mesmo assim, o número estimado de afectados, seria menos de metade do número anunciado pela TVI (cerca de 706 mil)

O outro destaque da reportagem era que "em Portugal é preciso pagar para ter um filho". Que os tratamentos de inseminação in vitro custavam cerca de 5000 euros e que os casais andavam a poupar durante anos, para terem dinheiro para os tratamentos. Depois, aí em 10 segundos da reportagem, dizem que afinal, os hospitais públicos oferecem estes tratamentos, mas que não têm capacidade de resposta adequada e que as listas de espera são intermináveis (entre 1 a 2 anos). Ora pergunto eu, um casal que "poupa dinheiro durante anos", não podia aproveitar esse tempo para estar na lista de espera? E 1 a 2 anos é um "tempo interminável" para uma situação não urgente?
E os milhares de casais tratados no serviço nacional de saúde? Não contam? Esses não aparecem na reportagem, para poderem "mostrar" como o atendimento "gratuito" no SNS foi eficaz?

Haja paciência para aturar este jornalismo de vão de escada!

Comentários:

O truque é naturalizarem-se chineses ou indianos...Com custos mto longe dos tais 5000 euros...

http://www.zonafranca.blogspot.com/  

Com um pouco de imaginação:
Um casal infértil não afecta só o casal: eles ficam rabugentos e chateiam os seus colegas de trabalho, que origina perda de produtividade que prejudica todos os accionistas da empresa (contribuintes se forem funcionários públicos). Isto já para não falar das sogras que enquanto não têm o seu netinho ninguém as pode aturar!

Na verdade é o problema de usar números de fontes diferentes sobre um assunto para o qual não há estudos em Portugal, mas estimativas feitas por pessoas (que ninguém sabe quem foram) com visões ("a olho") diferentes sobre o assunto.
E será que ninguém reparou antes na contradição? Ou consideraram (correctamente) que a larga maioria dos portugueses não sabe fazer contas de cabeça e não reparava?  
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